Medida da UE para cortar emissões terá pouco impacto na mudança climática
BR

15 julho 2021

Alerta da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento segue-se ao anúncio de criação do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira no bloco; estima-se que ajuste possa reduzir em apenas 0,1% as   emissões globais de CO2.

A União Europeia está propondo a criação do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira, que tem como uma das metas estabelecer uma taxa de carbono sobre produtos importados.

A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, está alertando que a medida poderá fazer pouco para reduzir os efeitos da mudança climática.

Níveis de CO2 continuam em níveis recorde, apesar de uma descida nas emissões durante pandemia
Unsplash/Johannes Plenio
Níveis de CO2 continuam em níveis recorde, apesar de uma descida nas emissões durante pandemia

Fuga de Carbono

A Unctad fez um levantamento que mostra os impactos do mecanismo no comércio internacional, nas emissões de dióxido de carbono, CO2, na renda e no emprego dentro e fora da União Europeia.

O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira deverá introduzir novas medidas para evitar a chamada “fuga de carbono”. Mas a Unctad revela, por exemplo, que a iniciativa poderá gerar uma redução de apenas 0,1% nas emissões globais de CO2.

Para a agência da ONU, poderá haver redução de 1,4% das exportações de setores industriais que produzem muito carbono em países em desenvolvimento
Irin/Daniel Hayduk
Para a agência da ONU, poderá haver redução de 1,4% das exportações de setores industriais que produzem muito carbono em países em desenvolvimento

Preço

Para a agência da ONU, poderá haver redução de 1,4% das exportações de setores industriais que produzem muito carbono em países em desenvolvimento. Esse cenário seria no caso de o mecanismo ser implementado a um preço de US$ 44 por tonelada de emissões de CO2.

Mas os efeitos podem variar bastante de país por país, dependendo da sua estrutura de exportação e intensidade de produção de carbono.

A análise da Unctad revela ainda que se o mecanismo da União Europeia estipular um preço de US$ 44 por tonelada, a renda dos países desenvolvidos subirá US$ 2,5 bilhões.

Em 2020, as concentrações de dióxido de carbono aumentaram novamente para um novo máximo, 148% acima dos níveis pré-industriais
Cifor/Nanang Sujana
Em 2020, as concentrações de dióxido de carbono aumentaram novamente para um novo máximo, 148% acima dos níveis pré-industriais

Queda nas exportações

Em contrapartida, a renda das nações em desenvolvimento poderá ter queda de US$ 5,9 bilhões.

A Unctad destaca ainda que aumentar o preço do carbono nas exportações poderá “reduzir de forma significativa as emissões de CO2 na União Europeia”, mas poderá haver queda nas exportações dos maiores blocos comerciais do mundo.

A Conferência das Nações Unidas pede à Comissão Europeia que reveja a proposta e tente diminuir as lacunas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

 

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