Após morte de menino, RD Congo inicia vacinação contra ebola
BR

14 outubro 2021

Cerca de 1,2 mil doses chegaram ao país; avanço da doença pode ser causado por exposição a hospedeiros e fluidos corporais de sobreviventes; OMS investiga 170 pacientes suspeitos e pede atenção para a capacidade do sistema de saúde do país. 

A vacinação contra o ebola começou nesta quarta-feira na República Democrática do Congo após a confirmação de um caso na última semana. Um menino de dois anos de idade foi infectado e acabou morrendo. Pessoas em risco, incluindo familiares do caso confirmado e socorristas, receberão as doses. 

A Organização Mundial da Saúde informou que cerca de mil doses da vacina contra o vírus e outros suprimentos médicos foram entregues da capital congolesa. Outras 200 doses foram enviadas para Beni, nas proximidades de onde a doença deixou uma vítima. 

Vacinação em Mbandaka, na República Democrática do Congo, durante o último surto de ebola.
OMS/Lindsay Mackenzie
Vacinação em Mbandaka, na República Democrática do Congo, durante o último surto de ebola.

Cuidados 

O diretor regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, afirmou que o ebola é um vírus letal que pode se espalhar de maneira agressiva e rápida. No entanto, ele reforçou que as vacinas podem criar auxiliar na proteção, interrompendo as transmissões e evitando um surto maior.  

Além de organizar as atividades de imunização, as equipes de resposta a emergências estão trabalhando para rastrear contatos, descontaminar espaços infectados e intensificar a vigilância e os testes. 

Já foram identificados mais de 170 casos suspeitos, monitorados pela OMS. Para apoiar as autoridades nacionais nos esforços de resposta, a OMS liberou US$ 200 mil por meio de seu Fundo de Contingência para Emergências. 

A agência também vai enviar cinco toneladas de suprimentos, incluindo medicamentos, equipamentos de proteção individual e materiais de laboratório. 

Contágio 

A OMS afirmou que casos suspeitos e confirmados foram admitidos em clínicas sem condições adequadas para prevenção do contágio e os enterros das vítimas não seguiram os protocolos adequados. 

De acordo com a agência, o ressurgimento de casos pode estar ligado à exposição a um hospedeiro animal ou fluidos corporais de sobreviventes do vírus. Além disso, a OMS afirma que é comum que casos esporádicos ocorram após um grande surto. 

Até 9 de outubro, um total de 148 contatos foram identificados e estão sendo acompanhados pela equipe de resposta. 

O ressurgimento do ebola é um dos principais problemas de saúde pública da República Democrática do Congo.  

De acordo com a OMS, o país pode não ter a capacidade se preparar e responder a surtos. Os desafios são ampliados com a limitação de recursos causada pela Covid-19. No país, a pandemia já deixa mais de mil mortes e cerca de 55 mil infectados. 

Funcionários de saúde em centro de tratamento do ebola em Katwa, na RD Congo
Foto ONU/Martine Perret
Funcionários de saúde em centro de tratamento do ebola em Katwa, na RD Congo

Atenção 

Uma conjunção de fatores ambientais e socioeconômicos, incluindo pobreza, falta de confiança da sociedade, sistemas de saúde fracos e instabilidade política estão acelerando a taxa de surgimento de ebola, segundo a agência. 

Com base na avaliação de risco atual e nas evidências prévias sobre surtos de ebola, a OMS não aconselha restrições de viagem e comércio para a República Democrática do Congo. 

 

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