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Um terço dos detidos está na cadeia sem ter sido condenado BR

Duas mulheres estão dentro de uma cela de prisão no Haiti, vistas através de grades de metal azuis. Uma mulher está sentada em um balde branco, enquanto a outra está no chão.
Minujusth/Leonora Baumann Subida de 33% no número de mulheres detidas

Um terço dos detidos está na cadeia sem ter sido condenado

Legislação e prevenção de crimes

Primeira pesquisa global sobre situação carcerária destaca que superlotação nas prisões aumenta risco de transmissão da Covid-19;  Unodc destaca que número de presos subiu 25% nas últimas duas décadas. 

 

Um entre três prisioneiros está na cadeia sem ter recebido uma sentença, o que significa que ainda não foi condenado pela Justiça. Esta é a principal conclusão de um novo levantamento sobre o sistema carcerário global. 

O Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc, divulgou o estudo esta sexta-feira, em Viena, na Áustria. Entre 2000 e 2019, o número de pessoas nas prisões subiu mais de 25%, chegando a 11,7 milhões. Uma população do mesmo tamanho de nações como Bolívia, Burundi, Bélgica e Tunísia. 

 

Detentos em uma cela superlotada, visíveis através das grades de uma janela, com uma rede improvisada e jarras de água.
ONU/Victoria Hazou Dois detidos atrás das grades dos muros da prisão na Penitenciária Nacional do Haiti

América Latina  

Segundo o Unodc, América do Norte, África Subsaariana e Leste Europeu tiveram queda de até 27% nos índices de encarceramento. Mas em outras regiões do mundo, como América Latina, Austrália e Nova Zelândia, as detenções subiram até 68% nas últimas duas décadas. 

Os homens foram a maioria dos detidos, representando 93% na média global. Mas o total de mulheres presas cresceu em ritmo rápido: 33%. 

 

Funcionários do Unodc na Zâmbia distribuem equipamentos de proteção individual, incluindo termômetros infravermelhos, máscaras faciais e aventais, para autoridades prisionais.
Unodc Entrega de material de proteção individual em uma prisão na Zâmbia

Covid-19 

O Unodc também avaliou a questão das superlotações: na metade dos países, as prisões funcionam com mais de 100% do limite da capacidade. O Escritório da ONU ressalta que a pandemia de Covid-19 tirou a atenção do mundo ao problema da superlotação nas cadeias. 

Dados de governos mostram que em maio deste ano, quase 550 mil presos, em 122 países, estavam infectados com o coronavírus. Houve pelo menos 4 mil mortes.  

Para combater a Covid-19, os centros de detenção acabaram por limitar os momentos de recreação, oportunidades de trabalho e os direitos a visitação, que são, segundo o Unodc, componentes essenciais dos programas de reabilitação. 

Desde o início da pandemia, em março do ano passado, pelo menos 700 mil pessoas no mundo todo, ou 6% da população carcerária, foram autorizadas a serem libertadas por meio de mecanismos de emergência adotados por 119 Estados- membros.