Timor-Leste fecha debates da Assembleia Geral pedindo igualdade nas vacinas e ação pelo clima BR

Representante permanente timorense junto às Nações Unidas, Karlito Nunes, na 76a Assembleia Geral
UN Photo/Cia Pak
Representante permanente timorense junto às Nações Unidas, Karlito Nunes, na 76a Assembleia Geral

Timor-Leste fecha debates da Assembleia Geral pedindo igualdade nas vacinas e ação pelo clima

Assuntos da ONU

Embaixador do último país a discursar na 76ª Assembleia Geral, Karlito Nunes pediu que comunidade internacional diminua a lacuna entre países mais pobres; representante faz apelo por políticas climáticas e reforçou compromisso com nova agenda das Nações Unidas. Desde abril, o país é candidato ao Conselho de Direitos Humanos.

Timor-Leste foi o último país a discursar na 76ª Assembleia Geral nesta segunda-feira. A mensagem do chefe de Estado timorense foi apresentada pelo embaixador Karlito Nunes.

Fechando os debates, o representante permanente timorense junto às Nações Unidas iniciou seu discurso lembrando das dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19 nos últimos meses.

Íntegra do discurso do representante de Timor-Leste na Assembleia Geral da ONU

Igualdade

De acordo Nunes, o país vacinou cerca de 30% de sua população adulta graças à ajuda de parceiros internacionais.

Embora a imunização esteja avançando em Timor-Leste, Nunes lembrou que outros países de baixo rendimento imunizaram apenas 1% da população.

Por esse motivo, o diplomata reforçou que a comunidade internacional deve agir para diminuir essa diferença, já que “sem acesso igual às vacinas, muitos países não serão capazes de proteger as pessoas do vírus”.

“O meu país continua a apoiar a vacina como um bem público global, que precisa de ser acessível para todos, incluindo países em desenvolvimento e de baixo rendimento e países em situação especial. Sem acesso igual às vacinas, muitos países, incluindo Timor-Leste, não serão capazes de proteger as pessoas do vírus”.

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Lusofonia

O chefe da delegação que participou no evento disse que ainda este ano o português deve ser um dos idiomas oficiais das Nações Unidas.

Lembrando que o país faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, argumentou que o idioma “ajudou a fomentar uma educação de qualidade, expandir conhecimentos e fortalecer a ligação entre os nossos povos e os nossos cidadãos”.

“A cultura e a língua que adoptámos como uma das nossas línguas oficiais. Acreditamos que a língua portuguesa que é falada por cerca de 280 milhões de pessoas em todo o mundo; em 2021, poderia também ser considerada como uma das línguas oficiais da ONU.”

Atualmente as línguas oficiais da organização são seis: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.

Conflitos

Karlito Nunes destacou ainda a preocupação timorense com clima de tensão em Mianmar e no Afeganistão.

O discurso realçou as mortes, o agravamento dos direitos humanos, a destruição de acampamentos e a obstrução do acesso a serviços básicos nesses países.

As autoridades de Díli querem que todas as partes envolvidas “resolvam as divergências através do diálogo e a reconciliação, a fim de alcançar uma solução pacífica e duradoura”.

No caso birmanês, destacou apoio da organização regional.

“Na situação específica de Myanmar, Timor-Leste congratula-se com o mecanismo regional para enfrentar os desafios de segurança e socioeconômicos e aprecia o consenso de cinco pontos adoptado pela Asean na sua última reunião de líderes No caso do Afeganistão, Timor-Leste gostaria de apelar ao respeito escrupuloso dos direitos das mulheres. Apelar ainda ao respeito dos direitos dos afegãos e dos estrangeiros que desejam deixar o país.”

Retornados chegam a pé na área de Maliana, no Timor Leste, entre outubro e novembro de 1999.
ONU/M Kobayashi
Retornados chegam a pé na área de Maliana, no Timor Leste, entre outubro e novembro de 1999.

Nossa Agenda Comum

Timor-Leste expressou apoio à estratégia Nossa Agenda Comum lançada neste mês de setembro pelo secretário-geral António Guterres. A meta do plano global é dar resposta aos desafios atuais e futuros do mundo.

O país contribuiu com US$ 50 mil em apoio a esses esforços.

Encerrando o discurso, Nunes afirmou que o país passou por uma “amarga experiência de violação dos direitos humanos” para restaurar a independência.

Por isso, ele afirma que o país quer contribuir com o assunto e é candidato ao Conselho de Diretos Humanos para o período de 2024 até 2026.