Disparidade de rendimento entre ricos e pobres aumenta na África, alerta Unctad 
BR

10 dezembro 2021

Agência da ONU promete apoiar governos e parceiros na expansão da zona de comércio livre com maior inclusão; análise inclui Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tome e Príncipe.

As Nações Unidas publicaram um novo relatório destacando que em 17 dos 49 países africanos ocorreu um crescimento inclusivo.

O Relatório de Desenvolvimento Econômico em África 2021 revela que outras 14   nações carecem de inclusão. Houve ainda um acréscimo da desigualdade. 

Lusófonos 

Uma alta nos índices de pobreza e queda no crescimento inclusivo ocorreram em Angola. No país de língua portuguesa, no sul do continente, a pobreza aumentou. 

Já Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe cresceram sem inclusão piorando assim a situação dos mais pobres.

Potencial inexplorado na exportação pode variar muito
Irin/Daniel Hayduk
Potencial inexplorado na exportação pode variar muito

 

No total, em 18 dos Estados monitorados, o crescimento levou à redução da pobreza, mas aumentou desigualdade, tal como em Moçambique.

A Conferência da ONU sobre o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, lembra que nos anos 2000, houve um crescimento na África, mas sem melhorias para a maioria dos africanos. A diferença de renda entre ricos e pobres aumentou na região.

Riqueza

Cerca de 34% das famílias africanas vivem abaixo da linha de pobreza de US$ 1,90 por dia. E 40% da riqueza total pertencem a cerca de 0.1% da população do continente.

Na pandemia, e com as fronteiras fechadas, as desigualdades e vulnerabilidades de grupos marginalizados lançaram 37 milhões de africanos subsaarianos na extrema pobreza. 

Um maior volume do comércio internacional, melhor eficiência, apoio à expansão de tecnologias e redistribuição da riqueza são algumas das sugestões da Unctad.

Exportações africanas 

O comércio interafricano corresponde a 14,4% do total das exportações do continente.

Cerca de 34% das famílias africanas vivem abaixo da linha de pobreza de US$ 1,90 por dia.
Uncdf
Cerca de 34% das famílias africanas vivem abaixo da linha de pobreza de US$ 1,90 por dia.

 

O potencial inexplorado de exportação da África chega a US$ 21,9 bilhões, ou 43% das exportações dentro de economias africanas, com um adicional de US$ 9,2 bilhões com a liberalização tarifária parcial no âmbito do Zona de Livre Comércio Africana nos próximos cinco anos. 

Dentre os lusófonos, e apesar de o potencial inexplorado na exportação variar muito, Cabo Verde estaria em mais vantagem com 86%. 

O arquipélago estaria entre os maiores exportadores que mais beneficiariam da liberalização, juntamente com São Tomé e Príncipe.

O Relatório de Desenvolvimento Econômico em África 2021 considera essencial que haja cooperação de longo prazo em políticas de investimento e concorrência.

No documento, a secretária-geral da Unctad, Rebeca Gryspan, disse a agência apoiará os governos africanos e os parceiros de desenvolvimento para melhor alavancar a zona de livre comércio para combater a pobreza e a desigualdade e garantir ganhos mais inclusivos.
 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud