Camões aposta na indústria criativa de países lusófonos para expandir português
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18 agosto 2021

Diretor do Instituto Camões – da Cooperação e da Língua, com sede em Lisboa, diz à ONU News que a música é uma das grandes impulsoras do interesse de estrangeiros pelo idioma; audiovisual, literatura, arquitetura, gastronomia e turismo são outras áreas que ajudam a despertar a curiosidade pelo idioma.

O Instituto Camões – da Cooperação e da Língua informou estar apostando na cultura e na indústria criativa para expandir a presença do português no mundo.

Após um ano marcado pela pandemia, a ONU decidiu fazer de 2021, o Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável.

Fado e samba

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, somente no Reino Unido, a indústria criativa gerou £101,5 bilhões aos cofres do país, quase dobrando os níveis da economia desde 2010. 

Séries, filmes e programas de TV britânicos são exportados e licenciados em todo o mundo. Além disso, o inglês conta, nos Estados Unidos, com um dos maiores centros globais de produção audiovisual e entretenimento: os estúdios de Hollywood.

O presidente do Camões, o embaixador João Ribeiro de Almeida, afirma que a música, a literatura e o audiovisual gerados nos países lusófonos são grandes impulsores para a aprendizagem do português como língua estrangeira.

“Porque há muita gente que chega à língua portuguesa pela cultura. Há muita gente que chega, pela primeira vez, à língua portuguesa porque se apaixona pela cultura em língua portuguesa. Não tem que ser cultura somente de Portugal, pode ser cultura brasileira, angolana. Quantas vezes, nós descobrimos pessoas que dizem: ‘e, pá, aquele samba é tão bonito, mas eu queria perceber o que eles dizem’, isso, os nossos amigos estrangeiros, a mesma coisa com o fado... Então, há muita gente que chega à língua pela cultura em língua portuguesa.  E nós temos que buscar e tentar organizar toda esta gente.”

Comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2021
Reprodução
Comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2021

Comércio

Apenas no Brasil, em 2017, a indústria criativa teria gerado o equivalente a 2,6% do Produto Interno Bruto, PIB, do país com mais de 837 mil trabalhadores formalizados, de acordo com a Federação da Indústria do Estado do Rio de Janeiro, Firjan.

Um ano depois, em Cabo Verde, a 12ª. Conferência de Chefes de Estado e Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, reafirmou a estratégia de utilizar a cultura e a diversidade da lusofonia para promover a língua e o comércio das nações que falam o idioma.

No último encontro de Cúpula, no mês passado, a Cplp informou que priorizará o eixo da cooperação econômica dentre os países de bloco.

ODS
ONU
ODS

ODS

A organização incorporou em ambas as declarações a necessidade de avanço para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2030, das Nações Unidas.

A Unctad lista como parte da indústria criativa os setores de audiovisual, artes cênicas, música, literatura, turismo, arquitetura, gastronomia, games, entretenimento, eventos e design entre outras áreas.

Para a Agência da ONU, a economia criativa tem o potencial de apoiar os países em desenvolvimento e as economias em transição na diversificação da produção e exportações.

Na entrevista à ONU News, o presidente do Camões João Ribeiro de Almeida afirmou que, cada vez mais, o português cresce como língua de negócios. Uma tendência que a estratégia de difusão da língua do país executa há quase 10 anos.

João Ribeiro de Almeida é presidente do Instituto Camões – da Cooperação e da Língua
Camões, I.P.
João Ribeiro de Almeida é presidente do Instituto Camões – da Cooperação e da Língua

17% do PIB

Em 2012, o estudo sobre o “Potencial Econômico da Língua Portuguesa”, chefiado pelo professor Luís Reto, revelou que este valor é o equivalente a 17% do PIB de Portugal.  Mas no fim da década com impasses econômicos e políticos em países de língua portuguesa, o idioma também perdeu peso, segundo Reto.

A Unctad afirma que em todo o mundo, a economia criativa é responsável por 3% do PIB global. Mas para a agência, este valor aumenta quando é agregado o fator cultural à conta final.
 

 

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