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OMS diz que Covid-19 causou ainda mais mortes por malária em 2020 BR

Um agente comunitário de saúde no Chade realiza um teste de malária em um bebê enquanto a mãe observa, em casa, na aldeia de Bidjir.
© Unicef/Frank Dejongh Bebê é testado para malária em um vilarejo no Chade, na África

OMS diz que Covid-19 causou ainda mais mortes por malária em 2020

Saúde

Organização Mundial da Saúde afirma que muitos serviços de saúde e atendimento a pacientes com malária foram interrompidos por causa da pandemia; número de casos e mortes também aumentou.

O Relatório Mundial sobre Malária da OMS revela que foram registrados, no ano passado, 241 milhões de casos da doença e 627 mil mortes. Os números representam cerca de 14 milhões a mais de notificações e 69 mil óbitos, se comparados com as taxas de 2019.

A agência da ONU afirmou que a pandemia está por trás de 47 mil mortes adicionais por causa da falta de prevenção e tratamento durante a crise global de saúde.

Uma profissional de saúde preenche um formulário de perfil de saúde infantil, um passaporte rosa para malária, sobre uma mesa de madeira.
PATH Profissional de saúde examina crianças em Mkaka, no Malauí, para determinar se elas são elegíveis para a vacina contra malária

Crianças

O diretor de Comunicação da Agência de Saúde Global, Unitaid, Maurício Cysne, de Genebra, falou à ONU News sobre o peso da doença para as crianças.

“70% dessas, crianças de menos de 5 anos, maioritariamente em África. A Unitaid tem investido muitos recursos em encontrar soluções que previnem e que tratem a malária em mulheres e em crianças. Principalmente no caso das mulheres grávidas, que não podem receber um tratamento normal de malária. E nesse caso, em Moçambique, temos um projeto inovador, onde uma pílula por dia faz com que as mulheres se previnam da malária, salvando assim milhares de vidas. A Unitaid continua seu trabalho também na busca de uma vacina, que está agora em testes, também em Moçambique e outros países da região, esperando que em breve a malária seja uma doença tratável e prevenível.”

No ano passado, a taxa global de mortalidade da malária era de 15,3 óbitos por 100 mil pessoas sob risco. A meta era de 8,9 pessoas. E a situação tornou-se ainda pior. Nos primeiros dias da pandemia, a OMS havia projetado que o número de mortes por malária durante 2020 poderia dobrar.

Redução

Muitos países tomaram medidas urgentes. A África Subsaariana concentra o fardo mais pesado de malária com 95% de todos os casos e 96% de todas as mortes no ano passado. Cerca de 80% dos óbitos na região foram de crianças abaixo de cinco anos.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, lembrou que mesmo antes da Covid-19 os ganhos no combate à malária estavam estagnados. Por volta de 2017, havia avanços incluindo uma redução da incidência de casos de 27% e uma redução de quase 51% nos óbitos desde 2000.

Um trabalhador do sexo masculino aplica inseticida nas superfícies de um abrigo temporário recém-construído na Ilha de Car Nicobar, na Índia.
Unicef/Bagla Um trabalhador borrifa inseticida nas superfícies de um abrigo para controlar a propagação de mosquitos e diminuir o risco de malária

Tratamento

Desde a estratégia global de 2015, 24 países registraram aumento no número de mortes. Nas 11 nações com a maior taxa de malárias, os casos subiram de 150 milhões para 163 milhões em 2020, e o número de mortes passou de 390 mil para 444,6 mil.

A OMS recomenda melhorias no acesso aos serviços de saúde contra a doença com investimentos domésticos e internacionais. Testes baratos e a primeira vacina a ser recomendada pela agência, a RTS,S/AS01. Em outubro deste ano, a OMS fez a recomendação do medicamento para crianças que vivem na África Subsaariana.