Mais haitianos correm risco em barcos buscando vida melhor no exterior     BR

OIM apoia instalação de pinturas murais com citações de migrantes alertando sobre os perigos
OIM
OIM apoia instalação de pinturas murais com citações de migrantes alertando sobre os perigos

Mais haitianos correm risco em barcos buscando vida melhor no exterior    

Migrantes e refugiados

Travessia ocorrem em embarcações superlotadas e pode custar até US$ 7 mil por pessoa; OIM dia que número de repatriações e capturas aumentou; agência promove migração segura em pontos de partida. 

O número de haitianos que tentam migrar de barco, de forma irregular, para os países vizinhos subiu bastante em 2021.  

A Organização Internacional para Migrações, OIM, desconhece o número real, mas cita pelo menos 224 pessoas interceptadas tentando migrar assim no ano passado.  De janeiro até agora, foram 605 casos, segundo a Guarda Costeira do Haiti. 

Terremoto  

As razões para deixar a ilha caribenha vão desde dificuldades econômicas, insegurança e até efeitos do terremoto deste ano.  

Os que se arriscam na viagem dizem que estão em busca de uma vida melhor. 

Migrantes desconhecem os riscos enfrentados ao fazerem a travessia marítima
OIM
Migrantes desconhecem os riscos enfrentados ao fazerem a travessia marítima

 

Como Jacques**, de 32 anos. Ele é um jovem pai e mora em Limonade, na costa norte do Haiti.    

Após uma tentativa fracassada de deixar o país, Jacques contou que “estava tentando chegar às Ilhas Turcas e Caicos, mas seu barco virou no mar. Ele lembra que se houvesse uma oportunidade de abrir um negócio, ele não teria por que sair do seu país.  

Esta é apenas uma das muitas histórias de haitianos que tentam migrar sem documentação. Muitos se lançam e barcos superlotados e sem condições de navegação. 

Estados Unidos  

A primeira parada são as Ilhas Turcas e Caicos e as Bahamas. De lá, alguns tentam seguir para o almejado destino final: os Estados Unidos. 

Em outubro, foram repatriados para o Haiti pelo menos 1.194 migrantes, na maioria homens, que queriam entrar em Miami, na Flórida. Mas o barco ficou sem combustível e teve problemas com o motor no sul de Cuba, onde todos foram presos. 

A responsável do Projeto da OIM para Assistência aos Migrantes, Claire Gaulin, disse haver um número crescente de migrantes do Haiti fazendo a perigosa jornada por mar na esperança de conseguir. 

No Haiti, milhares de pessoas ficaram deslojadas após o terremoto.
Foto: IOM/Monica Chiriac
No Haiti, milhares de pessoas ficaram deslojadas após o terremoto.

 

Ela afirma que eles são motivados por uma série de fatores, incluindo a insegurança, a falta de empregos e outras oportunidades na terra natal. Os haitianos citam a destruição de propriedades ou meios de subsistência após o terremoto.  

Futuro 

A representante contou que a OIM atua no terreno, não para impedir que os migrantes deixem seu país por barco ou outro meio, mas para promover uma migração segura, ordenada regular. 

Os casos de migrantes interceptados no mar ou repatriados de outros países não são os piores.  Muitos morrem na viagem pelo mar, um fenômeno frequente. Os casos mais comuns são de pessoas vulneráveis ​​das áreas rurais. 

Muitos vendem tudo o que têm ou recorrem a empréstimos de agiotas com altas taxas de reembolso para arcar o custo da travessia em torno de US$ 350 ou US$ 700 dependendo do tipo de barco e destino. O valor cobrado pode oscilar entre US$ 5 mil e US$ 7 mil. 

No Haiti, a OIM atua com parceiros para ajudar os migrantes a retornar à casa. Na chegada, eles recebem comida, água e assistência médica, psicológica e jurídica. 

Travessia 

É oferecido ainda dinheiro para cobrir a viagem de regresso. Foi criada uma linha direta da OIM para informações. 

O Haiti enfrenta uma combinação de crises política, social e humanitária
Foto: © UNICEF/Georges Harry Rouzier
O Haiti enfrenta uma combinação de crises política, social e humanitária

Muitos migrantes desconhecem os riscos enfrentados ao fazerem a travessia marítima.  

 

Em pontos de partida para o exterior, como em Balan, a OIM apoiou a instalação de pinturas murais com citações de migrantes alertando sobre os perigos. 

Muitos deles dizem que não pretendem deixar o país para sempre, mas retornarão assim que conseguirem economizar dinheiro ou enviá-lo para casa em forma de remessa para melhorar as condições de vida de suas famílias. 

Claire Gaulin considera que para evitar que os migrantes arrisquem suas vidas seja fundamental oferecer oportunidades de trabalho no Haiti e garantir a melhora das condições de vida e do acesso aos serviços básicos. 

*Com reportagem de Daniel Dickinson, de Porto Príncipe para a ONU News.  

**Nome fictício.