Fome e vulnerabilidade agravam situação humanitária no Iêmen 
BR

15 março 2022

Conselho de Segurança abordou situação humanitária necessitando de mais de US$ 4 bilhões; enviado especial falou de  aumento de bombardeios em áreas civis e reuniões para o fim do conflito; agências de auxílio  apresentam dificuldades para alcançar algumas regiões do país.

O Conselho de Segurança se reuniu nesta terça-feira para debater a situação iemenita. O encontro aconteceu às vésperas do evento de alto nível para levantar fundos que conta com o apoio do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Ocha.

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, e o chefe humanitário das Nações Unidas, Martin Griffiths, falaram aos 15 Estados-membros do órgão sobre a aprofundamento da fome e da vulnerabilidade dos iemenitas. 

Alvos civis

De acordo com o enviado especial, bombardeios em zonas civis causaram morte de civis e a destruição de prédios residenciais. Hans Grundberg ressaltou o número de crianças que foram vítimas de combates. Pelo menos 10 mil menores  morreram ou ficaram feridos nos últimos anos de conflito.

Uma família no campo de Al Dhale'e para pessoas deslocadas pelo conflito no Iêmen
Ocha/Mahmoud Fadel
Uma família no campo de Al Dhale'e para pessoas deslocadas pelo conflito no Iêmen

 

Ao afirmar que a situação pode ainda se agravar, ele citou o declínio da economia no Iêmen e a falta de abastecimento de fontes de energia. A situação piora o acesso aos serviços básicos no país.

Hans Grundberg também citou as restrições de liberdade de movimento com o fechamento do principal aeroporto do Iêmen.  A situação das mulheres é ainda mais desfavorável porque não podem deixar o país sem estarem acompanhadas de um homem.

O enviado afirmou que está abrindo auscultações  públicas e conduzindo reuniões bilaterais com líderes de partidos para fomentar conversas que levem ao fim dos conflitos. O enviado afirmou que está encorajando as partes de incluírem pelo menos 30% de mulheres em seus grupos partidários.

Ajuda humanitária

Abordando o agravamento da crise humanitária no Iêmen, o chefe humanitário Martin Griffiths expôs aos membros do Conselho de Segurança dados revelando o aprofundamento da fome no país com a falta de fundos.

Pai e filho caminham por um campo de deslocados internos perto da cidade de Marib, no Iêmen
© PMA/Annabel Symington
Pai e filho caminham por um campo de deslocados internos perto da cidade de Marib, no Iêmen

 

Sobre evento para levantar financiamento, previsto para quarta-feira, a meta é  mitigar a situação. Ele anunciou que US$ 4,3 bilhões serão necessários para ajudar cerca de 17 milhões de pessoas.

Martin Griffiths afirmou que o encontro será uma oportunidade para mostrar que a comunidade internacional “não está desistindo do Iêmen, mesmo depois de todos esses anos, e com novas crises surgindo”.

Ele ainda destacou que novas avaliações nacionais confirmam que 23,4 milhões de pessoas agora precisam assistência em todo o país. O número representa cerca de três em cada quatro pessoas.

Diálogo e cessar-fogo

Sobre a escalada da violência, Griffiths afirmou que mesmo com vários apelos ao diálogo e ao cessar-fogo os confrontos persistem ao longo quase 50 linhas de frente. 

A Associação Jeel Albena fornece ajuda a deslocados do Iêmen.
Foto: © UNHCR/Abdulhakeem Obadi
A Associação Jeel Albena fornece ajuda a deslocados do Iêmen.

 

O chefe humanitário revelou que mais de 2,5 mil civis foram mortos ou ficaram feridos. Cerca de 300 mil pessoas fugiram de suas casas recentemente, o número de deslocados subiu para 4,3 milhões desde 2015.

Além de agradecer a ajuda dos países com fundos, ele destacou que o acesso às populações vulneráveis também tem sido um desafio para os funcionários das Nações Unidas. Dois deles  seguem presos desde novembro de 2021.

Griffiths terminou sua participação pedindo que o mundo não abandone o Iêmen. Ele afirmou que a ONU e seus membros devem continuar atuando para ajudar milhões de iemenitas que precisam. 

Idosa leva água para sua tenda em um campo de deslocados no norte do Iêmen, perto da fronteira com a Arábia Saudita
Ocha/Giles Clarke
Idosa leva água para sua tenda em um campo de deslocados no norte do Iêmen, perto da fronteira com a Arábia Saudita

 

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