Violência na RD Congo provoca taxas recordes de migrações BR

Um grupo de requerentes de asilo congoleses espera no ponto de fronteira, após cruzar para o Uganda devido aos conflitos
© Acnur
Um grupo de requerentes de asilo congoleses espera no ponto de fronteira, após cruzar para o Uganda devido aos conflitos

Violência na RD Congo provoca taxas recordes de migrações

Migrantes e refugiados

Agência da ONU para Refugiados, Acnur, diz que conflitos no país africano forçam deslocamento de pelo menos 11 mil pessoas para Uganda; segundo a agência, esse é o maior fluxo num único dia em mais de um ano; porta-voz pede auxílio de US$ 335 milhões para assegurar operações no país.

Os confrontos no leste da República Democrática do Congo forçaram a fuga de pelo menos 11 mil pessoas para Uganda, o país vizinho. 

Segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, o número de pessoas buscando asilo é o maior num espaço de 24 horas.

Cerca de 27 milhões de congoleses sofrem com uma emergência aguda de falta de alimentos
© PMA/Arete/Fredrik Lerneryd
Cerca de 27 milhões de congoleses sofrem com uma emergência aguda de falta de alimentos

Asilo

Mulheres e crianças são a maioria dos que cruzaram a fronteira para escapar das disputas entre milícias e forças armadas congolesas.

A porta-voz do Acnur em Genebra, Shabia Mantoo, relatou que os recém-chegados vivenciaram conflitos em diversas aldeias e carregavam apenas utensílios básicos, recolhidos às pressas durante a fuga.

O Acnur e o governo de Uganda estão respondendo à situação, em coordenação com as autoridades distritais e locais. Vários parceiros também apoiam, incluindo o Programa Mundial de Alimentos, PMA.

Shabia Mantoo contou que a agência até agora realocou cerca de 500 pessoas para o centro de acolhimento de Nyakabande, que tem cerca de 1,5 mil vagas.

Crianças em Kivu Norte, na RD Congo.
Foto: © UNICEF/Olivia Acland
Crianças em Kivu Norte, na RD Congo.

Urgência

Quem chega a Uganda, país que mais acolhe refugiados na África, é examinado para Covid-19 e recebe apoio água, comida, abrigos comunitários e cobertores. 

Embora as fronteiras de Uganda estejam atualmente fechadas para requerentes de asilo por causa da pandemia, Mantoo elogiou a decisão do governo de considerar a situação uma “exceção humanitária” para permitir a passagem segura das pessoas.

A porta-voz do Acnur demonstrou preocupação com a possível sobrecarga dos serviços locais em breve e apelou por recursos urgentes para atender os recém-chegados.

O Acnur busca cerca de US$ 335 milhões para suas operações em Uganda ainda este ano. Até agora, apenas 45% do financiamento foi recebido.