Pandemia fez cair detecção e tratamento de casos de câncer em crianças na África 
BR

13 agosto 2021

Serviços oncológicos foram parcialmente interrompidos em quase metade dos países devido à Covid-19; OMS destaca impacto da crise na força de trabalho da saúde e em pessoas que tiveram receio de ir ao hospital durante a pandemia. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, estima que mais de 28 mil crianças morreram devido ao câncer na África Subsaariana em 2020. 

Em nota emitida em Brazzaville, o escritório da agência para a região revela que o rastreio e o tratamento de casos da doença, incluindo os infantis, foram particularmente afetados. 

Sobrevivência   

Os serviços de detecção foram suspensos, parcialmente, em 46% dos países. Em 13% das nações pesquisadas, mais de metade dos serviços oncológicos foram interrompidos. Em média, apenas 20% de menores com câncer sobrevivem no continente.  

A situação contrasta com a dos países de alta renda. Nesse cenário, a oferta de serviços permite que mais de 80% das crianças com a doença sejam curadas. 

Uma jovem recebe a vacina contra o HPV, em Ruanda.
© Unicef/Laurent Rusanganwa
Uma jovem recebe a vacina contra o HPV, em Ruanda.

 

Entre as principais razões para as interrupções na África estão as “drásticas medidas preventivas tomadas após o início da pandemia”. A força de trabalho da saúde foi orientada aos serviços para conter o vírus nos países, o que também afetou os serviços oncológicos. 

A agência revelou que muitos atendimentos ainda não foram totalmente restaurados, apesar de a rotina estar sendo lentamente retomada. 

Detecção precoce  

O coordenador do Programa de Doenças Não Transmissíveis da OMS em África, Jean-Marie Dangou, lamentou as perdas e ressaltou que “cânceres infantis são curáveis se detectados cedo e tiverem cuidados abrangentes”.  

O diagnóstico precoce aumenta as taxas de sobrevivência com uma resposta rápida a um tratamento eficaz, menos caro e menos intensivo. Nesses casos há melhorias significativas para as crianças e são evitados atrasos no atendimento. 

A OMS pede um investimento mais substancial na prevenção e no tratamento do câncer, incluindo no treinamento de maior qualidade dos profissionais para evitar mortes e casos infantis de câncer na região. 

Acesso 

Cânceres infantis são curáveis se detectados cedo e tiverem cuidados abrangentes

Os atrasos na triagem e no tratamento impactam o diagnóstico e o tratamento. O efeito é ainda maior considerando os poucos recursos médicos da África, fazendo subir o risco de mortes evitáveis por câncer. 

O rastreamento e o tratamento foram os serviços que mais sofreram com a falta de pessoal médico, quando muitos especialistas foram colocados nas ações de combate à Covid-19. 

Em 64% dos países, as pessoas temiam procurar tratamento médico na pandemia. O acesso aos serviços essenciais de saúde também diminuiu devido às dificuldades financeiras como resultado das restrições sobre os rendimentos individuais. 

 

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