No pré-pandemia, Angola subiu em 19 anos a expectativa de vida   
BR

14 julho 2021

Setor da saúde teve aumento de cerca de 10% de pessoal no primeiro ano da Covid-19; governo quer baixar pobreza multidimensional para 27%, metade do nível atual; aumento da representação de mulheres nas estruturas de tomada de decisão.  

A expectativa de vida em Angola cresceu 19 anos entre 2000 e 2019. Em média, os cidadãos do país passaram a viver de 42 para 61 anos durante o período, anunciou a ministra de Estado para Área Social, Carolina Cerqueira. 

Na apresentação do Relatório Nacional Voluntário no Fórum de Alto Nível sobre o Desenvolvimento Sustentável, as autoridades ressaltaram que o Índice de Desenvolvimento Humano subiu de 0,400 para 0,581 pontos no mesmo período. 

Especialistas  

Mas a crise de saúde, aliada à queda do preço do petróleo, obrigou a tomar medidas excepcionais para mitigar os efeitos em comunidades, famílias e negócios. Angola é um dos maiores produtores mundiais do recurso. 

 

Diante do desafio da pandemia, o setor de saúde aumentou cerca de 10% de pessoal para 77.419 profissionais. Entre os recém-contratados estão médicos, enfermeiros, especialistas de diagnóstico, técnicos gerais e de apoio hospitalar.

“No mesmo ano, o país atingiu 5.581 novas camas, o que reforçou a capacidade de internamento em unidades de saúde, permitindo também a quarentena e tratamento de pacientes Covid-19, que foi reforçado com seis hospitais de campanha espalhados em Luanda e outras regiões do país.” 

Outro marco importante para a saúde em Angola foi o aumento em cobertura de testes de HIV em mulheres grávidas de 46% em 2019 para 62% em 2020. No mesmo ano, o acesso ao tratamento antirretroviral esteve a um ponto percentual a menos do dobro: cresceu de 36% em 2018 para 71% no ano passado. 

A ministra destacou ainda que para promover o desenvolvimento, Angola quer consolidar a democracia e o Estado de Direito, combater a corrupção, a lavagem de dinheiro, os crimes e a impunidade. 

Prioridades 

Melhorar o ambiente de negócios, diversificar economia e reformar o Estado também fazem parte das prioridades mencionadas por Cerqueira, apesar dos efeitos adversos da pandemia.

Funcionário de saúde de Angola recebe vacina através da iniciativa Covax
Unicef/COVAX/Carlos César
Funcionário de saúde de Angola recebe vacina através da iniciativa Covax

 

O país também destacou êxitos no aumento da representação de mulheres nas estruturas de tomada de decisão e em formulação de políticas. 

A ministra afirmou que, atualmente, as mulheres encontram-se representadas em 29,6% no Parlamento. No governo central, a presença feminina em cargos de liderança é de 39%. 

“12% das secretárias de Estado são mulheres; 22,2% dirigem os governos provinciais diretos, 19,5% são vice-governadoras, 25,6% dirigem administrações municipais e 27,4% ocupam cargos diplomáticos”. 

Pobreza 

No setor judiciário, mais de um terço dos cargos na magistratura do Ministério Público são ocupados por mulheres. Elas representam 38% dos funcionários do setor 31% dos advogados. 

Metas do governo considera dar primazia à erradicação da fome e pobreza 
ONU Photo/Loey Felipe
Metas do governo considera dar primazia à erradicação da fome e pobreza 

 

No relatório apresentado ao Conselho Econômico e Social, Ecosoc, a ministra ressaltou que mesmo com a subida verificada na crise, o plano é reduzir o elevado índice de pobreza. 

Até 2030, a meta é ter menos de 27% da população na pobreza multidimensional a nível nacional, ou metade da atual taxa de 54%. 

Carolina Cerqueira acrescentou que a cobertura da proteção social corresponde a cerca de 7% da população, destacando o peso dos trabalhadores informais.  

Os planos do governo consideram como alvos a erradicação da fome e pobreza e em áreas como educação, saúde, igualdade de gênero, proteção social, justiça, direitos humanos e meio ambiente. 

Criança de dois anos come uma pasta nutricional depois de ser testada para desnutrição em Angola
PMA/Pedro Domingos
Criança de dois anos come uma pasta nutricional depois de ser testada para desnutrição em Angola

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud