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Quase 240 milhões de crianças no mundo vivem com alguma deficiência BR

Parque infantil inclusivo apoiado pelo UNICEF no campo de refugiados de Za'atari, na Jordânia. Uma menina com paralisia cerebral, em cadeira de rodas, brinca em um brinquedo giratório do parque enquanto é observada por outras duas meninas e uma mulher.
Unicef/Herwig Benefícios de produtos assistivos envolvem a melhoria da saúde

Quase 240 milhões de crianças no mundo vivem com alguma deficiência

Saúde

Análise abrangente do Unicef revela desafios do grupo de menores; agência da ONU lamenta que essas crianças são “deixadas para trás”, com dificuldades para aprender, receber nutrição adequada e com muitas sendo vítimas de violência. 

 

Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, mostra que o mundo tem 240 milhões de crianças que vivem com algum tipo de deficiência. A análise, divulgada esta quarta-feira, é considerada a mais abrangente que a agência já fez sobre o assunto. 

Segundo o Unicef, as crianças com deficiência estão em desvantagem em vários fatores relacionados ao bem-estar, incluindo acesso à educação, à nutrição e saúde, proteção da violência e exploração.  

Exclusão  

A ativista sul-sudanesa Zekia Mussa dá aula para um aluno em uma sala de aula.
Maura Ajak Zekia Musa é uma jovem ativista e defensora da paz com deficiência visual de 29 anos que trabalha no Ministério de Educação Geral e Instrução do Sudão do Sul, representando pessoas com deficiência. Ela também orienta alunos com deficiência em escolas da capital Juba

A diretora-executiva da agência, Henrietta Fore, explicou que o levantamento confirma que “as crianças com deficiência têm menos chances de inclusão e de serem ouvidas. Na maioria das vezes, elas são simplesmente deixadas para trás”. 

Segundo o Unicef, o relatório “deixa claro as barreiras que as crianças com deficiência enfrentam na sociedade, e como isso geralmente se traduz em impactos sociais negativos”.  

Na comparação com menores sem deficiência, as crianças com deficiência tem 53% mais chances de terem infecções respiratórias; 49% mais possibilidade de nunca terem frequentado a escola e 42% menos aptidão para ler e fazer contas. 

Punição física  

As mãos de uma pessoa usando um leitor de tela em braille e um teclado Microsoft. O dispositivo está identificado com a etiqueta 'SENSE'.
Unsplash/Sigmund Meta de inclusão de pessoas com deficiência visual vem prevista nos Objetivos da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável

O Unicef revela ainda que as probabilidades de terem problemas de crescimento e desenvolvimento físico aumentam 34%.  

O lado emocional das crianças com deficiência também é afetado: as chances de se sentirem tristes são 51% maiores e as de sofrer discriminação estão 41%  em alta. A violência física também é uma realidade: o índice dos menores sofrerem punições corporais severas é 31% mais alto na comparação com crianças sem deficiência.  

O Unicef está pedindo aos governos para garantirem oportunidades iguais para as crianças com deficiência e para eliminarem barreiras no acesso à educação inclusiva, à nutrição adequada, além de erradicarem o estigma.  

A diretora da agência, Henrietta Fore, lembra que “a exclusão geralmente é a consequência da invisibilidade”. Por essa razão ela defende que “é importante consultar as pessoas com deficiência, para garantir que elas recebam serviços de educação e de saúde adequados, além de apoio emocional”.