Medida da UE para cortar emissões terá pouco impacto na mudança climática BR

Unctad fez um levantamento que mostra os impactos do mecanismo no comércio internacional, nas emissões de dióxido de carbono, CO2, na renda e no emprego dentro e fora da União Europeia
Unsplash/Maxim Tolchinskiy
Unctad fez um levantamento que mostra os impactos do mecanismo no comércio internacional, nas emissões de dióxido de carbono, CO2, na renda e no emprego dentro e fora da União Europeia

Medida da UE para cortar emissões terá pouco impacto na mudança climática

Clima e Meio Ambiente

Alerta da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento segue-se ao anúncio de criação do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira no bloco; estima-se que ajuste possa reduzir em apenas 0,1% as   emissões globais de CO2.

A União Europeia está propondo a criação do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira, que tem como uma das metas estabelecer uma taxa de carbono sobre produtos importados.

A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, está alertando que a medida poderá fazer pouco para reduzir os efeitos da mudança climática.

Níveis de CO2 continuam em níveis recorde, apesar de uma descida nas emissões durante pandemia
Unsplash/Johannes Plenio
Níveis de CO2 continuam em níveis recorde, apesar de uma descida nas emissões durante pandemia

Fuga de Carbono

A Unctad fez um levantamento que mostra os impactos do mecanismo no comércio internacional, nas emissões de dióxido de carbono, CO2, na renda e no emprego dentro e fora da União Europeia.

O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira deverá introduzir novas medidas para evitar a chamada “fuga de carbono”. Mas a Unctad revela, por exemplo, que a iniciativa poderá gerar uma redução de apenas 0,1% nas emissões globais de CO2.

Potencial inexplorado na exportação pode variar muito
Irin/Daniel Hayduk
Potencial inexplorado na exportação pode variar muito

Preço

Para a agência da ONU, poderá haver redução de 1,4% das exportações de setores industriais que produzem muito carbono em países em desenvolvimento. Esse cenário seria no caso de o mecanismo ser implementado a um preço de US$ 44 por tonelada de emissões de CO2.

Mas os efeitos podem variar bastante de país por país, dependendo da sua estrutura de exportação e intensidade de produção de carbono.

A análise da Unctad revela ainda que se o mecanismo da União Europeia estipular um preço de US$ 44 por tonelada, a renda dos países desenvolvidos subirá US$ 2,5 bilhões.

Em 2020, as concentrações de dióxido de carbono aumentaram novamente para um novo máximo, 148% acima dos níveis pré-industriais
Cifor/Nanang Sujana
Em 2020, as concentrações de dióxido de carbono aumentaram novamente para um novo máximo, 148% acima dos níveis pré-industriais

Queda nas exportações

Em contrapartida, a renda das nações em desenvolvimento poderá ter queda de US$ 5,9 bilhões.

A Unctad destaca ainda que aumentar o preço do carbono nas exportações poderá “reduzir de forma significativa as emissões de CO2 na União Europeia”, mas poderá haver queda nas exportações dos maiores blocos comerciais do mundo.

A Conferência das Nações Unidas pede à Comissão Europeia que reveja a proposta e tente diminuir as lacunas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.