Morte de mulheres e de crianças atinge nível recorde no Afeganistão
BR

27 julho 2021

Foram mais de 1,6 mil civis mortos e 3,5 mil feridos apenas no primeiro semestre do ano; Missão da ONU no país afirma que aumento da violência está ligado à saída das forças militares internacionais. 

Os incidentes no Afeganistão envolvendo civis atingiram níveis recordes no primeiro semestre do ano, segundo a Missão das Nações Unidas no país, Unama. 

A Missão afirma que a violência começou a aumentar a partir de maio, quando as forças militares internacionais começaram a se retirar do país.

Mulheres e crianças representam metade das vítimas, sendo que 468 meninos e meninas morreram e mais de 1,2 mil menores de idade ficaram feridos
Foto: Unama/Fraidoon Poya
Mulheres e crianças representam metade das vítimas, sendo que 468 meninos e meninas morreram e mais de 1,2 mil menores de idade ficaram feridos

Crianças 

Houve também aumento dos confrontos depois de uma ofensiva do Talebã. No balanço apresentado na segunda-feira, a Unama destaca que entre janeiro e junho, mais de 1,6 mil pessoas foram mortas pela violência no Afeganistão, que também deixou mais de 3,5 mil civis feridos. 

Os números mostram um aumento de 47% dos incidentes envolvendo civis, na comparação com o mesmo período de 2020. Mulheres e crianças representam metade das vítimas, sendo que 468 meninos e meninas morreram e mais de 1,2 mil menores de idade ficaram feridos.  

Os números mostram um aumento de 47% dos incidentes envolvendo civis, na comparação com o mesmo período de 2020
ONU/Eric Kanalstein
Os números mostram um aumento de 47% dos incidentes envolvendo civis, na comparação com o mesmo período de 2020

Explosivos 

A Unama explica ainda que o total de mortes e de feridos entre maio e junho foi o maior desde que a Missão da ONU começou a fazer o levantamento, em 2009. O fogo cruzado causou 11% dos incidente e houve também baixas causadas por explosivos de guerra. 

A representante especial do secretário-geral para o Afeganistão, está “implorando ao Talebã e aos líderes do país para “prestarem atenção à trajetória sombria e assustadora do conflito e o impacto arrasador sobre os civis”.

Cidade de Cabul, capital do Afeganistão
Unama/Fardin Waezi
Cidade de Cabul, capital do Afeganistão

Alerta 

Segundo Deborah Lyons, o relatório da Unama faz um “alerta claro de que um número sem precedentes de civis afegãos poderão morrer” este ano se a onda de violência não acabar.

Lyons, que também é chefe da Unama, pede aos líderes do Afeganistão e ao Talebã para “ampliarem os esforços na mesa de negociações, para protegerem o povo afegão e lhes dar esperança de um futuro melhor”.

As Nações Unidas lembram aos lados em conflito da obrigação que têm, perante a lei internacional, de proteger os civis
Unama/Fardin Waezi
As Nações Unidas lembram aos lados em conflito da obrigação que têm, perante a lei internacional, de proteger os civis

Compromisso em Proteger 

De acordo com a Unama, muitos confrontos ocorridos em maio e junho aconteceram em áreas com baixa densidade populacional. A ONU está muito preocupada com a possibilidade de ações militares em áreas muito povoadas, o que poderá criar “consequências catastróficas para os civis afegãos”. 

As Nações Unidas lembram aos lados em conflito da obrigação que têm, perante a lei internacional, de proteger os civis, principalmente após as partes terem divulgado um comunicado conjunto no dia 18 de julho onde concordavam com a prevenção dos danos aos civis. O documento foi assinado pelo governo afegão e pelo Talebã. 
 

 

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