Haiti numa “encruzilhada” ao entrar na fase de reconstrução após terremoto
Opinião é da vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, está na capital Porto Príncipe e participou de evento do governo de angariação de fundos; ela ressaltou a resiliência do povo haitiano, que “nunca desiste”.
Seis meses depois de um terremoto destruir o sudoeste do Haiti, o país está “numa encruzilhada”, de acordo com a vice-secretária-geral das Nações Unidas. Amina Mohammed falou nesta quarta-feira durante um evento internacional promovido pelo governo haitiano na capital Porto Príncipe.
O objetivo do encontro foi buscar financiamento internacional para os esforços de reconstrução e de recuperação da região após o desastre natural ocorrido em agosto. Mohammed chegou a visitar a área logo depois do terremoto.
Resiliência
Durante a conferência, a vice-chefe da ONU declarou que “não é hora de desistir porque o povo do Haiti nunca desiste”. Ela relembrou que por várias vezes, “eles lamentam suas perdas, erguem-se e retomam suas vidas”.
Amina Mohammed afirmou que novamente o país está numa encruzilhada e “anos de investimento em estabilidade e desenvolvimento precisam ser protegidos”, com as instituições nacionais prontas para liderar o caminho.
Mais de 2,2 mil pessoas morreram e quase 13 mil ficaram feridas com o sismo, que causou diversos danos à infraestrutura. A destruição atingiu 137 mil casas e 1.250 mil escolas, prejudicando o ensino para 300 mil alunos.
Mais de 95 hospitais e centros de saúde foram afetados, além de rodovias e pontes, complicando os trabalhos de resposta na zona atingida pelo abalo sísmico.
US$ 2 bilhões
De acordo com o governo do Haiti serão necessários US$ 2 bilhões para reparar os danos. 1Mais da metade do dinheiro será utilizado para reconstruir casas e US$ 400 milhões vão para o setor da educação. Já os serviços de saúde precisam de US$ 40 milhões e US$ 55 milhões serão destinados para iniciativas de segurança alimentar.
Os setores agrícola, de comércio e indústria, além de projetos ambientais também serão contemplados com a assistência financeira. No evento, o primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, declarou que todas as pessoas serão incluídas nos trabalhos.
Segundo o chefe de governo, “algumas comunidades foram mais afetadas do que outras, sofrendo mais perdas e danos, mas o plano de recuperação inclui todas as regiões afetadas de forma direta ou indireta”.
Migração
Quando o terremoto aconteceu, o Haiti já estava enfrentando uma crise política e de segurança. A economia também começou a sofrer no fim do ano passado com gangues armadas que bloquearam entregas de petróleo ao país.
A ilha caribenha continua bastante exposta e vulnerável a terremotos, enchentes e secas, além de outras consequências da mudança climática. Em 2010, o país já tinha sido atingido por um terremoto que matou 220 mil pessoas, sendo um dos piores desastres naturais da história recente.
A vice-chefe da ONU destacou ainda que “a falta de investimento adequado na reconstrução irá prejudicar ainda mais as populações vulneráveis, que poderão ficar sem meios de subsistência”.
Amina Mohammed prevê que a migração interna irá aumentar, com pessoas indo para Porto Príncipe, “sendo que a capital já enfrenta grandes desafios econômicos e sociais e altos índices de violência”. Outra consequência será o aumento da migração externa, com os haitianos buscando oportunidades em outros países.