Mortes por câncer cervical podem subir em 30% até 2030 na região africana
BR

1 setembro 2021

Doença matou mais de 72 mil mulheres no continente no ano passado; estratégia global para acelerar eliminação propõe mudar medidas para alterar pensamento sobre idade e envelhecimento; resposta à pandemia não foi específica aos idosos.

A Organização Mundial de Saúde quer que 90% de todas as crianças africanas até 15 anos de idade sejam vacinadas contra o HPV até 2030 para erradicar o câncer de colo do útero.

A agência anunciou que apoia os esforços para acelerar a eliminação da doença como uma problema de saúde pública na região.

OMS: o câncer de colo de útero  é uma das maiores ameaças para a saúde das mulheres
Foto: Organização Pan-Americana de Saúde
OMS: o câncer de colo de útero é uma das maiores ameaças para a saúde das mulheres

Prevalência 

O também conhecido como câncer cervical é o segundo tipo de tumor mais comum em mulheres em África, e o quarto em nível global. 

O Quadro de Implementação da Estratégia Global para Acelerar a Eliminação da Infeção do Colo do Útero foi recentemente apresentado no 71⁰ Comitê Regional da OMS para a África.

Em 2020, mais de 72 mil mulheres morreram desta enfermidade. Mais de metade delas vivia com o HIV. Apesar da disponibilidade de vacinas seguras e eficazes que previnem a infecção, apenas 16 países contam com iniciativas de vacinação. 

A África Subsaariana tem cerca de 54 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. A população idosa está crescendo mais rápido no continente africano, seguido da América Latina, e Caribe e da Ásia. 

Uma jovem recebe a vacina contra o HPV, em Ruanda.
© Unicef/Laurent Rusanganwa
Uma jovem recebe a vacina contra o HPV, em Ruanda.

Envelhecimento saudável

Projeções indicam que cerca de 80% da população mais velha do mundo vai viver em países menos desenvolvidos até 2050. 

A Covid-19 matou mais de 17 mil pessoas de 55 anos de idade e mais, exacerbando a condição desta camada da população na África Subsaariana. 

Na região, a resposta a pandemia dos países não foi específica para pessoas mais velhas. O Quadro de Implementação da Estratégia Global para Acelerar a Eliminação do câncer Cervical na Região Africana propõe medidas para alterar como se lida com a idade e o envelhecimento no continente.

Uma das maiores propostas é apoiar pessoas da terceira idade, fornecer cuidados e serviços primários de saúde bem como melhorar o acesso aos cuidados a longo prazo.     

Uma menina de dois anos e sua mãe esperam para ver um médico na unidade de oncologia pediátrica de um hospital em Accra, Gana
OMS/Ernest Ankomah
Uma menina de dois anos e sua mãe esperam para ver um médico na unidade de oncologia pediátrica de um hospital em Accra, Gana

Maior fardo 

Segundo a OMS, a região africana é desproporcionalmente afetada pelo câncer cervical. Pelo menos 19 Estados-membros, carregam o maior fardo do câncer cervical global. 

Em 2020, a região respondeu por 21% da mortalidade global ligada à enfermidade. 

Previsões da agência apontam que até 2030, a a taxa de pessoas com a doença vai aumentar para 400 mil em todo o mundo, caso a atual tendência se mantenha. Na região africana, projeta-se que o número de óbitos suba para 30 %. 

Entre as razões para a situação estão fatores socioeconômicos e culturais bem como o fraco acesso aos serviços básicos de saúde. 

Duas meninas sentam-se juntas, após receberem a vacina contra o HPV, em uma escola primária em Masaka, no Ruanda
© Unicef/UN0261446/Rusanganwa
Duas meninas sentam-se juntas, após receberem a vacina contra o HPV, em uma escola primária em Masaka, no Ruanda

Mortalidade 

Dados destacam que mulheres vivendo com o HIV são seis vezes mais propensas a desenvolver câncer cervical e em idades menores do que as que não vivem com o vírus. 

Para a OMS, a enfermidade está estreitamente interligada ao HIV e, quando associados, ambos os fatores contribuem para elevar os índices de doentes e óbitos na região. 

A maioria das mulheres africanas é diagnosticada em estágio final, porque muitos países carecem de meios de diagnóstico adequados, tratamento ou serviços paliativos básicos. 

Nesta fase, o acesso ao tratamento pode ser muito limitado. O resultado é uma taxa de mortalidade situada entre 37 a 77 % das infetadas que morrem dentro de cinco anos após o diagnostico. 

O número desproporcional de pacientes tem menor acesso a opções para aliviar a dor.   A OMS destaca que ambas as doenças refletem desigualdades e disparidades geográficas, de gênero e socioeconômicas.

*Amatijane Candé para a ONU News. 

 

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