ONU: número de refugiados da Ucrânia pode subir para 4 milhões nas próximas semanas
BR

28 fevereiro 2022

Chefe da agência para refugiados, Filippo Grandi, pede fim do conflito durante apresentação ao Conselho de Segurança, que analisa crise humanitária após ataques da Rússia; subsecretário-geral para Assistência Humanitária pede garantias para passagem de ajuda; Brasil diz que é hora de proteger os civis e cessar o conflito.

O Conselho de Segurança voltou a debater a crise na Ucrânia em menos de 24 horas. Nesta segunda-feira, os países-membros analisaram a situação humanitária após mais de 520 mil pessoas terem fugido da violência causada pela ofensiva da Rússia ao país.

A ONU disse estar planejando assistência para número de refugiados que pode subir para 4 milhões nas próximas semanas. 

Conselho de Segurança voltou a debater a crise na Ucrânia em menos de 24 horas
ONU/Loey Felipe
Conselho de Segurança voltou a debater a crise na Ucrânia em menos de 24 horas

Pontes destruídas

O primeiro a falar foi o coordenador para assistência humanitária da ONU, Martin Griffiths. Ele descreveu parte da destruição da infraestrutura causada pelos ataques, que começaram no último dia 23. 

O subsecretário-geral contou que as pontes estão sendo destruídas cortando o acesso para ajuda crítica aos civis. Os bombardeios em áreas urbanas estão causando um alto risco de impacto e sofrimento para os moradores. 

Griffiths contou que o número de deslocados internos é de 106 mil e que pode subir.
Já o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, informou que a agência está se preparando para atender 4 milhões de refugiados da Ucrânia pelas próximas semanas.

Bombardeio atingiu parquinho infantil em Kiev, capital da Ucrânia.
Foto: © UNICEF/Andrii Marienko/UNIAN
Bombardeio atingiu parquinho infantil em Kiev, capital da Ucrânia.

Regiões separatistas

Os ataques à Ucrânia começaram na madrugada de 24 de fevereiro, horário local. Mesmo antes da escalada da violência por forças russas, o país já contava com mais de 3 milhões de pessoas carentes de assistência humanitária por causa do conflito nas regiões separatistas de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia.

Griffiths disse que, nos últimos três dias, o movimento dos trabalhadores da ONU e outras agências humanitárias foi restringido e que ele não estava recebendo garantias claras de nenhuma das partes sobre segurança para os funcionários.

Famílias cruzam a fronteira com a Polônia após deixarem a Ucrânia.
Foto: © UNHCR/Chris Melzer
Famílias cruzam a fronteira com a Polônia após deixarem a Ucrânia.

Três meses

O subsecretário-geral afirmou que precisa de progresso em duas frentes: segurança de que o pessoal humanitário vai ser protegido, a partir de agora, mesmo em meio a combates. Ambos os lados devem garantir esta proteção segundo a lei humanitária internacional. O subsecretário-geral disse que a ONU precisa de mais recursos.

Na terça-feira, o chefe da ONU, António Guterres, vai lançar um apelo de emergência de três meses, e um segundo apelo para os refugiados.

Ele disse que nenhum país deve passar pelo que a Ucrânia está passando e que o conflito tem que terminar.

Pessoas esperam para embarcar em trem em Lviv, Ucrânia.
Foto: © UNICEF/Viktor Moskaliuk
Pessoas esperam para embarcar em trem em Lviv, Ucrânia.

US$ 40 milhões

O comissário para Refugiados, Filippo Grandi, também discursou na reunião do Conselho dizendo que se não houver um cessar-fogo imediato, os ucranianos vão continuar fugindo. 

Grandi reforçou o próprio apelo que fez ao órgão, há alguns meses, lembrando que os trabalhadores humanitários não podem manter a paz no mundo. Segundo ele, com milhões de ucranianos inocentes em bunkers, e a Europa sob a ameaça de uma guerra, é necessário cessar a violência.

Segundo ele, a onda de refugiados será uma pressão sobre os países anfitriões que precisarão de apoio para lidar com a situação. Pelo menos US$ 40 milhões foram doados ao Acnur por indivíduos. 

Escola abandonada após ataque em Donetsk, Ucrânia.
Foto: © UNICEF/Ashley Gilbertson
Escola abandonada após ataque em Donetsk, Ucrânia.

Brasil

Após a apresentação de Griffiths e Grandi, os embaixadores do Conselho de Segurança assumiram a palavra incluindo o representante do Brasil e vice-chefe da Missão do país na ONU, o embaixador João Genésio de Almeida Filho. 

O embaixador lembrou que não importa mais como a guerra começou, e que a urgência agora era proteger os civis da crise humanitária. Para ele, o mínimo que se poderia fazer era contribuir para cessar o conflito imediatamente. 

De Almeida Filho destacou que quanto maior a escalada, mais alto será o nível de sofrimento humano. Ele disse que as sanções impostas à Rússia afetariam as pessoas e que o fornecimento de armas à Ucrânia só agravaria o conflito.

O embaixador do Brasil ressaltou ainda que qualquer uso de armas nucleares teria consequências humanitárias inaceitáveis para esta e futuras gerações.
 

 

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