Cresce otimismo sobre vacina para conter mortes por malária em Moçambique

14 outubro 2021

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou estar confiante que a vacina Mosquirix poderá salvar milhares de vidas por ano se a aplicação for ampla e em combinação com outros meios de prevenção da malária. 

Uma semana após recomendação da agência especializada da ONU para uso do primeiro imunizante contra a doença, o ministro de Saúde de Moçambique considerou promissoras as notícias sobre esforços globais de prevenção e combate à malária.

Armindo Tiago coloca a doença fatal entre os maiores problemas de saúde pública nacional com maior impacto no desenvolvimento socioeconômico. 

Pesquisa levou a uma redução de 30% nas hospitalizações por malária grave em menores de idade
PATH
Pesquisa levou a uma redução de 30% nas hospitalizações por malária grave em menores de idade

Diminuição 

“Moçambique registou mais de 6 milhões de casos de malária até julho de 2021, o que representa uma redução de 15% se comparado ao mesmo período de 2020. Foram igualmente registrados 31.348 casos de malária grave, contra 38.653 casos em 2020, representando uma diminuição de 19%.” 

Falando no encontro sobre a malária com lema “Zero Malária – Estabeleça o limite na luta contra a Malária”, o ministro da Saúde também destacou a importância da ação de vários setores.  

O governante disse que esta é uma questão essencial nos determinantes de saúde que contribuem para a manutenção da transmissão da malária. 

Já o coordenador da área de Sistemas de Saúde na OMS em Moçambique, Tomas Valdez, citou a importância da vacina. 

Bebê é testado para malária no estado de Adamawa, na Nigéria
© Unicef/Andrew Esiebo
Bebê é testado para malária no estado de Adamawa, na Nigéria

Problema 

“Esta vacina reduz em 30% as formas de malária grave e se for aplicada amplamente, em combinação com outros meios de prevenção da malária, a vacina poderá resultar em dezenas de milhares de vidas salvas por ano a nível global. Portanto, é mais uma arma a se juntar ao arsenal dos meios que o mundo dispõe hoje para controlar e eliminar a malária como um problema de saúde pública”. 

Resultados de experiências-piloto realizadas no Gana, no Quênia e no Maláui mostram que a vacina Mosquirix reduz em 30% as formas de malária grave. A pesquisa envolveu mais de 800 mil crianças desde 2019. 

“Esforços adicionais certamente são necessários para garantir que todas as pessoas com febre tenham acesso rápido a serviços de diagnóstico e tratamento da malária. E é fundamental continuar a melhorar a cobertura das intervenções de malária na gravidez e garantir a prestação de serviços às populações mais vulneráveis, particularmente a população deslocada na província de Cabo Delgado.” 

Um trabalhador borrifa inseticida nas superfícies de um abrigo para controlar a propagação de mosquitos e diminuir o risco de malária
Unicef/Bagla
Um trabalhador borrifa inseticida nas superfícies de um abrigo para controlar a propagação de mosquitos e diminuir o risco de malária

Vigilância 

Dados do Ministério da Saúde indicam a redução na mortalidade por malária nos hospitais. Até o mês de julho foram registrados 291 óbitos, contra 384 em igual período de 2020. A queda foi de 24%. 

Parceiros do setor da saúde refletiram até esta quarta-feira sobre os desafios e progresso nas ações do Programa Nacional de Controlo da Malária, Pncm. A meta é reforçar a vigilância e estabelecer um limite rumo à eliminação da doença.  

*De Maputo para ONU News, Ouri Pota. 

 

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