Cepal prevê crescimento de 5,9% para América Latina e Caribe ainda este ano
BR

31 agosto 2021

Comissão Econômica da ONU projeta desaceleração econômica para 2022; crescimento sustentável e inclusivo depende da criação de empregos e do aumento de investimentos na região.  

A Comissão Econômica da ONU para América Latina e Caribe, Cepal, divulgou esta terça-feira, sua projeção econômica para a região. Para este ano, a entidade prevê um crescimento de 5,9%, mas para 2022, o cenário previsto é de desaceleração da economia, com expansão de 2,9%.  

A pesquisa apresentada na sede da Cepal, em Santiago do Chile, ressalta que a crise global de saúde agravou os problemas estruturais da região, como baixa produtividade, falta de investimentos, desocupação, desigualdade e pobreza.  

Cepal defende a criação de mais empregos na região
Agência Brasil/Marcelo Camargo
Cepal defende a criação de mais empregos na região

Empregos e dinamismo  

Para que a América Latina e o Caribe tenham crescimento sustentável, dinâmico e inclusivo, a Cepal sugere aumento dos investimentos e criação de empregos, com ênfase em setores ambientalmente sustentáveis.   

De acordo com a Cepal, na base do crescimento deste ano estão fatores como a baixa base de comparação depois da contração de 6,8% registrada em 2020.  

O período também está sendo marcado por efeitos positivos da demanda externa e da alta nos preços dos produtos básicos exportados pela região, bem como de aumentos na demanda agregada. 

Capacidade 

A secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, chamou a atenção para as assimetrias ainda existentes entre os países desenvolvidos e as nações de renda média.  Ela mencionou tanto a dinâmica da vacinação, como a capacidade de implementar políticas para a recuperação econômica. 

Para manter as políticas fiscais e monetárias expansivas, Bárcena recomenda aos países que complementem os recursos internos com um maior acesso à liquidez internacional e com mecanismos multilaterais que facilitem a gestão da dívida. 

Secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena.
Carlos Vera/ECLAC
Secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena.

Vacinação de Covid-19 

Outra sugestão é a promoção de iniciativas multilaterais para enfrentar as incertezas sobre a vacinação e o acesso dos países em desenvolvimento a financiamento em condições adequadas. 

O documento da Cepal cita também problemas estruturais, que por décadas, limitaram o crescimento econômico da região, “se agravaram com a pandemia e limitarão a recuperação da atividade econômica”.  

Crise no mercado de trabalho 

Antes da pandemia, o cenário econômico regional caminhava para a estagnação. Entre 2014 e 2019, a taxa média de crescimento foi 0,3%, menor do que a média do período de seis anos entre a Primeira Guerra Mundial, 0,9%, e a Grande Depressão, em torno de 1,3%.  

A queda do investimento observada em 2020 atingiu num de seus níveis mais baixos nas últimas três décadas, ao se situar em 17,9% do Produto Interno Bruto, PIB. A produtividade do trabalho teve uma queda significativa. 

A Cepal ressalta que ano passado, a pandemia desencadeou a maior crise dos mercados de trabalho da América Latina e do Caribe desde 1950, sendo os mais afetados pela crise gerada pela Covid-19.  

Mulheres e Jovens  

O número de pessoas trabalhando caiu 9% em 2020 e a Comissão prevê que a recuperação esperada para 2021 não permitirá atingir os níveis pré-crise.  

A crise causada pela pandemia também provocou uma forte queda na participação do trabalho, principalmente para as mulheres. A participação feminina atingiu 46,9%, um retrocesso em relação aos níveis de 2002.  

Energia renovável é setor estratégico para América Latina
Foto: ADB/Patarapol Tularak
Energia renovável é setor estratégico para América Latina

A chefe da Cepal defende mais políticas para promover a inserção laboral de mulheres e dos jovens e ampliação dos programas de criação de emprego.  

Além disso, a região requer mais investimentos em setores que podem reduzir a pegada ambiental, como o de energias renováveis, mobilidade sustentável nas cidades, revolução digital, indústria manufatureira da saúde, economia circular e turismo sustentável.  

 

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