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Relatores pedem libertação de jornalista que criticou China por surto de Covid BR

Profissionais de saúde com equipamentos de proteção individual colocam um paciente em uma maca dentro de uma ambulância em frente a um hospital.
Yun Liu Paciente de Covid-19 sendo socorrido Wuhan, na China, em abril de 2020

Relatores pedem libertação de jornalista que criticou China por surto de Covid

Direitos humanos

Zhang Zhan, que também é ativista de direitos da mulher, está com saúde debilitada após condenação a quatro anos de prisão por “criar contendas e provocar problemas”; especialistas dizem que autoridades são responsáveis pelo bem-estar da repórter, que entrou em greve de fome.

Um grupo de oito relatores* de direitos humanos pediu a libertação imediata de uma jornalista na China, por razões humanitárias, após afirmar que ela corre risco devido à saúde precária.

Zhang Zhan, que é jornalista cidadã, criticou a China após o surto de Covid-19, logo no início da pandemia no país asiático. Em maio do ano passado ela foi detida na cidade de Xangai e condenada a quatro anos de prisão.

Um pilar de pedra com placas referentes ao Palácio Wilson e ao Escritório do Alto Comissariado das ONU para os Direitos Humanos, com um portão de metal ornamentado e o edifício ao fundo.
Foto: ONU/ Jean-Marc Ferré Escritório de Direitos Humanos da ONU

Wuhan

Autoridades chinesas dizem que a jornalista “criou contendas e provocou problemas” ao publicar um vídeo criticando a forma como o governo chinês tratou o surgimento da pandemia. Ela também foi acusada de espalhar “informação falsa e provocar um sentimento negativo sobre a doença em Wuhan.”

No comunicado, os especialistas em direitos humanos disseram que a falha das autoridades de agir rapidamente e com eficiência pode ter consequências fatais para Zhang Zhan. Segundo eles, ela está com a saúde bem abalada e precisa de tratamento imediato.

O Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária emitiu uma opinião sobre o caso da jornalista em outubro deste ano pedindo a libertação.

Um homem puxa um carrinho carregado de bagagens por uma rua de pedestres em Wuhan, na China.
Chen Liang Cidade de Wuhan, na China, onde começou a pandemia em 2020

Greve de fome

Para eles, a prisão de Zhan e outros jornalistas cidadãos por falarem da Covid-19 em Wuhan, é profundamente perturbador e uma matéria de interesse público vital.

No comunicado, os relatores afirmam que as autoridades tentaram censurar a informação e retaliaram contra os que buscaram driblar esta censura para compartilhar informação sobre saúde pública.

Desde que foi detida, a jornalista começou uma greve de fome. Ela está sofrendo de má nutrição aguda, úlcera gástrica, edema avançado e impossibilidade de andar ou levantar a cabeça sem ajuda de outrem.

Em julho, ela foi levada para o hospital por 11 dias e amarrada à cama. Os relatores dizem que as autoridades da China têm o dever de cuida do bem-estar de Zhang Zhan enquanto ela estiver sob custódia do Estado.

Os relatores são nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos e vão permanecer em contato com a China sobre o tema.
 
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.