Portugal tem metade das 24 reservas da biosfera em países de língua portuguesa
BR

31 dezembro 2021

Em busca de mais investimento para proteção e recuperação de reservas de biodiversidade, Unesco marcou 50 anos do programa “o homem e a biosfera”; iniciativa foi pioneira para preservação de áreas de natureza; neste ano, agência celebrou criação de fundo para biodiversidade na COP15. 

Em celebração aos 50 anos do programa “o homem e a biosfera”, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, promoveu durante todo o ano uma série de iniciativas em busca de mais engajamento para proteger uma área de natureza equivalente ao tamanho da China. 

São 714 reservas da biosfera, 161 geoparques e 252 sítios do Patrimônio Natural reconhecidos pela Unesco, que representam 6% da superfície do planeta. Iniciado em 1971, o programa foi pioneiro em traçar ações para preservação da biodiversidade. 

Uma onça-pintada saindo da floresta, no Pantanal, Brasil.
© UNESCO/M & G Therin-Weise
Uma onça-pintada saindo da floresta, no Pantanal, Brasil.

Lusofonia 

Os países de língua portuguesa reúnem 24 áreas de reservas reconhecidas pela Unesco. Alguns desses sítios são destinos de turismo e todos reúnem uma larga diversidade de fauna e flora.  

Portugal é o país que mais possui reservas, com 12 áreas protegidas. Porto Santo, localizado no arquipélago da Madeira, foi o último a ingressar na lista, em 2020. De acordo com a Unesco, 15 tipos de flora encontradas só existem nesta reserva.  

O local também é a casa da foca mais rara do mundo, a foca-monge do Mediterrâneo, e a tartaruga marinha cabeçuda.  

Sua biodiversidade marinha segue sendo estudada. O turismo é o setor econômico mais importante da ilha, com sua população quadruplicando durante a alta temporada.  

Em 2022,  Portugal deve abrigar a 2ª Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, pedindo mais compromissos da comunidade internacional para lidar com as ameaças atuais. 

Proteção da biodiversidade é o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano.
Sibbr/José Sabino
Proteção da biodiversidade é o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano.

Brasil 

Já o Brasil reúne sete reservas, entre elas a Mata Atlântica. Ao lado do Cerrado, esses locais fazem parte da lista da Unesco desde 1993. Como parte das celebrações, a agência entrevistou o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que recuperou uma área de Mata Atlântica e fundou o Instituto Terra.  

Falando em francês, Salgado conta que hoje, existem um pouco mais de três milhões de árvores, uma floresta recuperada e toda a biodiversidade. Até a onça pintada, espécie ameaçada na Mata Atlântica, está retornando.  

Ele lembra que descobriu muitas coisas, como uma sequência lógica para plantar árvores, já que as primeiras a serem plantadas precisam ser bem escolhidas.  

Apenas 10% da vegetação original da Mata Atlântica foi mantida. A biosfera corta 17 estados brasileiros, com uma extensão de 3 mil quilômetros. Fica apenas atrás da área Amazônica, importante reserva brasileira. 

A mais recente biosfera a entrar nessa lista, em 2017, é o cinturão verde nos arredores de São Paulo, a maior cidade do país.  

A inclusão tem o objetivo de fortalecer a preservação de inúmeros serviços ambientais do local, que garantem fontes seguras de água, estabilizam o clima e filtram o ar poluído. 

África 

Cabo Verde possui duas áreas de reserva: Fogo e Maio. As duas entraram na lista em 2020. Fogo é a mais jovem e única ilha com atividade vulcânica no sul do arquipélago e seu ponto mais alto tem 2.829 metros.  

Já Maio é uma reserva principalmente marinha e o lar de várias espécies de tartarugas, peixes, aves e répteis.  

Um dos locais mais áridos de Cabo Verde, Maio possui belas praias que têm atraído um número crescente de turistas nos últimos anos. A maior parte da população da ilha, de cerca de 7 mil habitantes, vive da produção de milho, feijão, melão e sal, bem como do turismo. 

Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau contam com uma reserva em seus territórios. Os países africanos aumentam a lista de 86 áreas de preservação no continente. Elas reúnem diversidade em espécies da fauna e da flora. 

Quirimbas, área de proteção moçambicana composta por 11 ilhas, é chamada pela Unesco de “santuário de pássaros”. O local abriga 3 mil espécies florais e uma rica fauna, incluindo elefantes, leões, búfalos e leopardos. 

A Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe e o arquipélago Boloma Bijagós, na Guiné-Bissau, também são reservas reconhecidas pela Unesco. 

Reserva Quirimbas em Moçambique.
Unesco/Reserva da Biosfera das Quirimbas, Moçambique
Reserva Quirimbas em Moçambique.

Financiamento 

Além das importantes discussões sobre o clima neste ano, durante a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP26, a 15ª Convenção de Diversidade Biológica, COP15, adotou a Declaração de Kunming. 

A criação de um fundo para biodiversidade deve possibilitar a implementação de ações para proteção e recuperação de ecossistemas.  

O governo chinês se comprometeu com ¥ 1,5 bilhão, aproximadamente US$ 230 milhões.  

Outros países foram convidados a contribuir e o Japão anunciou a ampliação de seu Fundo de Biodiversidade em aproximadamente US$ 17 milhões. 

União Europeia, Reino Unido e uma coalizão de instituições financeiras também se comprometeram em proteger e restaurar a biodiversidade por meio de suas atividades e investimentos. 

 

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