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Guiné-Bissau e Moçambique acolhem programa para reduzir casos de Covid-19 BR

Uma mulher faz um teste de COVID-19 em um centro de testagem drive-thru na Nigéria, com um profissional de saúde usando EPI completo aplicando a amostra através de uma janela.
OMS OMS deve testar mais de 7 milhões de pessoas na África em 2022

Guiné-Bissau e Moçambique acolhem programa para reduzir casos de Covid-19

Saúde

OMS destaca que seis em cada sete infecções pelo vírus não são detectadas na África; agência afirma que casos no continente podem ser sete vezes mais altos que os reportados; nova iniciativa deve testar mais de 7 milhões de pessoas no próximo ano; investimento deve chegar a US$ 1,8 milhão.  

A Organização Mundial da Saúde, OMS, informou que apenas 14,2% dos casos de Covid-19 estão sendo detectados na África. A proporção é de uma pessoa em cada sete diagnosticada com o novo vírus. 

Para reverter essa tendência e restringir a transmissão, o Escritório Regional para a África anunciou uma nova iniciativa para melhorar a triagem da doença. O programa pretende alcançar mais de 7 milhões de pessoas com testes rápidos no próximo ano. 

Profissionais de saúde com equipamentos de proteção individual examinam um viajante com um scanner térmico em um aeroporto na Tailândia durante a pandemia de COVID-19.
OMS/P. Phutpheng Casos fatais de Covid-19 são altos em países e populações com menos acesso às vacinas.

Investimentos 

A OMS afirma que investiu US$ 1,8 milhão em oito países do continente para dar início ao programa. Burundi, República Democrática do Congo, Guiné-Bissau, Moçambique, República do Congo, Senegal, Zâmbia e Cote d’Ivoire, também conhecida como Costa do Marfim, foram os escolhidos. 

A agência apoiará os países a interromper a transmissão do vírus, descobrindo possíveis casos ativos e oferecendo testes de diagnóstico rápido de antígeno. 

A iniciativa tem o objetivo de aumentar a testagem em 40% nos países participantes, garantindo que atinjam a recomendação da OMS de realizar 10 testes por 10 mil pessoas a cada semana.  

Atualmente, cerca de 20 nações, ou mais de um terço dos países africanos, não alcançam essa marca. 

Um grande palete de caixas de papelão, envoltas em plástico, está sendo carregado na carroceria de um caminhão. As caixas estão etiquetadas com a palavra "COVAX" e a bandeira americana, indicando que se trata de um carregamento de vacinas.
©UnicefMoçambique/2021/Cremildo Assane Vacinas contra a Covid-19 do mecanismo Covax chegando em Moçambique.

Análises 

De acordo com a OMS, o número acumulado de infecções por Covid-19 na África está estimado em 59 milhões. O valor é sete vezes maior do que os mais de 8 milhões de casos relatados. 

O resultado foi alcançado após análises que relacionaram casos e óbitos de Covid-19 com a taxa de mortalidade populacional.  

A OMS informou que até o momento, a detecção do Covid-19 no continente tem se concentrado apenas em pessoas que reportam a unidades de saúde com sintomas e testes em viajantes internacionais.  

Desde o início da pandemia, cerca de 70 milhões de testes Covid-19 foram feitos por países africanos, uma pequena fração dos 1,3 bilhões de pessoas do continente.  

A agência ressalta os números de países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, com cerca de um terço da população, mais de 550 milhões de testes foram feitos e no Reino Unido, com menos de 10% da população da África, foram realizados mais de 280 milhões ensaios. 

Avanços 

O apelo da diretora regional da OMS para a África é que os testes são necessários para salvar mais vidas. Com as limitações, Matshidiso Moeti afirma que a região está “voando às cegas”  

Ela também afirma que a maioria dos testes são realizados em pacientes com sintomas enquanto grande parte da transmissão é impulsionada por pessoas assintomáticas. Assim, o nível de contaminação reportado pode ser “apenas a ponta do iceberg”.  

De acordo com os registros da OMS, a Covid-19 já somou mais de 8,4 milhões de casos e deixou 214 mil mortes na África.  

Apesar da queda nos números de novas infecções nas últimas semanas, as taxas de vacinação permanecem baixas. Apenas 30% das 54 nações do continente imunizaram completamente 10% de sua população contra o vírus.