Momento crucial para ação climática: está acabando o tempo para evitar um aquecimento catastrófico
BR

16 setembro 2021

A redução temporária das emissões de carbono causada pelos confinamentos durante a pandemia não interrompeu o avanço da mudança climática; várias agências da ONU publicam relatório inédito Unidos pela Ciência e comprovam que mundo está longe de atingir compromissos do Acordo de Paris. 

Um relatório inédito publicado esta quinta-feira por várias agências das Nações Unidas mostra que as concentrações de gases na atmosfera atingiram níveis recorde e o planeta está caminhando para enfrentar um aquecimento muito perigoso.

“Unidos pela Ciência 2021” é um documento que comprova que apesar das reduções de gases durante os confinamentos da pandemia de Covid, o mundo não está nada perto de atingir as metas do Acordo de Paris.

Incêndio florestal na Califórnia em 2020.
San Francisco Fire Department
Incêndio florestal na Califórnia em 2020.

Um mundo em perigo

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirma que o número de desastres naturais já é cinco vezes maior do que os registros de 1970, incluindo ondas de calor fatais, furacões, enchentes e incêndios.
Segundo Guterres, “essas mudanças são apenas o começo do pior que está por vir”. O chefe da ONU faz um alerta: sem reduções imediatas e em larga escala das emissões de gases, será impossível limitar o aumento da temperatura global a 1,5° C e as “consequências serão catastróficas.”

Vítima do ciclone Idai na Beira.
PMA/Deborah Nguyen
Vítima do ciclone Idai na Beira.

Cenário angustiante 

De acordo com cientistas, o aumento da temperatura global já está causando eventos extremos do clima, com enorme impacto nas economias e nas sociedades. 

O relatório Unidos pela Ciência sugere um cenário angustiante: mesmo com ação ambiciosa para cortar as emissões de gases, o nível do mar continuará subindo e ameaçando ilhas e populações que vivem em áreas costeiras. 

António Guterres é claro: “o tempo está acabando” e “é preciso agir agora para evitar mais danos irreversíveis”. O secretário-geral vê a COP26, em novembro, como a chance de um ponto de virada na situação.

Guterres faz um apelo a todos os países, para se comprometerem em atingir emissões zero até meados do século e para apresentarem estratégias claras, de longo prazo, para que a meta seja alcançada. 

A Conferência 2021 da ONU sobre Mudança Climática, conhecida como COP26, acontecerá entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro em Glasgow, na Escócia. A expectativa é de que os líderes mundiais decidam os rumos da ação climática para a próxima década. 

Nas ilhas Seychelles, meta é melhorar a proteção costeiras e impactos do aumento do nível do mar.
Foto: NOOR/Kadir van Lohuizen
Nas ilhas Seychelles, meta é melhorar a proteção costeiras e impactos do aumento do nível do mar.

Descobertas notáveis 

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, OMM, reduzir as concentrações de metano, CH4, na atmosfera a curto prazo poderá ajudar no alcance das metas do Acordo de Paris. Mas a medida não elimina a necessidade de reduções mais fortes e rápidas de CO2 e outros gases. 

Já o Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, alerta que a diferença entre o nível atual de emissões e o nível estipulado pela ciência até 2030 é maior do que nunca. 

Um futuro mais quente 

O relatório explica que a temperatura global será em média 1°C mais quente do que os níveis da era pré-industrial (1850-1900) em cada um dos próximos cinco anos, e é muito provável que fique entre 0,9° e 1,8°C. 

Existe ainda 40% de chance de que a temperatura em um dos próximos cinco anos seja 1,5° C mais quente do que os níveis pré-industriais. No entanto, o relatório destaca que será difícil a temperatura média ultrapassar 1,5 ° C no período 2021-2025.

Regiões de alta latitude e o Sahel provavelmente estarão mais húmidas nos próximos cinco anos. Em relação ao nível do mar, a expectativa é de aumento entre 0,3 e 0,6 m ate 2100, mesmo se as emissões de gases forem reduzidas e o aquecimento global menor do que 2° C. 

Saúde mundial em risco

A Organização Mundial da Saúde, que também assina o estudo, alerta para aumento das mortes por calor extremo. Segundo a agência, 103 bilhões de horas de trabalho foram perdidas em 2019, na comparação com os índices de 2000, com trabalhadores afetados pelo clima. 

Além da Covid-19, ondas de calor, incêndios e má qualidade do ar são fatores que ameaçam a saúde humana, colocando em risco especial as populações mais vulneráveis.

O relatório Unidos pela Ciência foi produzido pela Organização Meteorológica Mundial, OMM; Programa da ONU para o Meio-Ambiente, Pnuma; Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, IPCC; Projeto Global de Carbono, GCP; Programa Mundial de Pesquisa sobre o Clima, WCRP, e Met Office, do Reino Unido. 

 

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