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ONU aponta continuação do racismo como “um motor de desigualdade persistente” BR

Um close de um punho erguido em primeiro plano, com uma multidão de manifestantes ajoelhados em solidariedade atrás, muitos usando máscaras.
Unsplash/Clay Banks Marcha contra a discriminação racial na Carolina do Norte, EUA.

ONU aponta continuação do racismo como “um motor de desigualdade persistente”

Direitos humanos

Secretário-geral pede novo contrato social com base em direitos e oportunidades para todos; presidente da Assembleia Geral exige mais ações enfatizando a obrigação moral de combater o tipo de discriminação. Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial é marcada em 21 de março sob o lema “Vozes para a Ação Contra o Racismo”

A Assembleia Geral das Nações se reuniu às vésperas do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial para debater sobre o assunto.

Este ano, a data marcada em 21 de março tem como tema "Vozes para a Ação Contra o Racismo".

Direitos

Na reunião, o secretário-geral disse que o preconceito continua a envenenar instituições, estruturas sociais e a vida cotidiana em todas as sociedades.

Vista de cima para baixo de várias mãos de crianças reunidas sobre uma lona cinza, com uma criança segurando um pequeno carrinho de brinquedo azul.
Unicef/Luis Kelly Guterres quer um novo contrato social focado em direitos e oportunidades para todos

 

Para António Guterres, a discriminação racial é “um motor de desigualdade persistente e a nega às pessoas seus direitos humanos fundamentais”.

Ele abordou a relação entre racismo e desigualdade de gênero, considerando “inconfundíveis”.

O chefe da ONU disse que os impactos têm piorado “nas sobreposições e interseções de discriminação sofridas por mulheres de cor e grupos minoritários”.

Combate ao racismo

Sobre o lema deste ano, o chefe da ONU convida o mundo a alçar a voz e agir de forma decisiva, diante da responsabilidade de um maior engajamento com movimentos por igualdade e direitos humanos em todos os lugares.

Um dos maiores efeitos do tipo de discriminação é destruir democracias e afetar governos. Por isso, António Guterres lançou um apelo a todos os países para que tomem medidas concretas de combate ao racismo em níveis nacional e global.

Ele enfatiza que nenhum país está imune à intolerância, nem está livre do ódio.

Um grupo diversificado de alunos, vestindo uniformes brancos e azuis, escuta atentamente em uma sala de aula.
Unicef/Claudio Versiani Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial é marcado em 21 de março

 

A mensagem ressalta africanos e afrodescendentes, pessoas de ascendência asiática, comunidades minoritárias, povos indígenas, migrantes, refugiados e vários outros que continuam enfrentando a estigmatização, usadas como bode expiatório ou sofrendo a discriminação e violência.

Discriminação

O pronunciamento destacou ainda que é preciso solidariedade com as pessoas fugindo de conflitos ou perseguições, por serem alvos de formas de discriminação como a baseada em raça, religião ou etnia.

Guterres pediu ainda um novo contrato social focado “em direitos e oportunidades para todos, para combater a pobreza e a exclusão, investir na educação e reconstruir a confiança e a coesão social”.

Ele chamou a atenção global sobre a importância da justiça restaurativa para compensar o legado de séculos de escravidão e colonialismo.

Outro apelo é que haja maior vontade política para acelerar a ação em favor da justiça e igualdade racial com tratados existentes.

As costas de um menino negro vestindo uma camisa escolar branca, em pé diante de um quadro-negro com escritas a giz em uma sala de aula.
Foto ONU/Tobin Jones Secretário-geral disse que o preconceito racial continua a envenenar instituições

Sociedade

Na sessão, o  presidente da Assembleia Geral disse que a discriminação racial é um estereótipo e preconceito óbvio gerado do discurso de ódio e da propaganda.

Abdulla Shahid questionou sobre se mundo não tinha aprendido nada “com o sofrimento desnecessário e a perda de tantas pessoas”.

Ele lembrou o sofrimento das crianças cujos pais morreram à custa do ódio e da violência, ou sentiram a dor e a injustiça de perder entes queridos por terem sido identificados pela cor.

Shahid indicou que o mundo atual pode e deve fazer melhor, lembrando a obrigação moral de combate ao racismo em todas as suas formas.