Países mais vulneráveis são os mais empenhados em combater a mudança do clima
BR

28 outubro 2021

Novo relatório do Pnud lançado às vésperas da COP26 revela que 93% das nações menos desenvolvidas já apresentaram melhorias nos seus planos nacionais; quase metade das economias do G-20 não aderiram aos princípios do Acordo de Paris. 

Os países mais vulneráveis estão avançando nas iniciativas de combate à mudança climática, ao contrário dos maiores emissores de gases.  

Um novo levantamento do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, lançado esta quinta-feira, revela que 93% das economias menos desenvolvidas e das Pequenas Ilhas em Desenvolvimento já apresentaram compromissos nacionais mais aprimorados sobre as questões climáticas.  

Estado da ambição climática  

A cidade escocesa de Glasgow se prepara para acolher milhares de delegados na COP26.
Unsplash/Adam Marikar
A cidade escocesa de Glasgow se prepara para acolher milhares de delegados na COP26.

Por outro lado, várias nações do G-20 ainda não aderiram aos princípios do Acordo de Paris nem avançaram com suas ambições climáticas.  

O Pnud lembra que como países responsáveis por mais de três quartos das emissões de gases de efeito estufa, as 20 maiores economias mundo tem um papel enorme para combater a crise climática. 

Três nações do G-20 acabaram de submeter novos compromissos, passando a data limite estipulada, 12 de outubro, para incluir as novas metas no documento da Convenção da ONU sobre Mudança Climática, Unfccc, a ser apresentado na COP26.  

Além disso, das 18 Contribuições Nacionalmente Determinadas, NDCs, apresentadas pelos membros do G-20, muitas evitam metas de longo prazo e não apresentam ambições significativas para ajudar a reverter a trajetória de alta das atuais emissões de gases de efeito estufa. 

O documento do Pnud “O Estado da Ambição Climática” está sendo lançado às vésperas da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP26, que começa neste domingo, em Glasgow, na Escócia. 

Menores emissores mais comprometidos  

Desastres hídricos ou relacionados ao tempo e ao clima ocorreram praticamente todos os dias, nos últimos 50 anos, matando em média 115 pessoas diariamente
OMM/Daniel Pavlinovic
Desastres hídricos ou relacionados ao tempo e ao clima ocorreram praticamente todos os dias, nos últimos 50 anos, matando em média 115 pessoas diariamente

O relatório mostra que países vulneráveis, onde vivem as pessoas mais pobres do mundo, e geralmente as mais impactadas pela mudança climática, continuam bastante comprometidos com ações para mudar a situação.  

Até 12 de outubro, 93% tinham submetido propostas melhoradas de NDCs, sendo que as nações menos desenvolvidas e os Estados-Ilha em desenvolvimento são responsáveis por apenas 7% das emissões globais de gases de efeito estufa.  

O diretor-executivo do Pnud, Achim Steiner, declarou “que os dados mostram que os países em desenvolvimento estão liderando o caminho para ação climática”. Steiner também afirmou que a “COP26 precisa ser o momento onde todas as nações enfrentem o desafio da mudança climática, especialmente os maiores emissores”. 

Chile e Zimbábue  

Mulheres em Bangladesh participam da agricultura resiliente ao clima.
Pnud Bangladesh
Mulheres em Bangladesh participam da agricultura resiliente ao clima.

O chefe do Pnud destacou que a janela para limitar o aquecimento global a 1,5° Celsius está fechando, por isso a COP26 “é o único caminho para garantir o futuro das pessoas e do planeta”.  

O documento lista uma série de iniciativas promissoras de alguns países. O Chile, por exemplo, tem uma estratégia financeira para conseguir as transformações necessárias em todos os setores, o que poderá levar à neutralidade de carbono até 2050.  

O Pnud destaca ainda o Iraque, que já ampliou sua ambição, aumentando o engajamento sobre o tema no mais alto nível político. A Macedônia do Norte já se comprometeu a reduzir em 82% suas emissões de gases de efeito estufa, na comparação com níveis pré-industriais.  

Na África, o destaque vai para o Zimbábue, onde investimentos na conservação agrícola poderão criar 30 mil postos de trabalho para cada US$ 1 milhão investidos. Com isso, o país poderá aumentar suas ambições climáticas e reduzir as emissões em 40%.  

 

 

 

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