Conselho de Segurança faz reunião de emergência para evitar “conflito real” na Ucrânia BR

Nações Unidas revelaram que 51 mil pessoas foram evacuadas através das seis passagens seguras
Foto: UN Photo/Loey Felipe
Nações Unidas revelaram que 51 mil pessoas foram evacuadas através das seis passagens seguras

Conselho de Segurança faz reunião de emergência para evitar “conflito real” na Ucrânia

Paz e segurança

Subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e Consolidação da Paz participou do encontro na segunda-feira à noite; Rosemary DiCarlo diz que decisão da Rússia de reconhecer independência de Donetsk e Luhansk viola integridade territorial e soberania da Ucrânia. 

Demonstrando “grande preocupação e tristeza”, a subsecretária-geral da ONU para Asuntos Políticos e Consolidação da Paz abriu a reunião de emergência do Conselho de Segurança, na noite de segunda-feira, para discutir a “situação perigosa que se desenrola na Ucrânia.” 

O encontro ocorreu no fim da noite de segunda-feira, horas após o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmar que reconhecia duas regiões do leste da Ucrânia como “Estados independentes” e enviar tropas para essas áreas. 

Milhares de violações de cessar-fogo  

Rosemary DiCarlo é subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e Consolidação da Paz.
Foto ONU: Eskinder Debebe
Rosemary DiCarlo é subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e Consolidação da Paz.

 Rosemary DiCarlo declarou que “o risco de um grande conflito é real e precisa ser evitado a todo custo e pediu o fim de todas as hostilidades. Ela lembrou que a decisão da Rússia em reconhecer a independência das regiões de Donetsk e Luhansk “viola a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, podendo gerar repercussões globais”. 

DiCarlo também lamentou o envio de tropas russas para o leste da Ucrânia e a decisão de se pedir uma “evacuação em massa de civis residentes em Donetsk e Luhansk para a Federação Russa”.  

Ela demonstrou ainda preocupação com a escalada do conflito na linha de contato. 

Ela citou dados da Missão de Monitoramento da Organização para Segurança e Cooperação na Europa, que registrou 3,231 violações de cessar-fogo na área de Donbas entre os dias 18 e 20 de fevereiro; 1,073 violações de cessar-fogo, incluindo 926 explosões em Luhansk e 2,158 violações de cessar-fogo, incluindo 1,1 mil explosões em Donetsk.  

Apelo ao fim das hostilidades  

Pessoas caminham do lado de fora de um prédio residencial destruído por bombardeios em Marinka, Donetsk Oblast, Ucrânia.
© Unicef/Ashley Gilbertson
Pessoas caminham do lado de fora de um prédio residencial destruído por bombardeios em Marinka, Donetsk Oblast, Ucrânia.

Rosemary DiCarlo declarou que “todas as partes envolvidas têm responsabilidades perante a lei humanitária internacional e a lei de direitos humanos”. Segundo ela, a situação atual na região terá possivelmente impactos nos trabalhos de negociação “com os atuais riscos e incertezas, é ainda mais importante buscar o diálogo”, lembrando que “a negociação é o único caminho para tratar as diferenças” e pediu a todos os envolvidos mais esforços para o fim imediato das agressões. 

No Conselho de Segurança, DiCarlo lembrou o compromisso da organização com a Ucrânia, um dos países fundadores das Nações Unidas, sendo que o país continua buscando a reforma da agenda democrática 30 anos após a independência.  

A subsecretária-geral da ONU garantiu que a ONU continua comprometida em manter sua presença e operações na Ucrânia, incluindo nas regiões de Donetsk e Luhansk e lembrou que a segurança de todos os funcionários precisa ser respeitados por todos os lados.  

Embaixadores da Ucrânia e da Rússia  

Embaixador permanente da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya.
foto: UN WebTV
Embaixador permanente da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya.

DiCarlo afirma que os próximos dias serão críticos, garantindo que o secretário-geral António Guterres continuará trabalhando para uma resolução da crise atual. 

O embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, também participou da reunião de emergência do Conselho de Segurança e declarou que “a Rússia é um vírus por provocar a guerra e o caos há oito anos”, ao se referir à crise da Crimeia, em 2014, e que deu origem aos Acordos de Minsk, e a resolução 2202 do Conselho de Segurança no ano seguinte. 

O embaixador ucraniano disse que as fronteiras internacionalmente reconhecidas da Ucrânia continuarão sem nenhuma mudança “apesar de qualquer declaração ou ação da Rússia” e acrescentou: “Estamos na nossa terra. Não devemos nada a ninguém. E não iremos dar nada a ninguém. Não temos medo de nada, nem de ninguém.” 

Já o embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, afirmou que não iria reagir, optando por concentrar seus esforços em “como evitar a guerra”. Ele informou os países-membros que segundo “acordos assinados pelas Repúblicas do Povo de Luhansk e Donetsk, a função de manter a paz nos seus territórios será tomada pelas Forças Armadas da Federação Russa”.  

Nebenzya alertou aos países do Ocidente para “colocarem de lado suas emoções e não fazer a situação ficar ainda pior.” 

O Conselho de Segurança ouviu ainda a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield. Segundo ela, a decisão do presidente russo Vladimir Putin “de criar um pretexto para invadir a Ucrânia” poderá ter consequências para além das fronteiras.  

Segundo ela, os Estados Unidos tomarão medidas contra a Rússia, por uma “clara violação da lei internacional” e afirmou que a resposta será “severa” no caso de haver mesmo uma invasão.  

Direitos Humanos  

A situação na região será tema de uma reunião da Assembleia Geral da ONU na quarta-feira. O presidente do órgão, Abdulla Shahid, pede a todos os lados para “intensificarem negociações e mudar a trajetória atual por meio do diálogo”. Segundo ele, o total compromisso com a Carta da ONU, seus propósitos e princípios é o único caminho para garantir a paz duradoura.” 

Em outra nota, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos diz que está monitorando a situação e fez um apelo, nesta terça-feira, para “a prevenção da escalada do conflito, para se evitar incidentes envolvendo civis e destruição de infraestrutura civis”.  

Segundo Michelle Bachelet, todos os lados precisam parar as agressões e criar o caminho para o diálogo, ao invés de promover mais violência.