Bolsões de fome aumentam riscos para crianças em Madagascar
BR

3 novembro 2021

Programa Mundial de Alimentos já havia alertado para o cenário no país, que enfrenta dificuldades causadas pela mudança climática; mais de 500 mil crianças e 1,3 milhão de malgaxes estão em situação de fome; tendência aponta para agravamento da crise.

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, alertou sobre a situação das crianças em Madagascar, agravada pelo avanço da fome no país.

O diretor-adjunto da agência no país africano, Arduino Mangoni, lembrou que os bolsões de “condições semelhantes à fome” foram causados pela mudança climática. A situação foi observada como sendo a primeira no mundo com impactos diretos das alterações no clima.

De acordo com o PMA, cerca de 500 mil crianças com menos de cinco anos estão desnutridas e estima-se que 110 mil estarão gravemente desnutridas até abril de 2022
UNICEF/UN0496476/Andriananten
De acordo com o PMA, cerca de 500 mil crianças com menos de cinco anos estão desnutridas e estima-se que 110 mil estarão gravemente desnutridas até abril de 2022

Situação alarmante

O representante do PMA relatou uma situação “comovente” ao visitar um centro de emergência no sul do país. Ele testemunhou crianças em “pele e osso” e afirmou que nunca viu nada parecido, embora já tenha trabalhado em diversas emergências.

De acordo com o PMA, cerca de 500 mil crianças com menos de cinco anos estão desnutridas e estima-se que 110 mil estarão gravemente desnutridas até abril de 2022.

O representante da agência da ONU ressaltou que as crianças correm risco de morrer se não forem ajudadas e acrescentou que os números podem ser mais alarmantes já que mortes nem sempre são registradas em bebês com menos de seis meses.

PMA já ampliou os programas de nutrição e planeja atingir mais de 1 milhão de pessoas em estágios avançados de fome a partir de dezembro
ONU Madagascar
PMA já ampliou os programas de nutrição e planeja atingir mais de 1 milhão de pessoas em estágios avançados de fome a partir de dezembro

Impacto do clima

Em conferência a jornalistas, ele explicou que a região foi afetada pela seca mais intensa em 40 anos. Mangoni observou que 1,3 milhão de malgaxes foram classificados como estando em algum estágio de fome, de acordo com os últimos dados disponíveis até abril. 

O número de pessoas afetadas é maior do que o observado em 2016, com a crise provocada pelo El Niño. Segundo o diretor adjunto, as projeções para os próximos meses são alarmantes, com a progressão de mais pessoas em situações mais profundas de fome.

Em contraste com outras regiões do mundo que sofrem com casos graves de fome como Iêmen, Sudão do Sul e Etiópia, impulsionados por conflitos, a crise de Madagascar é provavelmente o resultado de fatores climáticos, advertiu o funcionário do PMA.

Mangoni lembrou da intensidade da seca, que atingiu o país nos últimos cinco anos, tempestades de areia provavelmente causadas pela erosão do solo, desmatamentos ocorridos nas últimas três décadas e o impacto da pandemia de Covid-19.

Por causa do impacto da pandemia no turismo e nas cadeias de abastecimento, os moradores que procuraram trabalho nas cidades durante os tempos mais difíceis não tinham mais essa opção, ressaltou o diretor do PMA.

Preços sobem 

A população do país está com cada vez menos recursos para enfrentar a crise em Madagascar, segundo Mangoni. A situação elevou os preços dos alimentos e da água. 

Para ajudar os mais necessitados, o PMA já ampliou os programas de nutrição e planeja atingir mais de 1 milhão de pessoas em estágios avançados de fome a partir de dezembro, o pico da estação de escassez. A expectativa é que em abril de 2022 o país tenha uma boa safra.

Para fornecer essa ajuda emergencial pelos próximos seis meses, a agência precisa levantar US$ 69 milhões.
 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud