Mudanças climáticas têm impacto alarmante na África, afirma novo relatório
BR

19 outubro 2021

Insegurança alimentar e deslocamentos tendem a subir; estudo co-produzido pela Organização Meteorológica Mundial sugere investimentos em adaptações e sistemas de aviso prévio para auxiliar na prevenção de desastres; massas de gelo do continente estão desaparecendo e níveis do mar subindo acima da média global. 

As Nações Unidas e parceiros lançaram esta terça-feira o relatório Estado do Clima na África 2020. O documento ressalta tendências e impactos das mudanças climáticas, incluindo o aumento do nível do mar e o derretimento das massas de gelo. 

A produção do documento envolveu a Organização Meteorológica Mundial, OMM, a Comissão da União Africana, a Comissão Econômica para a África pelo Centro de Política Climática da África. Também participaram entidades científicas regionais e internacionais e agências das Nações Unidas.  

Árvores são plantadas na República Democrática do Congo para ajudar a combater a mudança climática.
Foto: © UNICEF/Josue Mulala
Árvores são plantadas na República Democrática do Congo para ajudar a combater a mudança climática.

Resultados 

Em entrevista à ONU News, o diretor de Parcerias Globais da OMM, Filipe Lúcio, ressaltou a importância de investir em formas de prevenção, como com os alerta precoce. 
“Eles precisavam ter sistemas de aviso prévio integrados, particularmente nos países vulneráveis, onde seja possível prever o que vai acontecer e a partir daí tomar medidas para preparação e resposta adequadas. Só para dar-lhes um exemplo, em África, só 44 mil pessoas entre 100 mil pessoas estão cobertas com o sistema de aviso prévio.” 

Na mesma linha, além do alerta precoce, as recomendações do relatório ainda reforçam a necessidade de recursos dedicados a infraestrutura hidro meteorológica. As ferramentas permitiriam que a população se preparasse para eventos climáticos. 

Outra pesquisa citada, conduzida pelo Fundo Monetário Internacional, FMI, afirma que ampliar o acesso a sistemas de alerta precoce e informações sobre preços e clima podem reduzir a chance de insegurança alimentar em 30%. 

Angola é apontada como exemplo dos efeitos da mudança climática, com quase 7 milhões de pessoas com fome por causa da pior seca em 40 anos
© Unicef Angola/Carlos Louzada
Angola é apontada como exemplo dos efeitos da mudança climática, com quase 7 milhões de pessoas com fome por causa da pior seca em 40 anos

Investimento 

Além da vulnerabilidade desproporcional, o estudo ilustra benefícios de possíveis investimentos em campos como adaptação ao clima, serviços meteorológicos e climáticos e sistemas de alerta precoce “que superam em muito os custos”.  

Sobre o tema, o vice-diretor da Comissão Econômica das Nações Unidas para África, António Pedro, disse que iniciativas veem sendo incentivadas e Cúpula do Clima, Cop-26, será um momento para reafirmar essa posição. 
“Para se tratar da questão dos impactos negativos do aquecimento global tem a ver com a eliminação da utilização de energias fósseis: do carvão, do petróleo e do gás natural, infelizmente. África vai para Glasgow com posições muito claras em que o continente está determinado a contribuir para a redução dos efeitos estufa e quer liderar todo o processo de transição para energias limpas”. 

Na África Subsaariana, os custos de adaptação são estimados em US$ 30 a 50 bilhões, o que equivale a no máximo 3% do Produto Interno Bruto regional a cada ano na próxima década.  

Além dos conflitos, pandemia e mudança climática estão agravando situação de insegurança alimentar
PMA/Abeer Etefa
Além dos conflitos, pandemia e mudança climática estão agravando situação de insegurança alimentar

Cenário 

Os resultados apontam que a temperatura na África subiu acima da média global. O último ano esteve entre os mais quentes registrados no continente.  

O aumento do nível do mar também está acima das marcas, sendo a costa do Oceano Índico o local mais crítico, onde o número já supera os 4 milímetros por ano, segundo a pesquisa. 

As massas de gelo do continente também são afetadas. A pesquisa alerta que, se nada for feito, as três principais formações deixaram de existir até 2040. Isso inclui o famoso Monte Kilimanjaro, na Tanzânia. 

A previsão é que o Monte Quênia derreta ainda uma década antes, sendo uma das primeiras cadeias de montanhas inteiras a perder massas de gelo devido às mudanças climáticas induzidas pelo homem. 

Insegurança Alimentar 

A falta ou o excesso de chuva também se agrava no continente. Na publicação, os autores ressaltam que a seca em Madagáscar desencadeou uma crise humanitária.  

Grandes inundações também ocasionam o deslocamento de populações de diversos países da região e aumentam a insegurança alimentar. Em 2020, o número de pessoas na situação subiu em 40% em relação ao ano anterior. 

Estima-se que 12% de todos os novos deslocamentos populacionais do mundo ocorreram no leste da África. São mais de 1,2 milhão de deslocados devido a desastres e outros quase 500 mil causados por conflitos.  
 

 

 

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