Profissionais do campo destacam igualdade de gênero como um desafio
BR

15 outubro 2021

No Dia Internacional da Mulher Rural, ONU afirma que presença feminina nas atividades locais é crítica para combate à fome; pesquisa mostra que mulheres brasileiras do setor consideram a desigualdade de gênero um problema; grupo representa mais de 40% da força de trabalho agrícola nos países em desenvolvimento. 

Neste 15 de outubro, as Nações Unidas marcam o Dia Internacional da Mulher Rural. Em comemoração à data, a organização lembra que a igualdade de gênero e o empoderamento feminino são essenciais na luta contra fome e má-nutrição.  

A comemoração pretende reconhecer ainda “o papel crítico e a contribuição das mulheres no campo, incluindo as indígenas, no aprimoramento do desenvolvimento agrícola, na melhoria da segurança alimentar e na erradicação da pobreza rural”.  

Mulheres em Bangladesh participam da agricultura resiliente ao clima.
Pnud Bangladesh
Mulheres em Bangladesh participam da agricultura resiliente ao clima.

Brasil 

No Brasil, país em que o setor agrícola é relevante para criação de empregos e renda, o número de mulheres atuantes cresceu, de acordo com a produtora rural e gerente de Comunicação da Associação Brasileira do Agronegócio. 

Falando à ONU News de São Paulo, Gislaine Balbinot afirma que foi possível observar importantes avanços na participação feminina no setor, como o próprio autorreconhecimento. 

“Existem mais de 1,7 milhão de mulheres comandando a produção agropecuária no país. Essas conquistas são um avanço porque no passado a presença feminina não era tão percebida como nós temos hoje. Nas pesquisas da Abag, muitos formulários precisavam ser retirados porque a mulher não se via como a gestora da propriedade. Mesmo fazendo todo o trabalho, no comando de compra, venda, produção e no trabalho braçal do dia a dia, ela não se identificava no papel.” 

Gislaine acrescentou que agora a participação mais ativa e a busca por protagonismo entre as profissionais do campo é mais evidente. 

“Esse número tem aumentado, nós percebemos uma postura diferente, muito mais atuante e da própria percepção de que elas realmente desenvolvem algo com valor e tem muito orgulho do trabalho que fazem.” 

Em colaboração com a iniciativa privada e outros parceiros, a Abag divulgou um novo levantamento.  

O estudo aponta que, mesmo com crescimento da presença feminina, 64% das entrevistadas ainda acreditam que a desigualdade é um problema no setor. No entanto, a maioria afirma que a situação de hoje é melhor que há 10 anos.    

Para diminuir a lacuna, as profissionais afirmam ser é necessário aumentar a capacidade de treinamento e o acesso ao crédito de forma igualitária. Assim, elas também poderão investir em tecnologia e capacitação.  

Mulheres em zona rural da Costa Rica estão plantando árvores para ajudar a combater a mudança climática
Pnud Costa Rica
Mulheres em zona rural da Costa Rica estão plantando árvores para ajudar a combater a mudança climática

Mundo 

Dados da ONU apontam que, em média, mulheres compõem mais de 40% da força de trabalho agrícola nos países em desenvolvimento. A proporção varia de 20% na América Latina a 50% ou mais em partes da África e Ásia. 

Também não chegam aos 20% o número de mulheres proprietárias de áreas de plantação. 

De acordo com as Nações Unidas, o papel feminino na agricultura de subsistência é muitas vezes não remunerado e sua contribuição para a economia rural é amplamente subestimada. 

No entanto, a organização afirma que agricultura familiar produz quase 80% dos alimentos na Ásia e na África Subsaariana e apoia os meios de subsistência de cerca de 2,5 bilhões de pessoas.  

A ONU reforça que as mulheres agricultoras são produtivas e empreendedoras, mas menos capazes de acessar terras, crédito, insumos agrícolas, mercados e cadeias agroalimentares de alto valor e obter preços mais baixos para suas culturas. 

 

 

 

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