Após morte de menino, RD Congo inicia vacinação contra ebola BR

Enfermeira prepara vacinação de criança no Kivu Norte, na RD Congo
Unicef/Thomas Nybo
Enfermeira prepara vacinação de criança no Kivu Norte, na RD Congo

Após morte de menino, RD Congo inicia vacinação contra ebola

Saúde

Cerca de 1,2 mil doses chegaram ao país; avanço da doença pode ser causado por exposição a hospedeiros e fluidos corporais de sobreviventes; OMS investiga 170 pacientes suspeitos e pede atenção para a capacidade do sistema de saúde do país. 

A vacinação contra o ebola começou nesta quarta-feira na República Democrática do Congo após a confirmação de um caso na última semana. Um menino de dois anos de idade foi infectado e acabou morrendo. Pessoas em risco, incluindo familiares do caso confirmado e socorristas, receberão as doses. 

A Organização Mundial da Saúde informou que cerca de mil doses da vacina contra o vírus e outros suprimentos médicos foram entregues da capital congolesa. Outras 200 doses foram enviadas para Beni, nas proximidades de onde a doença deixou uma vítima. 

Vacinação em Mbandaka, na República Democrática do Congo, durante o último surto de ebola.
OMS/Lindsay Mackenzie
Vacinação em Mbandaka, na República Democrática do Congo, durante o último surto de ebola.

Cuidados 

O diretor regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, afirmou que o ebola é um vírus letal que pode se espalhar de maneira agressiva e rápida. No entanto, ele reforçou que as vacinas podem criar auxiliar na proteção, interrompendo as transmissões e evitando um surto maior.  

Além de organizar as atividades de imunização, as equipes de resposta a emergências estão trabalhando para rastrear contatos, descontaminar espaços infectados e intensificar a vigilância e os testes. 

Já foram identificados mais de 170 casos suspeitos, monitorados pela OMS. Para apoiar as autoridades nacionais nos esforços de resposta, a OMS liberou US$ 200 mil por meio de seu Fundo de Contingência para Emergências. 

A agência também vai enviar cinco toneladas de suprimentos, incluindo medicamentos, equipamentos de proteção individual e materiais de laboratório. 

Contágio 

A OMS afirmou que casos suspeitos e confirmados foram admitidos em clínicas sem condições adequadas para prevenção do contágio e os enterros das vítimas não seguiram os protocolos adequados. 

De acordo com a agência, o ressurgimento de casos pode estar ligado à exposição a um hospedeiro animal ou fluidos corporais de sobreviventes do vírus. Além disso, a OMS afirma que é comum que casos esporádicos ocorram após um grande surto. 

Até 9 de outubro, um total de 148 contatos foram identificados e estão sendo acompanhados pela equipe de resposta. 

O ressurgimento do ebola é um dos principais problemas de saúde pública da República Democrática do Congo.  

De acordo com a OMS, o país pode não ter a capacidade se preparar e responder a surtos. Os desafios são ampliados com a limitação de recursos causada pela Covid-19. No país, a pandemia já deixa mais de mil mortes e cerca de 55 mil infectados. 

Funcionários de saúde em centro de tratamento do ebola em Katwa, na RD Congo
Foto ONU: Martine Perret
Funcionários de saúde em centro de tratamento do ebola em Katwa, na RD Congo

Atenção 

Uma conjunção de fatores ambientais e socioeconômicos, incluindo pobreza, falta de confiança da sociedade, sistemas de saúde fracos e instabilidade política estão acelerando a taxa de surgimento de ebola, segundo a agência. 

Com base na avaliação de risco atual e nas evidências prévias sobre surtos de ebola, a OMS não aconselha restrições de viagem e comércio para a República Democrática do Congo.