Relatores da ONU temem que sanções ameacem vida de venezuelanos com câncer   
BR

21 julho 2021

Especialistas em Direitos Humanos avaliam que decisão imposta pelos Estados Unidos à subsidiária da companhia estatal Petróleo da Venezuela prejudica pessoas em tratamento; painel de especialistas independentes teme pela vida dos pacientes que aguardam transplantes que seriam realizados no exterior. 

Um grupo de relatores das Nações Unidas* para os Direitos Humanos teme que pacientes com câncer na Venezuela possam morrer devido às sanções impostas pelos Estados Unidos a uma subsidiária da companhia estatal Petróleo da Venezuela.

Segundo os especialistas, a vida dos pessoas que aguardam por um transplante e das que esperam viajar ao exterior para serem operadas está em risco. Os relatores destacam que uma operação ou tratamento fora da Venezuela tem sido “a única esperança para centenas de pacientes em estado crítico.” 

Crianças  

O alerta do grupo foi feito esta quarta-feira, em Genebra, na Suíça, onde fica o Conselho de Direitos Humanos. Segundo os relatores, está em causa um programa da Fundação Simón Bolívar, que pertence à refinaria venezuelana Citgo Petróleo, que tem sede nos Estados Unidos. 

 Especialistas frisaram que sanções estão criando “consequências inesperadas”
Opas
Especialistas frisaram que sanções estão criando “consequências inesperadas”

 

A fundação ajuda pacientes com câncer, incluindo crianças, a viajar para fora do país para receberem transplantes e outros tratamentos que salvam vidas.  

Muitos deles são ligados ao sistema nacional de transplantes da Venezuela. Mas os tratamentos foram interrompidos quando os Estados Unidos se recusaram a dar ao governo venezuelano o controle da Citgo.  

Direito Fundamental  

Os relatores garantem que o assunto já foi levado ao governo dos Estados Unidos e a outros países e entidades. As sanções estão criando “consequências inesperadas” e por isso, eles “pedem que seja retomado o tratamento dos pacientes que correm risco de perder a vida”.  

Migrantes cruzando a fronteira da Venezuela para Cúcuta, na Colômbia
Unicef/Santiago Arcos
Migrantes cruzando a fronteira da Venezuela para Cúcuta, na Colômbia

 

Os relatores lembram que todo ser humano tem direitos fundamentais à vida e à saúde.  

O grupo destaca que muitos países, bancos e empresas privadas estão sendo cautelosos ao lidar com a Venezuela. O receio é que possam violar, de forma não-intencional, as sanções impostas pelos Estados Unidas. 

Mortes  

Com isso, não está havendo transferências de dinheiro para fora da Venezuela e alguns pacientes não conseguem sair das nações onde aguardam por tratamento.  

Segundo os relatores, 190 pacientes com câncer estão numa lista para receber terapia fora do país e 14 crianças acabaram morrendo, nos últimos três anos, enquanto esperavam ajuda.  

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem pagamento pelo seu trabalho.

 

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