Ação da variante Delta leva OMS a pedir US$ 7,7 bilhões para testes e vacinas BR

Mulher recebe a vacina contra a Covid-19 na RD Congo
© UNICEF/Arlette Bashizi
Mulher recebe a vacina contra a Covid-19 na RD Congo

Ação da variante Delta leva OMS a pedir US$ 7,7 bilhões para testes e vacinas

Saúde

Diretor-geral da agência confirma que em cinco regiões do mundo, total de casos subiu até 80% em um mês; mortes na África pela Covid-19 sobem na mesma percentage; variante da foi detectada em 132 países e agência prevê que novas variantes possam surgir.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, prevê o surgimento de novas variantes do coronavírus. Nesta sexta-feira, o diretor-geral da agência afirmou, em Genebra, que o vírus continua em mutação e se espalhando, por isso outras versões deverão aparecer, além das quatro que já foram detectadas. 


Segundo Tedros Ghebreyesus, se a tendência continuar, os números de casos de Covid-19 deverão ultrapassar os 200 milhões nas próximas duas semanas. Ele destacou ainda que em cinco regiões do mundo, o número de infecções quase dobrou ou subiu 80% no último mês.

Homem sendo testado em centro de centro de saúde na Côte d’Ivoire. Disponibilidade de testes permitiu baixar número de novas infeções
Unicef/Frank Dejongh
Homem sendo testado em centro de centro de saúde na Côte d’Ivoire. Disponibilidade de testes permitiu baixar número de novas infeções


Mais testes 


Na África, o total de mortes subiu 80% nas últimas semanas. Segundo o chefe da OMS, a alta está relacionada à variante Delta, que é altamente transmissível e que já foi detectada em 132 países.
Tedros Ghebreyesus destaca que está sendo lançado um mecanismo para acelerar a resposta à variante Delta, sendo necessários, com urgência, US$ 7,7 bilhões para testes, tratamentos e vacinas.   


Outros fatores que levam a novos casos são o aumento dos encontros entre pessoas, a inconsistência das medidas sociais e a desigualdade na vacinação, com o sistema de saúde de vários países chegando ao limite.

 

Equipe de um centro de saúde comunitário em Ghaziabad, na Índia, prepara máquinas de oxigênio para tratar pacientes de Covid-19
© Unicef/Srishti Bhardwaj
Equipe de um centro de saúde comunitário em Ghaziabad, na Índia, prepara máquinas de oxigênio para tratar pacientes de Covid-19

Falta de Oxigênio 

Tedros destacou ainda que a subida das infecções cria uma falta de oxigênio. São 29 países que precisam, com urgência, de aparelhos de oxigênio e muitas outras nações não têm equipamentos básicos de proteção. 
A OMS fornece oxigênio a várias nações e a rede de especialistas da agência continua fazendo pesquisas para entender por que a variante Delta se espalha tão rápido. 

Segundo o diretor-geral da OMS, em países de baixa renda, o índice de testagem representa menos de 2% do total de testes realizados em nações de renda alta. Tedros afirma que isso deixa o mundo sem entender onde a doença está e como está mudando. 

Profissional de saúde prepara uma vacina para Covid-19 na Etiópia
Unicef/NahomTesfaye
Profissional de saúde prepara uma vacina para Covid-19 na Etiópia

 

Metas de Vacinação 

Ele defende que sem aumento dos testes, não é possível controlar a Covid-19 ou mitigar os riscos de variantes ainda mais perigosas. Tedros lembra ainda a importância de isolar casos e reduzir a transmissão do vírus. 

A meta da OMS continua sendo ajudar todos os países a vacinarem pelo menos 10% de suas populações até setembro, 40% até o fim do ano e 70% até meados de 2022. Mas o diretor da agência afirma que o mundo está longe de atingir estes objetivos. 

Até o momento, apenas três países já vacinaram 70% da população com as doses completas da vacina e apenas metade  das nações do mundo tem 10% da população vacinada. 

Segundo ele, a distribuição de vacinas continua injusta, principalmente para a África, onde são administradas até 4 milhões de doses por semana. O ideal seriam 21 milhões de unidades. Com isso, apenas 1,5% dos africanos já tem a vacinação completa.