Quase metade das crianças vivendo com HIV não recebe tratamento
BR

22 julho 2021

Levantamento da Unaids mostra ainda 150 mil menores de idade infectados no ano passado; mais de um terço não foram testados; sem medicamentos, metade das crianças soropositivas pode morrer antes de completar dois anos.  

Pela primeira vez, houve declínio no total de crianças que recebem tratamento para o HIV. Quase metade entre 1,7 milhões de menores soropositivos não foi tratado no ano passado. 

O levantamento é do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids, Unaids, que destaca ainda 150 mil novas infecções registradas entre crianças em 2020. O total é quatro vezes maior do que a meta estipulada, que era de 40 mil novos casos entre menores de idade. 

Uma parteira prepara remédios para um bebê HIV-positivo de duas semanas em Uganda.
Unicef/Jimmy Adriko
Uma parteira prepara remédios para um bebê HIV-positivo de duas semanas em Uganda.

 

Mortes  

Ao publicar o relatório, em Genebra, na Suíça, a agência destaca que estão sendo perdidas várias oportunidades de identificar recém-nascidos e crianças pequenas com HIV. A razão é que não estão sendo testados mais de um terço dos bebês que nascem de mães soropositivas.  

O Unaids revela que sem tratamento, 50% das crianças com o vírus morrem antes do segundo aniversário. A vice-diretora do Unaids, Shannon Hader, lembra que há 20 anos, começaram as iniciativas para prevenir a transmissão vertical e evitar que as crianças morram de Aids. 

Mulher recebe medicamento para HIV para seu recém-nascido
Unicef/Frank Dejongh
Mulher recebe medicamento para HIV para seu recém-nascido

Liderança  

Mas apesar dos progressos, as metas em relação às crianças soropositivas não estão sendo alcançadas. Elas têm 40% a menos de chances do que os adultos de receberem tratamento. Além disso, os menores representam 15% das mortes relacionadas à Aids. 

O Unaids faz um apelo por mais liderança, ativismo e investimentos. Já a Organização Mundial da Sáude, OMS, destaca que a “comunidade com HIV tem um histórico de combater desafios sem precedentes e por isso, é necessária a mesma energia e perserverança para cuidar dos mais vulneráveis, as crianças”.  

Três Medidas  

O relatório cita três ações necessárias para acabar com novas infecções de HIV entre crianças. A primeira é testar todas as grávidas e fornecer tratamento o quanto antes, para evitar que os bebês nasçam com o vírus.  

A segunda ação é garantir a continuação do tratamento e da supressão viral durante a gravidez e a amamentação. Segundo o Unaids, 38 mil crianças foram infectadas porque as mães não receberam o tratamento adequado nessas duas fases. 

Em Côte d’Ivoire, conselheiro da Unicef informa adolescente sobre antiretrovirais
Unicef/Olivier Asselin
Em Côte d’Ivoire, conselheiro da Unicef informa adolescente sobre antiretrovirais

 

Adolescentes  

O terceiro objetivo é evitar novas infecções por HIV entre mulheres que estão grávidas ou amamentando.  

De acordo com o levantamento, houve progressos na prevenção do vírus entre as adolescentes e as jovens: queda de 27% de novas infecções  entre 2015 e 2020.  

Por outro lado, a Covid-19 e o fechamento das escolas prejudicaram muitos programas educacionais e de saúde sexual e reprodutiva para adolescentes, o que mostra ser urgente redobrar os esforços de prevenção no grupo.   

 

 

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