Relatores pedem libertação de jornalista que criticou China por surto de Covid
BR

22 novembro 2021

Zhang Zhan, que também é ativista de direitos da mulher, está com saúde debilitada após condenação a quatro anos de prisão por “criar contendas e provocar problemas”; especialistas dizem que autoridades são responsáveis pelo bem-estar da repórter, que entrou em greve de fome.

Um grupo de oito relatores* de direitos humanos pediu a libertação imediata de uma jornalista na China, por razões humanitárias, após afirmar que ela corre risco devido à saúde precária.

Zhang Zhan, que é jornalista cidadã, criticou a China após o surto de Covid-19, logo no início da pandemia no país asiático. Em maio do ano passado ela foi detida na cidade de Xangai e condenada a quatro anos de prisão.

Escritório de Direitos Humanos da ONU
Foto: ONU/ Jean-Marc Ferré
Escritório de Direitos Humanos da ONU

Wuhan

Autoridades chinesas dizem que a jornalista “criou contendas e provocou problemas” ao publicar um vídeo criticando a forma como o governo chinês tratou o surgimento da pandemia. Ela também foi acusada de espalhar “informação falsa e provocar um sentimento negativo sobre a doença em Wuhan.”

No comunicado, os especialistas em direitos humanos disseram que a falha das autoridades de agir rapidamente e com eficiência pode ter consequências fatais para Zhang Zhan. Segundo eles, ela está com a saúde bem abalada e precisa de tratamento imediato.

O Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária emitiu uma opinião sobre o caso da jornalista em outubro deste ano pedindo a libertação.

Cidade de Wuhan, na China, onde começou a pandemia em 2020
Chen Liang
Cidade de Wuhan, na China, onde começou a pandemia em 2020

Greve de fome

Para eles, a prisão de Zhan e outros jornalistas cidadãos por falarem da Covid-19 em Wuhan, é profundamente perturbador e uma matéria de interesse público vital.

No comunicado, os relatores afirmam que as autoridades tentaram censurar a informação e retaliaram contra os que buscaram driblar esta censura para compartilhar informação sobre saúde pública.

Desde que foi detida, a jornalista começou uma greve de fome. Ela está sofrendo de má nutrição aguda, úlcera gástrica, edema avançado e impossibilidade de andar ou levantar a cabeça sem ajuda de outrem.

Em julho, ela foi levada para o hospital por 11 dias e amarrada à cama. Os relatores dizem que as autoridades da China têm o dever de cuida do bem-estar de Zhang Zhan enquanto ela estiver sob custódia do Estado.

Os relatores são nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos e vão permanecer em contato com a China sobre o tema.
 
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

 

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