Guiné-Bissau e Moçambique acolhem programa para reduzir casos de Covid-19
BR

15 outubro 2021

OMS destaca que seis em cada sete infecções pelo vírus não são detectadas na África; agência afirma que casos no continente podem ser sete vezes mais altos que os reportados; nova iniciativa deve testar mais de 7 milhões de pessoas no próximo ano; investimento deve chegar a US$ 1,8 milhão.  

A Organização Mundial da Saúde, OMS, informou que apenas 14,2% dos casos de Covid-19 estão sendo detectados na África. A proporção é de uma pessoa em cada sete diagnosticada com o novo vírus. 

Para reverter essa tendência e restringir a transmissão, o Escritório Regional para a África anunciou uma nova iniciativa para melhorar a triagem da doença. O programa pretende alcançar mais de 7 milhões de pessoas com testes rápidos no próximo ano. 

Casos fatais de Covid-19 são altos em países e populações com menos acesso às vacinas.
OMS/P. Phutpheng
Casos fatais de Covid-19 são altos em países e populações com menos acesso às vacinas.

Investimentos 

A OMS afirma que investiu US$ 1,8 milhão em oito países do continente para dar início ao programa. Burundi, República Democrática do Congo, Guiné-Bissau, Moçambique, República do Congo, Senegal, Zâmbia e Cote d’Ivoire, também conhecida como Costa do Marfim, foram os escolhidos. 

A agência apoiará os países a interromper a transmissão do vírus, descobrindo possíveis casos ativos e oferecendo testes de diagnóstico rápido de antígeno. 

A iniciativa tem o objetivo de aumentar a testagem em 40% nos países participantes, garantindo que atinjam a recomendação da OMS de realizar 10 testes por 10 mil pessoas a cada semana.  

Atualmente, cerca de 20 nações, ou mais de um terço dos países africanos, não alcançam essa marca. 

Quase 40% das vacinas contra a Covid-19 do mecanismo Covax já chegaram a  Moçambique
©UnicefMoçambique/2021/Cremildo Assane
Quase 40% das vacinas contra a Covid-19 do mecanismo Covax já chegaram a Moçambique

Análises 

De acordo com a OMS, o número acumulado de infecções por Covid-19 na África está estimado em 59 milhões. O valor é sete vezes maior do que os mais de 8 milhões de casos relatados. 

O resultado foi alcançado após análises que relacionaram casos e óbitos de Covid-19 com a taxa de mortalidade populacional.  

A OMS informou que até o momento, a detecção do Covid-19 no continente tem se concentrado apenas em pessoas que reportam a unidades de saúde com sintomas e testes em viajantes internacionais.  

Desde o início da pandemia, cerca de 70 milhões de testes Covid-19 foram feitos por países africanos, uma pequena fração dos 1,3 bilhões de pessoas do continente.  

A agência ressalta os números de países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, com cerca de um terço da população, mais de 550 milhões de testes foram feitos e no Reino Unido, com menos de 10% da população da África, foram realizados mais de 280 milhões ensaios. 

Avanços 

O apelo da diretora regional da OMS para a África é que os testes são necessários para salvar mais vidas. Com as limitações, Matshidiso Moeti afirma que a região está “voando às cegas”  

Ela também afirma que a maioria dos testes são realizados em pacientes com sintomas enquanto grande parte da transmissão é impulsionada por pessoas assintomáticas. Assim, o nível de contaminação reportado pode ser “apenas a ponta do iceberg”.  

De acordo com os registros da OMS, a Covid-19 já somou mais de 8,4 milhões de casos e deixou 214 mil mortes na África.  

Apesar da queda nos números de novas infecções nas últimas semanas, as taxas de vacinação permanecem baixas. Apenas 30% das 54 nações do continente imunizaram completamente 10% de sua população contra o vírus. 

 

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