Profissionais do campo destacam igualdade de gênero como um desafio BR

Dados da ONU apontam que, em média, mulheres compõem mais de 40% da força de trabalho agrícola nos países em desenvolvimento.
ONU Mulheres/Narendra Shrestha
Dados da ONU apontam que, em média, mulheres compõem mais de 40% da força de trabalho agrícola nos países em desenvolvimento.

Profissionais do campo destacam igualdade de gênero como um desafio

Mulheres

No Dia Internacional da Mulher Rural, ONU afirma que presença feminina nas atividades locais é crítica para combate à fome; pesquisa mostra que mulheres brasileiras do setor consideram a desigualdade de gênero um problema; grupo representa mais de 40% da força de trabalho agrícola nos países em desenvolvimento. 

Neste 15 de outubro, as Nações Unidas marcam o Dia Internacional da Mulher Rural. Em comemoração à data, a organização lembra que a igualdade de gênero e o empoderamento feminino são essenciais na luta contra fome e má-nutrição.  

A comemoração pretende reconhecer ainda “o papel crítico e a contribuição das mulheres no campo, incluindo as indígenas, no aprimoramento do desenvolvimento agrícola, na melhoria da segurança alimentar e na erradicação da pobreza rural”.  

Mulheres em Bangladesh participam da agricultura resiliente ao clima.
Pnud Bangladesh
Mulheres em Bangladesh participam da agricultura resiliente ao clima.

Brasil 

No Brasil, país em que o setor agrícola é relevante para criação de empregos e renda, o número de mulheres atuantes cresceu, de acordo com a produtora rural e gerente de Comunicação da Associação Brasileira do Agronegócio. 

Falando à ONU News de São Paulo, Gislaine Balbinot afirma que foi possível observar importantes avanços na participação feminina no setor, como o próprio autorreconhecimento. 

“Existem mais de 1,7 milhão de mulheres comandando a produção agropecuária no país. Essas conquistas são um avanço porque no passado a presença feminina não era tão percebida como nós temos hoje. Nas pesquisas da Abag, muitos formulários precisavam ser retirados porque a mulher não se via como a gestora da propriedade. Mesmo fazendo todo o trabalho, no comando de compra, venda, produção e no trabalho braçal do dia a dia, ela não se identificava no papel.” 

Gislaine acrescentou que agora a participação mais ativa e a busca por protagonismo entre as profissionais do campo é mais evidente. 

“Esse número tem aumentado, nós percebemos uma postura diferente, muito mais atuante e da própria percepção de que elas realmente desenvolvem algo com valor e tem muito orgulho do trabalho que fazem.” 

Em colaboração com a iniciativa privada e outros parceiros, a Abag divulgou um novo levantamento.  

O estudo aponta que, mesmo com crescimento da presença feminina, 64% das entrevistadas ainda acreditam que a desigualdade é um problema no setor. No entanto, a maioria afirma que a situação de hoje é melhor que há 10 anos.    

Para diminuir a lacuna, as profissionais afirmam ser é necessário aumentar a capacidade de treinamento e o acesso ao crédito de forma igualitária. Assim, elas também poderão investir em tecnologia e capacitação.  

Mulheres em zona rural da Costa Rica estão plantando árvores para ajudar a combater a mudança climática
Pnud Costa Rica
Mulheres em zona rural da Costa Rica estão plantando árvores para ajudar a combater a mudança climática

Mundo 

Dados da ONU apontam que, em média, mulheres compõem mais de 40% da força de trabalho agrícola nos países em desenvolvimento. A proporção varia de 20% na América Latina a 50% ou mais em partes da África e Ásia. 

Também não chegam aos 20% o número de mulheres proprietárias de áreas de plantação. 

De acordo com as Nações Unidas, o papel feminino na agricultura de subsistência é muitas vezes não remunerado e sua contribuição para a economia rural é amplamente subestimada. 

No entanto, a organização afirma que agricultura familiar produz quase 80% dos alimentos na Ásia e na África Subsaariana e apoia os meios de subsistência de cerca de 2,5 bilhões de pessoas.  

A ONU reforça que as mulheres agricultoras são produtivas e empreendedoras, mas menos capazes de acessar terras, crédito, insumos agrícolas, mercados e cadeias agroalimentares de alto valor e obter preços mais baixos para suas culturas.