Aumentam operações de segurança contra migrantes na Líbia BR

Migrantes em um centro de detenção na Líbia.
Mathieu Galtier/IRIN
Migrantes em um centro de detenção na Líbia.

Aumentam operações de segurança contra migrantes na Líbia

Migrantes e refugiados

Pessoas que buscam asilo no país são cada vez mais alvo de tratamento pesado, o que já resultou em pelo menos uma morte e num aumento das detenções; nas prisões de Tripoli, 1 mil mulheres e crianças correm risco, segundo Unicef. 

O Escritório de Direitos Humanos da ONU alerta migrantes vulneráveis na Líbia estão sendo vítimas de violações e de abusos que acontecem diariamente, por parte do governo e de representantes não-estatais.


Muitas pessoas estão sendo expulsas do país e enviadas para países da África Subsaariana. Segundo a porta-voz do Escritório, Marta Hurtado, a justificativa do governo é de que essas operações são de combate ao crime.


Milhares de detidos 

Migrantes num centro de detenção na Líbia.
Foto: © UNICEF/Alessio Romenzi
Migrantes num centro de detenção na Líbia.


Mas Hurtado argumenta que para combater o crime, é “preciso ir atrás de traficantes e não prender migrantes, que geralmente são também vítimas desses traficantes”. 


Desde o começo do mês, migrantes e pessoas que pediram asilo à Líbia são alvo de incidentes violentos. No dia 1, em uma ação liderada pelo Ministro do Interior num acampamento informal próximo de Tripoli, homens, mulheres e crianças foram presos, incluindo civis que já estavam registrados junto à Agência da ONU para Refugiados, Acnur. 


A porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU explicou ainda que as forças de segurança chegaram a bater nas pessoas que tentavam escapar e também dispararam contra os migrantes.


Celas lotadas 

Destruição em Bengazi, na Líbia. Conflito está em vigor desde 2016.
Foto: UNOCHA/Giles Clarke
Destruição em Bengazi, na Líbia. Conflito está em vigor desde 2016.


Pelo menos um pessoa morreu, cinco ficaram feridas e mais de 4 mil foram detidas. Segundo Marta Hurtado, o governo líbio acabou reconhecendo que a operação poderia ter sido feita de maneira diferente. 


De acordo com o Escritório de Direitos Humanos, as pessoas que foram presas foram encaminhadas a um centro de detenção em Tripoli e estariam em celas superlotadas, com pouco acesso à água e à comida. 
No dia 6 de outubro, 500 migrantes conseguiram escapar e foram seguidos por guardas que acabaram disparando vários tiros, matando pelo menos quatro pessoas. 


Para Marta Hurtado, “essa série de eventos terríveis num período de apenas oito dias é apenas o último exemplo da situação precária e por vezes fatal enfrentada por migrantes e requerentes de asilo na Líbia”. 


Crianças em prisões 

Médicos visitam uma clínica na Líbia, destruída por ataques em abril de 2021
© ICRC/André Liohn
Médicos visitam uma clínica na Líbia, destruída por ataques em abril de 2021


O Escritório de Direitos Humanos da Líbia está fazendo um apelo às autoridades do país, para libertarem todos os migrantes detidos e acabarem com as operações nos assentamentos. 


O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, também fez um alerta na terça-feira sobre a segurança e bem-estar de mil mulheres e crianças que estão em centros de detenção em Tripoli.
Segundo a agência, o grupo, incluindo cinco menores desacompanhados e 30 bebês, está sob risco, vivendo em condições desumanas, incluindo casos de meninos que foram colocados em celas com homens adultos.