COP26 junta o mundo em ponto de partida de uma “nova era de resiliência”
BR

31 outubro 2021

Chefe da convenção do clima destaca ponto crucial da história de uma humanidade enfrentando escolhas rígidas para proteger o planeta; presidente da conferência diz acreditar em missão possível com ação imediata e conjunta.

A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP26, abriu formalmente este domingo, antes da realização da cúpula dos líderes mundiais na segunda e terça-feira em Glasgow.

O bater do martelo marcou o início de série de questões de procedimento para as próximas duas semanas de intensas negociações diplomáticas envolvendo cerca de 195 países, sobre como se enfrentar o aquecimento global. 

Escolhas rígidas

Na maior cidade escocesa, a secretária executiva da Convenção-Quadro da ONU  sobre Mudança Climática, Unfccc, fez um apelo para que o evento seja um ponto de partida de uma “nova era de resiliência” para se evitar a catástrofe climática.

Na abertura formal do encontro, Patrícia Espinosa disse que o mundo está num ponto crucial da história. Ela destacou que a humanidade enfrenta escolhas rígidas, mas claras. 

Nesse cenário, as opções são ou “alcançar reduções rápidas e em grande escala das emissões para manter a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 ° C ou aceitar que a humanidade enfrente um futuro sombrio no planeta.

Para a chefe do Unfccc, a alternativa está entre impulsionar esforços de adaptação para lidar com desastres climáticos e criar resiliência, ou “aceitar que mais pessoas morrerão, mais famílias sofrerão e mais prejuízos econômicos seguirão”.

"Mundo real"

Espinosa mencionou ainda as metas acordadas no Acordo de Paris, lembrando que por muito tempo ficou por se concluir o compromisso de “limitar o aquecimento global a 2 ºC, com a ambição de trabalhar em direção a 1,5 ºC”.

A chefe da convenção do clima lembrou, no entanto, que os atuais planos nacionais para contribuir para o Acordo de Paris, excederiam o compromisso 2 ºC.

Ela acrescentou que cada dia que passa sem se implementar o acordo de forma integral é um “dia perdido”, cuja acumulação “tem repercussões no mundo real para as pessoas em todo o mundo, especialmente as mais vulneráveis."

Em mensagem aos líderes mundiais, Espinosa enfatizou que o sucesso é possível, mas pediu mais ambição “para que todas as nações participem e cumpram os compromissos” definidos no acordo.

Intensificar a adaptação

Outro alvo é garantir que economias em desenvolvimento tenham o auxílio para realizar ações de adaptação, sem o qual não seria possível “embarcar nas transformações necessárias para atingir a meta de 1,5 ºC”.

Próximas duas semanas envolvem intensas negociações diplomáticas entre cerca de 195 países
Pnuma/ Veejay Villafranca
Próximas duas semanas envolvem intensas negociações diplomáticas entre cerca de 195 países

 

Espinhosa destacou ainda que a transição necessária para proteger o mundo das mudanças climáticas está “além da finalidade, escala e velocidade de qualquer coisa que a humanidade realizou no passado”.

No evento, o presidente da COP26, Alok Sharma, disse que somente com ação imediata e conjunta a humanidade pode proteger o planeta. 

Para ele, diante da rapidez da mudança do clima “está soando um alarme para o mundo intensificar a adaptação para lidar com perdas e danos”.

O representante destacou que todos sabem que a conferência de Glasgow é a última e melhor esperança de se manter o limite de aquecimento de 1,5 ºC ao alcance, e expressou confiança na capacidade de se resolver questões pendentes e levar negociações adiante lançando uma década de ambição e ação cada vez maior.

Com início na segunda-feira, a reunião de líderes deverá destacar esforços nacionais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e lidar com os efeitos das alterações do clima.
 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud