Guterres pede mudanças por um mundo com comida saudável para todos
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23 setembro 2021

Líderes mundiais se reúnem em Nova Iorque para a Cúpula dos Sistemas Alimentares, na tentativa de transformar uma cadeia que gera um desperdício de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos por ano; secretário-geral defende produção e distribuição que apoiem saúde e bem-estar da população. 

As Nações Unidas receberam os líderes mundiais nesta quinta-feira para a Cúpula dos Sistemas Alimentares, com o objetivo de transformar a maneira como os alimentos são produzidos e distribuídos. 

Segundo dados da organização, mais de 800 milhões de pessoas no mundo passam fome e 3 bilhões não têm dinheiro para ter uma alimentação saudável. Na conferência, o secretário-geral da ONU disse ainda que 2 bilhões de pessoas estão acima do peso ou obesas, enquanto 462 milhões estão desnutridas. 

Desafio difícil  

Banca de frutas e legumes no Paquistão.
Foto: ADB/Rahim Mirza
Banca de frutas e legumes no Paquistão.

António Guterres lembrou de outro dado importante: um terço dos alimentos produzidos são perdidos ou desperdiçados todos os anos. Por isso, o chefe da ONU defendeu um mundo onde todas as pessoas tenham acesso a refeições saudáveis e nutritivas. 

Ele reconheceu que a pandemia de Covid-19 tornou este desafio ainda mais difícil, empurrando milhões para a pobreza extrema e aumentando a fome em vários países. 

Guterres destacou também que o atual sistema de produção de alimentos causa enormes impactos ao meio ambiente, gerando um terço das emissões de gases de efeito estufa e sendo responsável por 80% das perdas da biodiversidade.  

Pessoas, planeta, prosperidade  

Agricultores na Tanzânia trabalham com uma variedade de feijão que pode ajudar a melhorar os meios de subsistência;
Foto: CIAT/GeorginaSmith
Agricultores na Tanzânia trabalham com uma variedade de feijão que pode ajudar a melhorar os meios de subsistência;

O secretário-geral lembrou que a Cúpula já vem sendo preparada há meses, causando uma “injeção de vida no multilateralismo”, com a participação de governos, empresas e sociedade civil.  

Guterres destacou que o futuro dos sistemas alimentares de 148 países está sendo traçado agora. Segundo ele, essa transformação precisa servir às pessoas, ao planeta e à prosperidade.  

O chefe da ONU defendeu um sistema alimentar que apoie a saúde e o bem-estar de todos, já que a “desnutrição e a fome não são forças da natureza, mas resultado da falta de ações de todos nós”.  

Novos hábitos  

António Guterres pediu à comunidade global “aumento da distribuição de comida em áreas afetadas por conflitos ou emergências climáticas”; “investimentos em sistemas de prevenção da fome”; “contribuição para a nutrição adequada para todos, já que muitas vezes dietas nutritivas são caras ou não estão disponíveis” para muitos.  

Ele fez um apelo por trabalho em conjunto de empresas e de governos para aumentar o acesso a dietas saudáveis, incentivando, por exemplo, novos hábitos. Guterres elogiou países que já defendem acesso universal para refeições nutritivas nas escolas.  

O secretário-geral afirmou que a mudança nos sistemas alimentares não é apenas possível, mas é necessária. Para Guterres, o momento do trabalho conjunto é mesmo agora.  

 

 

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