Refugiados venezuelanos ocupam ruas após despejos durante pandemia
BR

26 outubro 2021

Pesquisa apoiada pelo Acnur mostra que 75% dos migrantes que foram retirados de suas casas tornaram-se sem-teto em outros países da América Latina; colapso da economia informal e desemprego deixaram muitos cidadãos da Venezuela sem condições de pagar aluguel.  

O colapso da economia informal e o aumento do desemprego nos países da América Latina causados pela pandemia de Covid-19 tiveram consequências graves para venezuelanos que buscaram refúgio em outros países da região. 

Uma pesquisa apoiada pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, revela que muitos migrantes da Venezuela ficaram sem condições de pagar o aluguel e tornaram-se sem-teto.  

Mulheres são maioria  

Emily, refugiada venezuelana, usa o computador em sua casa, no Equador
Foto: © UNHCR/ Ramiro Aguilar Villamar
Emily, refugiada venezuelana, usa o computador em sua casa, no Equador

Os pesquisadores ouviram venezuelanos que foram despejados ou que receberam uma ordem de despejo, sendo que 75% das pessoas que perderam a casa foram morar nas ruas. As mulheres representam ainda 80% entre os civis despejados. 

A violência na Venezuela, aliada à insegurança e à falta de medicamentos, alimentos e de outros serviços básicos já levou mais de 5,9 milhões de civis a fugirem do país, criando uma das maiores crises de deslocados do mundo. 

Risco maior de exposição à Covid  

Crise enfrentada pela Venezuela foi agravada pela pandemia de Covid-19 e por sanções enfrentadas pelo país
© Unicef/Alejandra Pocaterra
Crise enfrentada pela Venezuela foi agravada pela pandemia de Covid-19 e por sanções enfrentadas pelo país

Mais de 80% dos migrantes venezuelanos foram para outros países da América Latina, principalmente para Colômbia e Peru. O representante especial do Acnur na Venezuela declarou que “a pandemia de Covid-19 agravou ainda mais as condições de vida dos migrantes e refugiados venezuelanos”. 

Além de lidar com o drama de perder o teto, muitas das famílias despejadas enfrentaram um risco ainda maior de exposição ao coronavírus, além da dificuldade de acesso serviços básicos de água e de saneamento.  

Famílias não tinham contrato 

Famílias de refugiados venezuelanos Warao chegam a um abrigo da ONU no bairro de Tarumã-Açu, em Manaus, norte do Brasil
Acnur/Felipe Irnaldo
Famílias de refugiados venezuelanos Warao chegam a um abrigo da ONU no bairro de Tarumã-Açu, em Manaus, norte do Brasil

O Acnur destaca que muitos daqueles que foram forçados a ir morar nas ruas enfrentam também maiores riscos de discriminação e xenofobia, de exposição à violência e dos filhos abandonarem a escola.  

Um fator que contribuiu para que muitos migrantes venezuelanos recebessem a ordem de despejo foi a falta de contratos de aluguel, o que os deixou expostos à exploração e aos abusos por parte dos proprietários dos imóveis.  

Os dados da pesquisam mostram ainda que apenas um terço das famílias despejadas recebeu alguma forma de assistência após perder a moradia. Por isso, os autores do estudo pedem aos doadores internacionais para disponibilizarem recursos para melhorar a qualidade de moradia dos refugiados venezuelanos.  

 

 

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