Ajuda humanitária chega aos refugiados em Tigray, após semanas de acesso interrompido
BR

21 janeiro 2022

Acnur afirma que refugiados da Eritreia estavam assustados e sem suprimentos básicos, como comida, água e remédios; Nações Unidas pede que partes do conflito garantam a segurança da realocação de 25 mil pessoas; representante afirma que ajuda urgente é necessária para salvar vidas.

Pela primeira vez em semanas, equipes de ajuda humanitária das Nações Unidas chegaram a campos de refugiados na região de Tigray, na Etiópia. Após ataques aéreos na região, o acesso havia sido interrompido por questões de segurança.

Segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, mais de 20 pessoas morreram nas últimas seis semanas por falta de remédios. 

Desde novembro de 2020, crise no norte da Etiópia resultou em milhões de pessoas que precisam de assistência e proteção de emergência
© UNICEF/Christine Nesbitt
Desde novembro de 2020, crise no norte da Etiópia resultou em milhões de pessoas que precisam de assistência e proteção de emergência

Refugiados

Os relatos ainda apontam que muitos refugiados estão com “medo e lutando para conseguir comer”.

Os mais de 25 mil refugiados que vivem em dois campos em Tigray devem ser realocados para a região vizinha de Amara. O Acnur pediu para que todas as partes em conflito permitam que a transferência aconteça de forma segura.

Segundo o porta voz da agência, Boris Cheshirkov, após três semanas sem acesso à região, os funcionários conseguiram chegar aos campos de refugiados no início desta semana. 

Ele relatou que a equipe encontrou refugiados assustados e sem comida, remédios e com pouco ou nenhum acesso a água potável. 

De acordo com o Acnur, a única fonte de água é dos córregos, que estão secando rapidamente e deixando as pessoas expostas a doenças transmitidas pela água.

Falta de suprimentos

O trabalho dos agentes foi prejudicado pela falta de combustível, impedindo que a água limpa fosse bombeada ou transportada para os campos. 

Cheshirkov adicionou que, apesar dos esforços conjuntos, a completa incapacidade de transportar suprimentos para a região significa que a fome extrema é uma preocupação crescente. 

O porta-voz também afirmou que com a comida acabando no campo e sem estoques adicionais disponíveis para distribuição, os refugiados recorreram à venda de suas roupas e poucos pertences para comer.

Ele afirmou que “mais refugiados morrerão” se alimentos, remédios, combustível e outros suprimentos não chegarem imediatamente e se eles não forem realocados fora de perigo.

O porta-voz do Acnur insistiu que os refugiados “não devem ser reféns” dos combates, reforçando o apelo da ONU para que todas as partes do conflito na Etiópia protejam os civis e respeitem os direitos humanos e as liberdades fundamentais de todos. 

Refugiados etíopes, fugindo de confrontos na região norte do país de Tigray, cruzam a fronteira com Hamdayet, Sudão, sobre o rio Tekeze
©Acnur/Hazim Elhag
Refugiados etíopes, fugindo de confrontos na região norte do país de Tigray, cruzam a fronteira com Hamdayet, Sudão, sobre o rio Tekeze

Desespero

Cheshirkov afirmou ainda que a situação desesperadora nesses campos é um exemplo claro do impacto da falta de acesso e suprimentos que afeta milhões de pessoas deslocadas e outros civis em toda a região.

O agravamento da situação ocorre ao mesmo tempo que o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, alertou que a distribuição de alimentos em Tigray está em seu “mais baixo de todos os tempos”.

Os estoques de alimentos e combustível estão quase totalmente esgotados. Apenas 10 mil pessoas receberam assistência entre 6 e 12 de janeiro, uma pequena parcela dos 9,4 milhões que precisam de ajuda, nas regiões de Tigray, Afar e Amhara. Nos últimos quatro meses, houve um número de 2,7 milhões de necessitados. 
 

 

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