ONU Mulheres revela novo projeto feminista para recuperação econômica
BR

16 setembro 2021

Agência apresenta documento citando “lições aprendidas com erros do passado”; proposta traz uma visão para combater falta de emprego e crise climática num mundo pós-pandemia.

A ONU Mulheres revelou esta quinta-feira um “plano feminista para a recuperação econômica e a transformação global”, que tem como base as lições aprendidas com a pandemia de Covid-19. O documento foi batizado de “Para Além da Covid-19: Um Plano Feminista para Sustentabilidade e Justiça Social”. 

Alcançar as metas globais exigirá investimentos e gastos em grande escala
Banco Mundial/Victor Idrogo
Alcançar as metas globais exigirá investimentos e gastos em grande escala

Igualdade no topo

A agência explica se tratar do primeiro projeto do tipo, com dados, análises e opiniões de mais de 100 especialistas globais, fornecendo uma visão concreta para colocar “igualdade de gênero, sustentabilidade ambiental e justiça social no centro dos esforços do desenvolvimento global”.

O relatório detalha como a pandemia de Covid-19 aumentou a desigualdade de gênero e expôs as fraquezas de uma economia global já fragilizada. Entre 2019 e 2020, 54 milhões de mulheres ficaram desempregadas. Mas mesmo antes da pandemia, elas assumiam o triplo de trabalho de cuidados não-remunerados, na comparação com os homens.  

A ONU Mulheres calcula que até o fim deste ano, os homens terão recuperado os seus postos de trabalho, mas haverá ainda 13 milhões de desempregadas
OIT/Minette Rimando
A ONU Mulheres calcula que até o fim deste ano, os homens terão recuperado os seus postos de trabalho, mas haverá ainda 13 milhões de desempregadas

Empregos verdes

As mulheres também são impactadas de forma desproporcional pela degradação ambiental, além de serem deixadas de lado nos processos de decisão sobre políticas e financiamento de combate à mudança climática.

A ONU Mulheres calcula que até o fim deste ano, os homens terão recuperado os seus postos de trabalho, mas haverá ainda 13 milhões de desempregadas. 
A agência menciona que um “trio de crises interconectadas - empregos, cuidados e clima” prejudica a igualdade de gênero e ameaça a sobrevivência das pessoas e do planeta. 

Mulheres continuam enfrentando maior índice de desemprego na comparação com homens.
ONU Mulheres/Piyavit Thongsa-Ard
Mulheres continuam enfrentando maior índice de desemprego na comparação com homens.

Soluções políticas e mais investimento

Para resolver esta crise, a ONU Mulheres pede mais políticas, ação e investimentos. O mapa apresentado pela agência sugere mais investimentos públicos em serviços de cuidados, que poderiam criar de 40% a 60% a mais de empregos.

A entidade das Nações Unidas menciona o Brasil e a África do Sul por terem implementado, após a pandemia, transferências de dinheiro para trabalhadoras informais.

Outra sugestão é aproveitar o potencial da transição para a sustentabilidade ambiental, que poderia criar 24 milhões de postos de trabalho “verdes”, como no setor das energias renováveis. 

A promoção da liderança feminina nos governos, setor privado e instituições da sociedade civil é também um ponto-chave do documento. Segundo a ONU Mulheres, apenas 24% dos postos de trabalho nos grupos de força-tarefa de combate à Covid-19 são ocupados por mulheres.

A agência defende ainda um maior financiamento para as organizações de direitos das mulheres, que receberam entre 2018 e 2019, apenas 1% da ajuda dos países-membros do Comitê de Assistência para o Desenvolvimento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos. 

 

 

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