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Um homem recebe a vacina contra a COVID-19 no braço de um profissional de saúde usando luvas azuis em Brazzaville, na África.

África precisa acelerar distribuição de vacinas até seis vezes para atingir metas   BR

OMS/Christopher Black Banco Mundial estima que US$ 9,5 bilhões seriam necessários para comprar vacinas suficientes para o continente

África precisa acelerar distribuição de vacinas até seis vezes para atingir metas  

Saúde

Aposta do continente é inocular 10% da população mais vulnerável à Covid-19 até o final de setembro; OMS vê esperança e inspiração com queda semanal de 1,7% em novos casos do novo coronavírus. 

A África teve uma queda de 1,7% de novos casos da Covid-19 na última semana. O continente reportou quase 282 mil pacientes durante o período, revelou a diretora regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, para África. 

Nesta quinta-feira, Matshidiso Moeti disse a jornalistas, em Brazzaville, que “não se deve ter ilusões porque a terceira onda não chegou ao fim na região”.  

Inspiração 

Para Moeti, os recentes dados são “um pequeno passo em adiante que oferece esperança e inspiração, mas não devem mascarar o panorama geral do continente”.  

A chefe regional da agência explicou que muitos países ainda estão em risco de alcançar o pico da terceira onda, com as celebrações, esta semana, da festa muçulmana do Eid.  

A Dra. Matshidiso Moeti, Diretora Regional da OMS para a África, fala durante uma entrevista tendo como pano de fundo a OMS África .
Reprodução A diretora regional da OMS na África, Matshidiso Moeti, diz que a mudança climática é uma das maiores ameaças da humanidade e que coloca a boa saúde em perigo

 

A queda de casos acontece após oito semanas consecutivas de aumento rápido. Até o momento, a região notificou pelo menos 109,7 mil mortes entre os 4.634.617 infectados. 

Uma das razões para a desaceleração semanal é a queda acentuada registrada na África do Sul. Mas há receios de que no país, concentrando a maior parte dos casos do continente, tenha ocorrido “um desenvolvimento de curta duração”. 

Vacinas 

Entre os maiores desafios apontados pela OMS está a distribuição de vacinas. O aumento deve ser entre cinco a seis vezes mais rápido que o atual, para cumprir a meta de imunizar 10% dos mais vulneráveis na população até o final de setembro. 

Moeti lembrou que os países de alta renda administraram 62 vezes mais doses por pessoa do que as economias de baixo rendimento.   

Parteira prepara vacina contra COVID-19 em um centro de saúde em Uganda enquanto um paciente aguarda.
Unicef/Catherine Ntabadde OMS recomenda que se distribuam vacinas em áreas rurais distantes das grandes cidades

Estimativas do Banco Mundial indicam que US$ 9,5 bilhões seriam necessários para comprar vacinas suficientes para garantir uma proteção adequada na região. Outros US$ 3 bilhões devem ser investidos para financiar as operações associadas ao processo. 

População 

Para ilustrar o atraso do continente na imunização, Moeti disse que apenas 20 milhões de africanos estão totalmente vacinados. O número corresponde a 1,5% da população africana.   

Apenas 1,7% dos 3,7 bilhões de doses administradas globalmente foram para a África. A região deve receber meio bilhão de doses ainda este ano através do mecanismo Covax, liderado pela OMS e parceiros. 

Moeti disse que para responder a este fluxo de imunizantes, os países da região devem melhorar sua prestação com esforços para aumentar a aceitação, expandir as operações, investir em custos operacionais e lidar com a confiança nas vacinas. 

Um trabalhador de saúde do sexo masculino na Etiópia examina um frasco de vacina da COVAX, com um centro de vacinação desfocado ao fundo.
Unicef/Nahom Tesfaye Profissional de saúde prepara uma vacina para Covid-19 na Etiópia