Nações Unidas condenam ataques que mataram dezenas de pessoas em Mianmar BR

Yangon, Mianmar.
Unsplash/Alexander Schimmeck
Yangon, Mianmar.

Nações Unidas condenam ataques que mataram dezenas de pessoas em Mianmar

Paz e segurança

Enviada especial para o país está muito preocupada com a escalada da violência, que já desabrigou milhares de famílias; somente na sexta-feira, um ataque matou 35 civis, incluindo uma criança. 

A enviada especial do secretário-geral da ONU para Mianmar está profundamente preocupada com a continuação da escalada da violência no estado de Kayin e em outras regiões do país do sudeste asiático. 

Num comunicado, Noeleen Heyzer menciona o deslocamento de centenas de milhares de civis, incluindo mulheres e crianças. Muitos estão buscando refúgio nas fronteiras, enquanto outros seguem desalojados no próprio território.  

Apelo por cessar-fogo  

Noeleen Heyzer é atualmente enviada especial para Mianmar.
Foto: UNESCAP
Noeleen Heyzer é atualmente enviada especial para Mianmar.

Mianmar foi alvo de um golpe de Estado pela junta militar, em fevereiro, que colocou integrantes do governo democraticamente eleito na prisão incluindo a vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi. 

Segundo Heyzer, a população de Mianmar “já sofreu de forma tremenda e as situações socioeconômica e humanitária se agravam com a pandemia de Covid-19”.  

Ela pede a todos que “estão causando sofrimento ao próprio povo para que baixem suas armas e protejam a população num momento de grandes necessidades”. A enviada especial lembra que “o futuro das crianças de Mianmar depende disso”. 

Ela também apela por um cessar-fogo de Ano Novo em todo o país. Na sexta-feira, véspera de Natal, 35 pessoas foram mortas num ataque, incluindo uma criança. Segundo relatos, os civis foram forçados a sair de seus carros, assassinados e queimados.  

Pedido de investigação 

Criança desalojada no estado de Kachin, Mianmar.
Foto: OCHA/P. Peron
Criança desalojada no estado de Kachin, Mianmar.

Dois funcionários da ONG Save the Children continuam desaparecidos, sendo que seus veículos privados teriam sido alvo do ataque e incendiados. No domingo, o chefe de Assuntos Humanitários da ONU declarou ter ficado “horrorizado” com a violência em Mianmar.  

Martin Griffiths condenou “o doloroso incidente e todos os ataques a civis no país”, lembrando que essas ações são “proibidas sob a lei humanitária internacional”.  

Ele fez um apelo ao governo de Mianmar, para iniciar, imediatamente, uma “investigação completa e transparente e assim, levar os responsáveis à justiça”.  

Griffiths também pediu ao Exército birmanês e a todos os grupos armados para tomarem as medidas necessárias para proteger os civis de qualquer perigo.  

O subsecretário-geral da ONU lembrou que milhões de pessoas em Mianmar precisam muito de ajuda humanitária e garantiu que a organização e parceiros continuam comprometidos em fornecer ajuda ao país.  

As Nações Unidas continuam monitorando a ação em Mianmar.