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“O Afeganistão não deve ser nunca mais usado como porto seguro para terroristas” BR

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa em um pódio durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança em Nova York.
ONU/Manuel Elias O secretário-geral da ONU pediu apoio para combater a ameaça terrorista no Afeganistão durante encontro do Conselho de Segurança

“O Afeganistão não deve ser nunca mais usado como porto seguro para terroristas”

Paz e segurança

No Conselho de Segurança, secretário-geral da ONU faz apelo por união da comunidade internacional; António Guterres está preocupado com violações dos direitos básicos de mulheres e meninas. 

A situação no Afeganistão foi debatida pelo Conselho de Segurança nesta segunda-feira. O secretário-geral da ONU falou ao grupo e pediu apoio para combater a ameaça terrorista no país.

António Guterres disse que “a comunidade internacional precisa estar unida para garantir que o Afeganistão nunca mais seja usado como plataforma ou porto seguro de organizações terroristas.”

Uma vista panorâmica da cidade de Cabul, no Afeganistão, com uma área residencial construída em uma encosta íngreme no primeiro plano e a cidade e as montanhas ao fundo.
Foto: ADB/Jawad Jalali Cabul, capital do Afeganistão

Ameaça Global 

Ele fez um apelo ao Conselho de Segurança por trabalho e ações em conjunto, “usando todas os meios possíveis para conter a ameaça global terrorista e garantir o respeito aos direitos humanos básicos.”

Guterres está preocupado principalmente com violações dos direitos de mulheres e de meninas, que “temem um retorno aos tempos mais sombrios”. 
O chefe da ONU lembrou que as afegãs esperam da comunidade internacional apoio, uma vez que foi “essa mesma comunidade que garantiu que elas teriam oportunidades, acesso à educação e liberdades individuais.”

Um homem afegão caminha com duas crianças pequenas por uma área empoeirada e aberta de um assentamento de refugiados no Afeganistão.
© Unicef Afeganistão Famílias no Afeganistão fugiram de suas casas devido ao conflito e agora vivem em campos de deslocados internos em Kandahar

Caos e medo 

O secretário-geral afirmou que o mundo observa o que está acontecendo no país com grande inquietação e citou o “caos, a agitação, a incerteza e o medo”. 

Segundo Guterres, o que está em jogo são os “sonhos de uma geração de jovens do Afeganistão”.

Ao movimento Talebã, ele pediu moderação máxima e que garantam o acesso à ajuda humanitária. O conflito obrigou centenas de milhares de pessoas a abandonar suas casas e a capital, Cabul, está abrigando um grande número de deslocados internos.

Por isso, o secretário-geral quer a proteção dos civis, já que 18 milhões estão sendo afetados pelo lado humanitário da crise, e faz um apelo para que o mundo não abandone os afegãos.

Uma mulher afegã segura uma criança pequena ao ar livre, enquanto milhões de migrantes retornam ao Afeganistão.
OIM/Muse Mohammed Deslocados pela insegurança no Afeganistão abrigados em um acampamento na província ocidental de Herat

Funcionários da ONU

Guterres destacou que existem funcionários e escritórios da ONU em locais que já estão sob o controle do Talebã, mas garantiu que até o momento, esses espaços têm sido respeitados. Ele pediu ao grupo para “honrar a integridade e a inviolabilidade de instalações e de enviados diplomáticos.”

O embaixador do Afeganistão, Ghulam M. Isaczai, está preocupado com a possibilidade do Talebã não respeitar o trato feito nas negociações de Doha e citou “as execuções em massa de militares e a morte de civis em Kandahar e outras grandes cidades do país.”

Um menino vestido com roupas tradicionais caminha descalço sobre um chão de terra batida em um campo de refugiados, com tendas e outras pessoas ao fundo.
© Unicef Afeganistão Crianças que vivem no campo de deslocados de Haji, em Kandahar, no Afeganistão, não têm mais acesso à escola

Abertura de fronteiras

O embaixador pediu ajuda para que o mesmo não aconteça na capital Cabul. Ghulam Isaczai lembrou que houve a “oportunidade de evitar uma guerra civil e que o país se tornasse um Estado pária.”

O representante pediu ainda às nações vizinhas para manterem suas fronteiras abertas a todos que estão escapando e defendeu o estabelecimento de um governo de transição inclusivo e representativo com a participação de mulheres e de grupos étnicos. 

Ele fez ainda um apelo ao Conselho de Segurança e às Nações Unidas, “para não reconhecerem nenhuma administração que chegue ao poder com o uso da força.”