Testemunho: “Terremoto trouxe resiliência comovente nos haitianos”
BR

26 outubro 2021

Declarações à ONU News foram feitas no país caribenho por um membro da equipe da Organização Internacional para as Migrações que vem apoiando os esforços de recuperação; afetados pelo sismo que atingiu o sudoeste do país em agosto demonstraram “resiliência comovente”.

O libanês Joseph Chlela é coordenador de emergências da OIM e tem trabalhado na zona do terremoto. Ele deu um depoimento à ONU News, em Porto Príncipe, sobre a situação no país. Confira:

O libanês Joseph Chlela é coordenador de emergências da OIM e tem trabalhado na zona do terremoto
OIM/Monica Chiriac
O libanês Joseph Chlela é coordenador de emergências da OIM e tem trabalhado na zona do terremoto

"Cheguei de Bangladesh apenas duas semanas antes do terremoto atingir o Haiti. Sou grato por minha experiência de trabalho em situações de crise, o que me ajudou a configurar a resposta de emergência imediatamente após o terremoto. O primeiro passo e mais importante é conter a emergência. 

Montei uma equipe de resposta trabalhando em estreita colaboração com órgãos governamentais e parceiros locais. Esses colegas foram então rapidamente deslocados para as áreas mais afetadas para realizar uma avaliação rápida dos danos e necessidades e para começar a distribuir kits não alimentares e itens de abrigo, como lonas, tendas, lanternas solares, bem como kits de higiene e utensílios de cozinha. Uma resposta rápida é extremamente importante para limitar os danos e vítimas e fornecer assistência urgente para aqueles que não têm um teto para dormir.

Os principais desafios têm sido logísticos e relacionados à instável situação de segurança no Haiti, que torna mais difícil chegar às pessoas necessitadas. A pandemia de Covid-19 complicou ainda mais a resposta humanitária. Muitas comunidades vivem em áreas de difícil acesso, já normalmente limitado e agora quase impossível devido às pontes e estradas que foram danificadas pelo terremoto.

O Haiti é um dos países mais pobres do mundo.
Foto: IFRC
O Haiti é um dos países mais pobres do mundo.

Se as pessoas não tivessem recebido nenhum apoio e itens como kits de higiene, a incidência de doenças contagiosas pela água teria aumentado drasticamente. A falta de abrigo também está intimamente ligada ao aumento do risco de violência de gênero. Outros parceiros governamentais e locais, bem como agências da ONU, incluindo Unicef e PMA, também contribuíram para a resposta.

Fiquei impressionado ao ver todos os parceiros, locais e internacionais, se unindo para ajudar as pessoas afetadas, apesar da infinidade de desafios logísticos. É comovente testemunhar a resiliência dos haitianos e sua determinação em permanecer em suas casas e reconstruir.

Campo de esportes em Les Cayes usado como acampamento temporário para pessoas desabrigadas pelo recente terremoto no Haiti
Ocha/Matteo Minasi
Campo de esportes em Les Cayes usado como acampamento temporário para pessoas desabrigadas pelo recente terremoto no Haiti

O OIM ajudou mais de 150 mil pessoas com abrigo e itens não alimentares e acho que, especialmente aquelas que vivem em áreas muito remotas, ficaram gratas e talvez até mesmo surpreendidas com a resposta imediata do escritório. O importante é que, como primeira resposta, a OIM deu às pessoas a esperança de que não foram esquecidas quando mais precisaram"

A OIM co-lidera o setor de abrigos e itens não-alimentares do Haiti em apoio ao governo, incluindo a Direção Geral de Proteção Civil do Haiti, a Unidade para a Construção de Habitações e Prédios Públicos e o Ministério de Transporte Público, Telecomunicações e Energia. 

Avaliações estruturais estão sendo conduzidas em parceria com governo haitiano e o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projeto, Unops.
 

 

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