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Agências da ONU lançam guia para garantir proteção dos trabalhadores de saúde BR

Jeanne Lusungu, uma enfermeira de Goma, posa para uma fotografia no hospital provincial de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo.
© UNICEF/Arlette Bashizi Enfermeira na República Democrática do Congo durante campanha de vacinação contra a Covid-19

Agências da ONU lançam guia para garantir proteção dos trabalhadores de saúde

Saúde

OMS e OIT lembram que mesmo antes da pandemia, profissionais do setor já corriam maior risco com infecções, doenças musculares, assédio e síndrome do esgotamento; menos de um entre seis países tem políticas nacionais sobre segurança de trabalho na saúde.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, e a Organização Internacional do Trabalho, OIT, publicaram nesta segunda-feira um guia com orientações para garantir a segurança no trabalho para os profissionais de saúde, que estão sentido uma grande pressão desde o surgimento da Covid-19.

Mesmo antes da pandemia, o setor era um dos mais perigosos para se trabalhar, afirma a diretora do Departamento de Meio Ambiente e Saúde da OMS, Maria Neira.

Mulher de costas para a câmera, sentada em uma poltrona perto de uma janela.
Unsplash/Dmitry Schemelev Saúde mental dos profissionais de saúde da América Latina foi afetada de forma muito negativa após a pandemia.

Faltam políticas nacionais

A especialista explica que os profissionais de saúde já sofriam com maiores riscos de infecções, de lesões muscoesqueléticas, violência e assédio, esgotamento e alergias, tudo devido às baixas condições no ambiente de trabalho.

Segundo as agências, mais de um entre três centros de saúde não têm estações de higienização e menos de um em cada seis países tem uma política nacional sobre saúde e ambiente de trabalho seguro no setor da saúde.

Já o  diretor do Departamento da Força de Trabalho da Saúde da OMS, James Campbell, afirma que a “Covid-19 expôs o custo da falta sistêmica de garantias de segurança e de saúde para os profissionais do setor.”

Um profissional de saúde com EPI caminha entre leitos hospitalares em uma ala temporária para COVID-19.
UnicefF/Amarjeet Singh Para homenagear as vítimas, Guterres pede apoio para os profissionais de saúde que lutam contra o vírus

Como garantir proteção

Campbell lembra que nos primeiros 18 meses de pandemia, 115,5 mil trabalhadores de saúde morreram de Covid-19. Faltas por doença e exaustão apenas pioraram a capacidade do sistema em responder à demanda maior de cuidados e de prevenção durante a crise.

O novo guia da OMS e da OIT fornece recomendações sobre como proteger médicos, enfermeiros e outros profissionais do setor. Uma das indicações é para que sejam implementados programas de segurança e saúde no trabalho em centros de saúde a nível local e nacional, cobrindo todos os riscos: de infecções, psicossocial, físico, ergonômico etc.

A proposta apresentada pela OMS e OIT destaca que governos, empregados e até os trabalhadores têm um papel central em promover e proteger a saúde, a segurança e o bem estar dos profissionais de saúde.

Treinamentos

Investimento constante, treinamentos, monitoramento e colaboração são essenciais para o progresso sustentável na implementação desses programas.

A diretora do Departamento de Políticas Setoriais da OIT, Alette van Leur, explica que “mecanismos eficazes precisam ser colocados em prática para garantir a colaboração entre empregadores, gerentes e trabalhadores, com a meta de garantir a saúde e a segurança no ambiente profissional”.

Ela lembra que trabalhadores de saúde “têm o direito ao trabalho decente, a um ambiente seguro e à proteção social, além de estarem protegidos no caso de ficarem doentes ou lesionados.”