ONU busca comprometimento e investimentos para conter mudança climática
BR

26 outubro 2021

Sessão na Assembleia Geral debate pauta climática com líderes mundiais; chefe da ONU destaca que fundos necessários ainda não foram atingidos; presidente da Assembleia Geral e anfitrião do evento reforçou que alterações no clima são a principal ameaça global.

A Assembleia Geral das Nações Unidas se reúne nesta terça-feira para dar foco apenas a um assunto: o clima. 

Convocado pelo presidente Abdulla Shahid, o encontro reuniu líderes para abordar as ações necessárias para atingir as metas contra o aquecimento global.

Líder da ONU destacou que as ações implementadas até agora não serão suficientes para frear o aquecimento e alcançar metas do Acordo de Paris
Unsplash/ Sergio Rodriguez
Líder da ONU destacou que as ações implementadas até agora não serão suficientes para frear o aquecimento e alcançar metas do Acordo de Paris

Prioridade

Reconhecendo o impacto que a pandemia de Covid-19 causou em todo o mundo, Shahid afirmou que as mudanças climáticas continuam sendo a maior ameaça global e devem permanecer como prioridade. 

Ele destacou que não há como negar que a pandemia consumiu recursos que poderiam ter sido usados para ações climáticas. Mas lembrou que o mundo tem pela frente uma das maiores e potencialmente mais transformacionais recuperações que o mundo já empreendeu. Por isso, ele pediu que se certifique de que todos os fundos de recuperação são amigáveis ao clima e todo estímulo de recuperação é “verde e azul”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, seguiu reforçando que a humanidade está em ‘alerta máximo’ e observa as consequências das mudanças climáticas, como o aumento de mortes por poluição, perda de biodiversidade e catástrofes causadas pela subida da temperatura.

O líder das Nações Unidas destacou que as ações implementadas até agora não serão suficientes para frear o aquecimento e alcançar a meta de definida pelo Acordo de Paris em 1,5 grau Celsius. 

Secretário-geral da ONU, António Guterres, seguiu reforçando que a humanidade está em ‘alerta máximo’
UN Photo/Manuel Elias
Secretário-geral da ONU, António Guterres, seguiu reforçando que a humanidade está em ‘alerta máximo’

Ação

Ao observar que a estimativa é que a temperatura suba em 2,7 graus Celsius, ele afirmou que é “inteiramente possível” evitar esse cenário e atingir os objetivos traçados para um mundo mais sustentável.

António Guterres também lembrou que os líderes mundiais se encontram nos próximos dias em Glasgow, no Reino Unido, para a COP-26, e que principalmente os países do G20 precisam cumprir as metas antes que seja “tarde demais”.

O chefe da ONU disse que já passou o tempo das sutilezas diplomáticas. Para ele, se os governos - especialmente os do G20 - não se levantarem e liderarem esse esforço, o mundo seguirá a direção para o terrível sofrimento humano. 

Para Guterres, todos os países precisam perceber que “o velho modelo de desenvolvimento com queima de carbono é uma sentença de morte” para suas economias e o planeta.

Energia renovável

O secretário-geral listou as principais ações para reverter o cenário como a descarbonização em todos os setores e a transferência de subsídios de combustíveis fósseis para energia renovável.

O chefe das Nações Unidas também lembrou do compromisso de eliminar o carvão até 2030 nos países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Ocde, e até 2040 em todos os outros. 

Ele apelou para o apoio de bancos de desenvolvimento públicos e multilaterais em aumentarem seus portfólios climáticos e redobrarem esforços no auxílio climático para a adaptação e resiliência.

Guterres reforçou que o mundo desenvolvido deve cumprir urgentemente seu compromisso com pelo menos US$ 100 bilhões em financiamento para ações climáticas nos países em desenvolvimento. 

Investimentos

Os dois representantes destacaram a necessidade de compromissos financeiros para as ações climáticas. Mas Abdulla Shahid afirmou que o foco deveria ser sobre os planos para alcançar o investimento necessário.

Ele pediu que os esforços tenham como objetivo ir além do prometido, garantindo pelo menos US$ 1 trilhão em apoio aos países em desenvolvimento até 2030.

Também alinhado com a agenda da presidência, ele concluiu o discurso lembrando que mulheres e meninas são “desproporcionalmente impactadas pelas mudanças climáticas”, embora sejam sub-representadas na linha de frente das negociações climáticas.

Segundo dados apresentados pelo presidente da Assembleia Geral, as mulheres representam menos de 30% dos pesquisadores de clima e biodiversidade e representam apenas 38% das delegações ambientais nacionais. 

 

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