Afegãos vivem sentimento de abandono, esquecimento e punição
BR

18 novembro 2021

Enviada da ONU disse que cidadãos dentro do país enfrentam futuro imediato e terrível; 23 milhões de pessoas estão na iminência de fome, incluindo em quase todas as áreas urbanas; queda do Produto Interno Bruto já ultrapassou 40%.

Em sessão do Conselho de Segurança sobre o Afeganistão, a representante especial do secretário-geral da ONU no país pediu apoio internacional ressaltando que “agora não é o momento de virar as costas ao povo afegão”.

Deborah Lyons disse haver um sentimento de abandono, esquecimento e punição por circunstâncias que não são de sua culpa. Para a enviada o desamparo “agora seria um erro histórico” que já foi “cometido antes com trágicas consequências”.

Economia

Ela descreveu o clima de preocupação com as futuras intenções do Talibã. As maiores inquietações são com “a economia paralisada, a incapacidade de sacar dinheiro e o medo de não se conseguir alimentação durante o inverno”.

Representante especial do secretário-geral e chefe da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão, Deborah Lyons
Unama/Fardin Waezi
Representante especial do secretário-geral e chefe da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão, Deborah Lyons

 

Lyons disse haver concentração do mundo em ajudar os afegãos que querem partir após a tomada do poder do Talibã, mas que a atenção deve voltar a ser dada ao número muito maior de afegãos que internamente enfrenta um futuro terrível e imediato.

A enviada alertou que o país está à beira de uma catástrofe humanitária que pode ser evitada. As sanções financeiras impostas ao Afeganistão “paralisaram o sistema bancário com impacto na economia”.

Como exemplos ela citou a queda do Produto Interno Bruto, PIB, que chegou a cerca de 40%. O dinheiro está severamente limitado, comerciantes não têm acesso a crédito e pessoas comuns não podem levantar suas economias.

Pobres

No setor público, os salários dos funcionários não podem ser pagos de forma integral.

Lyons contou ainda que “hospitais estão ficando sem remédios e dispensando pacientes”.

Os preços subiram à medida que as mercadorias se tornaram mais escassas, no que constitui uma punição para os afegãos mais pobres e vulneráveis”.

Famílias no Afeganistão fugiram de suas casas devido ao conflito e agora vivem em campos de deslocados internos em Kandahar
© Unicef Afeganistão
Famílias no Afeganistão fugiram de suas casas devido ao conflito e agora vivem em campos de deslocados internos em Kandahar

 

O custo de combustíveis e alimentos sobe com o aproximar do inverno. O “complexo sistema social e econômico vai sendo paralisado devido ao congelamento de ativos, a suspensão dos fluxos de ajuda não humanitária e às sanções”.

Níveis de emergência

Quase metade dos afegãos enfrenta situação de crise ou níveis emergenciais de insegurança alimentar.

Com a chegada do inverno, e famílias consumindo reservas alimentares, receia-se que 23 milhões de afegãos fiquem sem saber o que comer.

Com a chegada da nova estação, a situação deve piorar tornando o Afeganistão “o país com a maior população do mundo enfrentando o maior risco de insegurança alimentar”.

Embora a fome já tenha sido observada em áreas rurais, prevê-se que 10 das 11 áreas urbanas mais densamente povoadas apresentem níveis emergenciais de insegurança alimentar.

 

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