Inovação pode tornar pecuária aliada na redução de emissão de gases de efeito estufa
BR

14 fevereiro 2022

Atividade pecuária é apontada, muitas vezes, como uma das grandes responsáveis pela mudança climática. Em entrevista à ONU News, de Roma, o diretor do Escritório de Mudanças Climaticas, Biodiversidade e Meio Amiente da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Eduardo Mansur diz que inovações previstas para o setor podem contribuir com a redução da emissão de metano, importante gás de efeito estufa, e evitar o aumento da temperatura global em até 0,2ºC.

Emissões de metano, liberadas em diversos sistemas de produção agrícola, especialmente na pecuária, são até 28 vezes mais nocivas ao meio ambiente quando comparado com outros gases de efeito estufa.

O alerta do diretor do Escritório de Mudanças Climaticas, Biodiversidade e Meio Amiente da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Eduardo Mansur disse à ONU News, de Roma, que inovações e acordos, firmados na Conferência sobre Mudança Climática, COP26, no ano passado, podem reverter esse cenário.

Produção sustentável

“40% das emissões de metano que temos saem do setor agrário. Portanto, o desafio que nós temos é ter tecnologias para diminuição das emissões. A boa notícia é que elas existem, para ter uma atividade pecuária de baixo impacto de carbono com uma alimentação que diminua a fermentação entérica de ruminantes, para ter uma produção de arroz em áreas cobertas de água que tenham baixa fermentação e baixa emissão de metano. A redução dentro de uma gestão sustentável do adubo orgânico, incluindo o aproveitamento da fermentação para produção de energia renovável”

O diretor da FAO destacou uma aliança proposta pela União Europeia e Estados Unidos durante a COP26, em Glasgow, na Escócia. O objetivo é reduzir a emissão do gás em 30% até 2030, tanto na criação de gado quanto em outras atividades, como na plantação de arroz em áreas alagadas.

O Compromisso Mundial do Metano já tem a adesão de mais de 100 países, incluindo os principais emissores, como Brasil e México. Segundo dados, o cumprimento do acordo ajudaria a reduzir o aquecimento global em até 0,2ºC até 2050.

Plantação de arroz nas Filipinas.
Foto: © FAO/Lena Gubler
Plantação de arroz nas Filipinas.

Adaptação para pequenos produtores

Com mais nações firmando esse compromisso, o desafio é a extensiva implementação das tecnologias, especialmente em países em desenvolvimento, onde a prioridade de pequenos produtores é garantir formas de adaptação aos crescentes desafios com o aquecimento global.

“Nos faltam mecanismos de disseminação de larga escala. O pequeno produtor já trabalha com uma margem de risco muito grande, aumentar riscos em novas tecnologias tem que haver uma compensação, alguma garantia, para que pequenos produtores também participem desse processo de luta contra as mudanças climáticas e produção de baixo impacto. O pequeno produtor, sobretudo em países em desenvolvimento, tem outra preocupação: como se adaptar as condições de mudanças climáticas. Os países vulneráveis necessitam ter apoio para se adaptar a essas condições porque a mudança climática é inevitável, estão acontecendo numa velocidade que estamos vivendo essas mudanças.”

De acordo com Eduardo Mansur, a atividade agrária é responsável por pelo menos um terço das emissões de gases - o metano corresponde por cerca de 40%. Por isso, ele afirma que o setor precisa agir como parte da solução. Mansur também pontua que os fenômenos climáticos impactam diretamente na produtividade e é de interesse da área que sejam mitigados.

O diretor da FAO ressalta que os últimos anos tem batidos recordes nas oscilações de temperatura, desafiando a agricultura em diversos países. Além da pior seca em anos na região do Chifre da África, Mansur afirma que Portugal também observa falta de chuvas, que prejudicam a produção local.

 

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