Quase 50 crianças brasileiras, filhas de haitianos, já foram deportadas pelos EUA
BR

30 setembro 2021

Segundo o chefe da Missão no Haiti da Organização Internacional para Migrações, governo americano já enviou de volta ao país quase 5,5 mil pessoas; muitas chegam sem nem saber onde estão; agências da ONU lançam apelo conjunto para proteção destes civis.  

O chefe do Escritório no Haiti da Organização Internacional para Migrações, OIM, confirmou que pelo menos 47 crianças brasileiras já foram deportadas para o país caribenho. Esses menores de idade são filhos de haitianos que viviam no Brasil e tentaram entrar nos Estados Unidos pela fronteira com o México.  

Giuseppe Loprete está em Porto Príncipe e conversou com a ONU News nesta quinta-feira. Durante a entrevista, o chefe da OIM revelou que existem centenas de crianças nascidas em países da América do Sul que foram deportadas com suas famílias. 

Avaliação caso a caso  

Crianças vivendo num campo para deslocados no Haiti
UN Photo/Logan Abassi
Crianças vivendo num campo para deslocados no Haiti

Segundo o representante da OIM, mais de 300 menores de idade foram obrigados pelo governo americano a voltar com os pais para o Haiti. A maioria dessas crianças nasceu no Chile, e além do Brasil, há também menores do Equador, do Panamá e da Venezuela.  

Loprete explicou que a OIM está em contato com as autoridades do Brasil e do Chile, para tentar perceber se os grupos podem retornar a esses países. Segundo ele, cada caso é único, já que há famílias que têm residência aprovada e certidão de nascimento dos filhos, enquanto outras não possuem sequer documentos essenciais.  

Sem laços com país de origem 

A situação humanitária haitiana já precária envolve ainda a insegurança alimentar
PMA/Marianela González
A situação humanitária haitiana já precária envolve ainda a insegurança alimentar

O chefe da Missão no Haiti da OIM contou ainda que a maioria dos haitianos deportados pelos Estados Unidos em Del Rio, no Texas, já tinha deixado a terra natal há mais de cinco anos. 

Giuseppe Loprete revelou que mais de 5,5 mil haitianos chegaram ao país desde 19 de setembro. Por dia, chegam entre seis e sete aviões com pessoas deportadas. Muitas sequer sabem onde estão, outras já perderam os laços com os familiares.  

Um outro problema é que muitos desses migrantes enviavam remessas de dinheiro às famílias que ficaram no Haiti. Agora, retornam de mãos vazias. No aeroporto de Porto Príncipe, recebem ajuda em dinheiro, kits de higiene e assistência médica e psicológica.  

Apelo conjunto por fim das expulsões  

Uma família que perdeu a casa após o terremoto em agosto no Haiti.
Foto: © UNICEF/Georges Harry Rouzier
Uma família que perdeu a casa após o terremoto em agosto no Haiti.

O representante da OIM lembra que a situação no país caribenho é “terrível”, devido aos impactos do terremoto, da pandemia de Covid-19 e à instabilidade política.  

Também nesta quinta-feira, agências da ONU, incluindo OIM, Unicef e Agência da ONU para Refugiados, lançaram um apelo conjunto, pedindo mais medidas de proteção para os migrantes do Haiti.  

As entidades pedem a todos os países para deixarem de “expulsar haitianos sem antes tratar da proteção individual de cada um e respeitar os direitos humanos fundamentais.” 

 

 

 

 

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