Concentração de gases de efeito estufa atinge recorde 
BR

25 outubro 2021

Organização Meteorológica Mundial confirma marca alcançada em 2020 de 413,2 partes por milhão; temperatura global continuará subindo se tendência de alta persistir; agência da ONU pede revisão de sistemas industriais, de energia, transporte e modos de vida.

As concentrações médias globais de Dióxido de Carbono, CO2, atingiram um novo pico de 413,2 ppm em 2020. 

Esta segunda-feira, o Boletim de Gases de Efeito Estufa da Organização Meteorológica Mundial, OMM, ressalta que este ano continua a tendência de alta anual para cima da média do período entre 2011e 2020. 

Repercussões negativas

Em 2015, a quantidade de CO2 na atmosfera ultrapassou a marca de 400 partes por milhão, ppm. Cinco anos depois, o total superou 413 ppm, um nível visto como “mais do que apenas uma fórmula química e números em um gráfico”. 

Para o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, deve haver “grandes repercussões negativas” dessa situação para o dia a dia e bem-estar, para o estado do planeta e para as gerações do futuro.

Ultimo biênio teve taxa das concentrações médias globais de CO2 ligeiramente menor do que as de 2018 a 2019
OMM/Olga Khoroshunova
Ultimo biênio teve taxa das concentrações médias globais de CO2 ligeiramente menor do que as de 2018 a 2019

 

Nos últimos dois anos, a taxa das concentrações médias globais de CO2 foi ligeiramente menor do que as de 2018 a 2019, mas esteve acima do crescimento anual na última década.

Esse cenário teve lugar apesar da queda de aproximadamente 5,6% nas emissões de CO2 de combustíveis fósseis devido às restrições da Covid-19.

Gases de efeito estufa

Embora tenha havido a baixa temporária de novas emissões no período da pandemia, a desaceleração econômica “não teve nenhum impacto perceptível sobre os níveis atmosféricos de gases de efeito estufa e suas taxas de crescimento”.

A queima de plásticos libera gases tóxicos na atmosfera.
Foto: Pnud/Shawn Heinrichs
A queima de plásticos libera gases tóxicos na atmosfera.

 

O nível atingido no ano passado está 149% acima do pré-industrial. O gás metano, CH4, está 262% mais alto e o óxido nitroso, N2O, a 123% dos níveis em 1750, quando as atividades humanas começaram a alterar o equilíbrio natural da Terra. 

Enquanto a situação persistir, a temperatura global continuará aumentando. A OMM prevê que dada a longa vida do CO2, o nível de temperatura já observado seguirá por várias décadas, mesmo se as emissões forem rapidamente reduzidas a zero líquido.

Efeitos socioeconômicos

O aumento das temperaturas deve ser acompanhado por eventos climáticos extremos, incluindo calor e chuvas intensos, derretimento do gelo, aumento do nível do mar e acidificação dos oceanos. Estas situações serão seguidas por efeitos socioeconômicos de longo alcance.

Estima-se que atualmente cerca de metade do CO2 emitido pelas atividades humanas permaneça na atmosfera. Da outra metade se ocupam os oceanos e os ecossistemas terrestres que atuam como “sumidouros”.

O boletim adverte para a perda progressiva dessa capacidade, numa situação que preocupa porque “pode baixar a capacidade de absorver dióxido de carbono e agir como um amortecedor contra um aumento maior de temperatura.”

Icebergs na Groenlândia, onde o derretimento das camadas de gelo está se acelerando.
Unsplash/Annie Spratt
Icebergs na Groenlândia, onde o derretimento das camadas de gelo está se acelerando.

 

O aumento de temperatura no final deste século estará muito além das metas do Acordo de Paris, que é de 1,5 a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. O secretário-geral da OMM ressalta mesmo que “o mundo está muito fora do rumo”.

COP-26

Petteri Taalas pede que no momento de definição das metas de neutralização de carbono, e na expectativa de que a Cúpula Climática, COP-26, haja um aumento dramático nos compromissos e que estes sejam transformados em ações. 

A expectativa é que essas medidas venham a ter impacto “nos gases que impulsionam as mudanças climáticas."

O especialista disse que devem ser repensados os sistemas industriais, de energia e transporte e todo o modo de vida. 

Ele destaca ainda “não haver tempo a perder” para introduzir mudanças necessárias economicamente acessíveis e tecnicamente possíveis para chegar a esse propósito. 
 

Eventos extremos, como os que atingiram Houston, nos EUA, em Agosto, são cada vez mais comuns.
Departamento de Defesa Americano
Eventos extremos, como os que atingiram Houston, nos EUA, em Agosto, são cada vez mais comuns.

 

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