Chefe do Acnur declara que “uma crise ainda maior está apenas começando” no Afeganistão
BR

30 agosto 2021

Retirada de pessoas no aeroporto de Cabul se aproxima do fim e Filippo Grandi destaca que país ainda terá quase 40 milhões de pessoas precisando de ajuda da comunidade internacional; Conselho de Segurança reúne-se esta segunda-feira sobre a situação no Oriente Médio.

O alto comissário da ONU para Refugiados afirmou, esta segunda-feira, que a retirada de pessoas em Cabul está chegando ao fim e “uma crise humanitária ainda maior está apenas começando” no Afeganistão.

Filippo Grandi mencionou as imagens chocantes do aeroporto de Cabul, que estão causando “compaixão ao redor do mundo”. Mas segundo ele, “quando essas cenas deixarem de aparecer nas nossas telas, ainda haverá milhões de pessoas precisando de ação da comunidade internacional.”

Alto comissário da ONU para Refugiados, Acnur, Filippo Grandi
ONU/Evan Schneider
Alto comissário da ONU para Refugiados, Acnur, Filippo Grandi

Realidade para quase 40 milhões 

A mensagem do chefe da Agência da ONU para Refugiados, Acnur foi divulgada no mesmo dia em que o Conselho de Segurança reúne-se em consultas sobre a situação no Oriente Médio. Grandi lembra que os esforços para retirar civis do Afeganistão são louváveis, mas 39 milhões de pessoas continuarão vivendo no país.

O alto comissário para os Refugiados destaca que são esses civis que precisam do apoio de governos, parceiros humanitários e dos cidadãos comuns. Desde o começo do ano, a violência levou 3,5 milhões de afegãos a abandonarem suas casas e todos precisam receber assistência com rapidez. 

Famílias no Afeganistão fugiram de suas casas devido ao conflito e agora vivem em campos de deslocados internos em Kandahar
© Unicef Afeganistão
Famílias no Afeganistão fugiram de suas casas devido ao conflito e agora vivem em campos de deslocados internos em Kandahar

Apelo por fronteiras abertas 

Por isso, Grandi lembra que esses civis precisam ter a oportunidade de buscar proteção internacional. Ele pede que as fronteiras permaneçam abertas e ressalta a importância das nações vizinhas ao Afeganistão receberem mais apoio do que nunca.

O chefe da Agência da ONU para Refugiados mencionou o Paquistão e o Irã, países que já receberam milhões de refugiados afegãos nas últimas décadas. Segundo Grandi, outras nações precisam “compartilhar esta responsabilidade humanitária”. 

Ele também defende soluções de longo prazo para os refugiados e deslocados internos no Afeganistão, já que a tragédia no país continuará para milhões de pessoas, mesmo depois que os aviões deixem de vez o aeroporto de Cabul.  

 

 

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