Quase 2,4 bilhões de mulheres no mundo não têm mesmos direitos econômicos que homens
BR

7 março 2022

Estudo do Banco Mundial faz alerta e diz que apesar da pandemia, 23 países, incluindo Angola, melhoraram as leis para avançar a inclusão econômica das mulheres no ano passado.

Para 2,4 bilhões de mulheres no mundo, em idade produtiva, não existe igualdade de oportunidades com os homens na economia.

Pelo menos 178 países ainda mantêm barreiras legais que evitam a inteira participação econômica feminina no mercado de trabalho.

Angola

O alerta é do Banco Mundial, que publicou o relatório Mulheres, Negócios e a Lei 2022.

Em 86 nações, as mulheres têm algum tipo de restrição para alcançar direitos iguais. E 95 falham em dar garantias sobre pagamentos iguais para o mesmo trabalho feito por homens e mulheres.

Mas o Banco Mundial afirma que existe uma esperança de mudança pelo menos em 23 países, que no ano passado, conseguiram melhorar leis para avançar a inclusão econômica. Dentre eles, está a nação africana de língua portuguesa, Angola, que tornou um crime o assédio sexual no trabalho.

Vice-Presidente do Parlamento de Angola, Emília Carlota Dias
ONU News/Mayra Lopes
Vice-Presidente do Parlamento de Angola, Emília Carlota Dias

Paridade

A vice-presidente do Parlamento do país, Emília Carlota Dias, disse à ONU News, antes da divulgação do relatório, que os homens devem investir mais na parceria com as mulheres para o bem de todos.

“A situação da paridade vai trazer outros problemas, porque os homens vão achando que nunca vão conseguir porque têm que estar representadas as mulheres. Mas a nossa voz tem que ser ouvida. Nós temos exemplos de grandes mulheres e de heroínas.”

Em todo o mundo, as mulheres têm somente 75% dos direitos dados aos homens. Uma marca de 76,5 de uma possibilidade de 100, que seria a completa paridade.

Mulheres vendedoras de frutas e legumes em um mercado em La Paz, Bolívia
Unsplash/Lesly Derksen
Mulheres vendedoras de frutas e legumes em um mercado em La Paz, Bolívia

Casamento

A diretora de políticas de desenvolvimento e parcerias, Mari Pangestu, disse que apesar do progresso, o abismo entre mulheres e homens é de US$ 172 trilhões, quase o dobro do Produto Interno Bruto, PIB, mundial. Para ela, é preciso alcançar um desenvolvimento inclusivo e verde e os governos têm que apressar o ritmo das reformas legais para que as mulheres possam atingir o seu potencial.

O relatório do Banco Mundial mensura ainda leis e regulações em 190 países e oito áreas que impactam a participação econômica feminina, mobilidade, local de trabalho, pagamento, casamento, maternidade, empreendedorismo, ativos e aposentadorias. Esses dados dão uma clara ideia sobre o avanço nos direitos femininos.

Maioria dos desempregados são mulheres
OIT/Marcel Crozet
Maioria dos desempregados são mulheres

Licença maternidade e paternidade

Apenas 12 países, todos membros da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Europa, Ocde, têm paridade de gênero. Um piloto em 95 países examina aspectos como creche e empregos assalariados e se as leis são realmente postas em prática.

Muitas reformas focam em proteção de assédio sexual no trabalho, proibição da discriminação, aumento de férias pagas para novos pais e a remoção de restrições de trabalho para mulheres.

A vice-presidente e economista-chefe do Grupo Banco Mundial, Carmen Reinhart, afirmou que as mulheres não poderão alcançar igualdade no local de trabalho, se eles tiverem numa situação de desvantagem em casa.

Em todo o mundo, 118 países garantem 14 semanas de licença-maternidade. Mais da metade, 114, também pagam licença para os pais, mas a duração média é de uma semana.

 

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